O mercado de trabalho brasileiro chega ao último trimestre de 2026 com uma das maiores intenções de contratação entre os países avaliados pelo ManpowerGroup. Para o período de outubro a dezembro, 62% das empresas no Brasil planejam ampliar seus quadros.
O cenário ocorre após o país atingir 103 milhões de pessoas ocupadas em 2025, segundo a PNAD Contínua, do IBGE. Esse foi o maior contingente de ocupados desde o início da série histórica, em 2012.
Ao mesmo tempo, o número de desocupados caiu para 6,1 milhões, também o menor patamar registrado pela pesquisa.
Brasil ocupa segundo lugar no ranking global
A expectativa líquida de emprego no Brasil alcança 53% no quarto trimestre. O indicador resulta da diferença entre a parcela de empregadores que planeja contratar e aquela que prevê demissões.
Com esse resultado, o país ocupa o segundo lugar no ranking global de intenção de contratação. A Índia lidera a lista, com 54%.
Além disso, a expectativa brasileira supera a média mundial, de 29%. Entre os países latino-americanos citados no levantamento, o Brasil também fica à frente do Panamá, com 49%, e do México, com 41%.
Na comparação anual, a expectativa líquida de emprego brasileira avançou 18 pontos percentuais. O resultado reforça a perspectiva de expansão das equipes no encerramento de 2026.
Empresas ampliam busca por profissionais em início de carreira
A contratação de jovens profissionais ganha espaço entre as empresas brasileiras. Segundo o levantamento do ManpowerGroup, 65% dos empregadores no país aceleram a busca por talentos em início de carreira.
O percentual fica 20 pontos percentuais acima da média global. Dessa forma, o Brasil apresenta uma estratégia diferente daquela observada em mercados nos quais a inteligência artificial começa a afetar a contratação de profissionais iniciantes.
Na Suíça, por exemplo, a proporção de vagas de nível inicial anunciadas em 2025 ficou 32% abaixo da média registrada entre 2019 e 2022. Já nos Estados Unidos, empresas que adotaram inteligência artificial generativa registraram queda de 7,7% nas contratações de nível inicial após seis trimestres, segundo o estudo citado no material.
Enquanto esses mercados reduzem a contratação de profissionais iniciantes, o Brasil amplia a procura por esse perfil. A estratégia aparece principalmente diante da escassez de talentos qualificados e do custo de contratação de profissionais mais experientes.
Empresas apostam na formação de talentos
A formação interna de profissionais aparece como uma das alternativas adotadas pelas empresas brasileiras. O movimento tem maior presença em manufatura, com 69% de intenção de contratação de profissionais em início de carreira, além de finanças e seguros e informação, ambos com 67%.
Com isso, a contratação de jovens profissionais ganha relevância como estratégia para desenvolver mão de obra dentro das próprias organizações. O modelo também reduz a dependência de profissionais já qualificados disponíveis no mercado.
Finanças lideram intenção de contratação
Entre os setores avaliados no Brasil, finanças e seguros apresentam a maior expectativa de contratação, com 63%.
Na sequência aparecem construção e imobiliário, com 61%, e informação, com 59%. O resultado mostra que a intenção de ampliar equipes está distribuída por diferentes segmentos da economia.
Além disso, o levantamento indica que a demanda não se concentra apenas em tecnologia ou serviços financeiros. Setores tradicionais, como construção e manufatura, também apresentam índices elevados de intenção de contratação.
São Paulo lidera entre os estados
Na divisão regional apresentada pelo estudo, São Paulo registra 65% de expectativa de contratação e ocupa a primeira posição entre os estados citados.
O Rio de Janeiro aparece em seguida, com 58%, enquanto Paraná registra 49% e Minas Gerais, 37%.
Assim, São Paulo apresenta uma expectativa de contratação superior à média nacional de 53%. O resultado coloca o estado na liderança do movimento de expansão dos quadros entre as localidades destacadas pela pesquisa.
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