Larry Fink: IA podem concentrar tecnologia em grandes empresas

Larry Fink, CEO da BlackRock
Larry Fink, CEO da BlackRock, alerta que atrasos no desenvolvimento da IA podem concentrar a tecnologia nas grandes empresas. (Foto: Anna Moneymaker/Getty Images)

O avanço da inteligência artificial (IA) pode ficar concentrado nas grandes empresas caso a oposição pública atrase a expansão da infraestrutura necessária para a tecnologia. O alerta foi feito por Larry Fink, CEO da BlackRock, durante a Canada Investment Summit, em Toronto.

Segundo Fink, ampliar rapidamente a capacidade de desenvolvimento da IA pode ajudar a reduzir a concentração tecnológica. “Quanto mais rápido conseguirmos ampliar a capacidade, mais poderemos democratizar a tecnologia e torná-la acessível a todos”, afirmou.

Além disso, o executivo avalia que restrições ao avanço da infraestrutura podem produzir um efeito contrário ao pretendido. Nesse cenário, empresas com maior capacidade financeira teriam mais condições de sustentar os custos relacionados ao desenvolvimento da tecnologia.

Centros de dados entram no debate sobre IA

Enquanto as empresas ampliam seus investimentos em inteligência artificial, a expansão dos centros de dados enfrenta resistência em diferentes localidades dos Estados Unidos.

Nesse sentido, a oposição pública a novos empreendimentos de infraestrutura já afeta projetos de desenvolvedores. Além disso, o tema ganhou espaço em disputas eleitorais de meio de mandato no país, inclusive em uma disputa por uma vaga no Senado em Ohio.

Ao mesmo tempo, as principais empresas de IA discutem padrões de segurança com o governo dos Estados Unidos. A preocupação envolve, sobretudo, os riscos associados ao avanço acelerado dos modelos.

No sábado, Dario Amodei, CEO da Anthropic, defendeu que os principais desenvolvedores de modelos trabalhem voluntariamente para estabelecer padrões de segurança. O executivo também propôs desacelerar o avanço da tecnologia para reduzir riscos considerados catastróficos.

Canadá busca ampliar investimentos

O debate sobre IA ocorreu durante uma conferência que também colocou os investimentos no Canadá em destaque. Na ocasião, o primeiro-ministro Mark Carney buscou atrair grandes investidores internacionais para ampliar a atividade empresarial no país.

A estratégia pretende enfrentar anos de baixo investimento corporativo e, ao mesmo tempo, reduzir a dependência econômica canadense dos Estados Unidos.

Nesse contexto, Jon Gray, presidente da Blackstone, afirmou que mudanças nas políticas tributárias e regulatórias podem elevar o potencial de crescimento canadense.

“As taxas de crescimento potenciais aqui são muito mais altas do que a maioria das pessoas esperaria”, disse Gray. Para ele, “o Canadá é um gigante adormecido, economicamente”.

Capital também é desafio para empresas de IA

Além da infraestrutura, o acesso a capital aparece como outro obstáculo para o desenvolvimento de empresas de tecnologia no Canadá.

Durante o mesmo painel, Dilhan Pillay, CEO da Temasek Holdings, afirmou que a companhia começou a investir em empresas canadenses relacionadas à inteligência artificial em 2016.

Por outro lado, Pillay apontou dificuldades para manter essas empresas no país à medida que elas crescem. Segundo o executivo, sem capital suficiente para financiar a expansão, algumas companhias acabam transferindo suas operações para os Estados Unidos.

“Mas o problema com essas empresas é que, se não tivermos capital para expandi-las, elas migram para os Estados Unidos. Esse é o maior desafio que enfrentamos”, afirmou.

Assim, o debate apresentado no Canadá reúne três fatores que influenciam a expansão da inteligência artificial: infraestrutura, regras de segurança e disponibilidade de capital. Enquanto empresas buscam acelerar o desenvolvimento dos modelos, governos e comunidades discutem os impactos dessa expansão.

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