A Skechers amplia a operação no Brasil e estabelece o país como um dos mercados prioritários para o crescimento global da marca. A companhia, que chegou ao mercado brasileiro por meio de distribuidores em 2007, já abriu cinco lojas próprias e pretende chegar a dez unidades até o fim de 2026.
Além disso, a empresa planeja superar 100 pontos de venda no país nos próximos anos. A estratégia inclui lojas nos formatos outlet e concept store, além de um canal próprio de comércio eletrônico, lançado nesta semana.
O movimento ocorre após a aquisição da Skechers pela 3G Capital, grupo ligado aos empresários Jorge Paulo Lemann, Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira. Segundo os executivos da companhia, porém, a expansão brasileira já fazia parte dos planos antes da operação.
“Nossa entrada no mercado brasileiro não foi por causa do 3G. Faz parte do nosso plano de longo prazo”, afirmou Michael Greenberg, cofundador e presidente global da Skechers.
Marca prevê mais investimentos no Brasil
Antes da aquisição, a direção global da empresa esteve no Brasil no início de 2025 para avaliar locais para as primeiras lojas próprias. Desde então, a companhia abriu unidades em Guarulhos, Itupeva, Rio de Janeiro, Contagem e São Paulo.
A meta agora é ampliar a presença física e acompanhar o avanço das vendas. David Weinberg, COO global da Skechers, afirma que a empresa já comprometeu mais de US$ 50 milhões com marketing, estoque, produção local, centro de distribuição e estrutura da operação brasileira.
A companhia não informou um valor total para os próximos investimentos. No entanto, Weinberg afirma que a empresa pretende manter a infraestrutura à frente da expansão comercial para evitar limitações de estoque e logística.
Atualmente, cerca de 50% dos produtos vendidos no Brasil são fabricados localmente. O restante chega por meio de importações, principalmente nos modelos que utilizam tecnologias e materiais ainda não disponíveis no país.
Brasil entra na estratégia global
A Skechers está presente em mais de 180 países e possui cerca de 5.300 lojas no mundo. A companhia pretende alcançar 10 mil unidades globais no médio prazo.
Na América Latina, a região representa pouco menos de 20% das vendas globais. A expectativa da empresa é elevar essa participação para entre 25% e 30%.
De acordo com Sabrina Mônaco, country manager da Skechers no Brasil, o mercado brasileiro avançou mais lentamente do que outros países latino-americanos por causa de questões tributárias e regulatórias. Ainda assim, a executiva avalia que o país possui espaço para ampliar a participação da marca.
“Acreditamos que o Brasil tem plenas condições de chegar no mesmo lugar de mercados desenvolvidos como Chile, Peru e Colômbia ou ainda além disso”, afirmou.
O Chile, por exemplo, é atualmente um dos principais mercados da Skechers na região e lidera em participação de mercado para a marca.
Corrida concentra estratégia de produtos
No Brasil, a companhia concentra a estratégia comercial em corrida, basquete, futebol e pickleball. Entre as categorias, a corrida aparece como principal aposta.
A empresa acompanha o crescimento das corridas de rua e busca ampliar a presença da marca nesse segmento por meio de eventos, clubes e experiências com consumidores.
Como parte dessa estratégia, a Skechers assumiu o naming rights do Parque Villa-Lobos, em São Paulo. O local recebe corredores e praticantes de diferentes modalidades esportivas.
Segundo Greenberg, a empresa pretende competir no segmento por meio de produto, tecnologia e reconhecimento de marca. Entre os recursos apresentados pela companhia está o sistema Hands Free Slip-ins, que permite calçar determinados modelos sem utilizar as mãos.
Skechers projeta US$ 10,5 bilhões em receita
A expansão brasileira ocorre enquanto a Skechers mantém planos de crescimento global. A companhia estima ter vendido mais de 300 milhões de pares de calçados em 2025.
Para 2026, a projeção aponta faturamento superior a US$ 10,5 bilhões. Em 2024, último resultado divulgado antes do fechamento de capital, a empresa registrou receita de aproximadamente US$ 9 bilhões.
A companhia deixou a Bolsa de Nova York após a aquisição pela 3G Capital. Greenberg, porém, afirma que a Skechers pode voltar ao mercado acionário no futuro.
Por enquanto, a prioridade está na expansão internacional. O executivo estabelece US$ 15 bilhões de receita global como próximo objetivo da companhia, sem definir prazo para alcançar a marca.
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