As startups brasileiras avançaram no uso de inteligência artificial (IA) e já apresentam um nível de adoção superior à média das empresas do país. Segundo o estudo “Desbloqueando o Potencial da IA no Brasil 2026”, da Amazon Web Services (AWS), 68% das startups afirmam utilizar a tecnologia.
O levantamento, divulgado nesta quinta-feira (3), durante o AWS Summit 2026, em São Paulo, mostra que a proporção supera os 50% registrados na média nacional. Além disso, o índice entre startups cresceu em relação a 2025, quando 53% das empresas desse grupo declaravam utilizar IA.
Para Alvaro Echeverria, diretor e gerente-geral da AWS para Startups na América Latina, o ritmo de adoção tende a continuar. Segundo ele, parte das empresas já nasceu dentro do atual ciclo tecnológico e, por isso, incorpora ferramentas de IA desde o início da operação.
A expectativa da AWS é que a adoção entre startups alcance 80% a 90% no próximo ano. Dessa forma, a tecnologia pode ganhar ainda mais espaço na criação de produtos, serviços e modelos de negócios.
Startups avançam para aplicações mais complexas
O diferencial das startups não aparece apenas na quantidade de empresas que utilizam IA. O estudo também mostra uma maior maturidade na forma como essas companhias aplicam a tecnologia.
Entre as startups pesquisadas, 26% utilizam sistemas complexos, que combinam múltiplos modelos ou incorporam inteligência artificial autônoma e agêntica. Esse percentual supera o registrado entre pequenas e médias empresas, de 13%, e entre grandes corporações, de 9%.
Assim, as startups começam a ultrapassar o uso de IA apenas para tarefas pontuais. Em vez disso, parte das empresas já utiliza a tecnologia em processos mais integrados à operação.
Por outro lado, o uso básico ainda predomina no mercado brasileiro. Cerca de 58% das empresas utilizam IA para ganhos incrementais, como aumento de eficiência e otimização de processos. Ainda assim, o índice caiu em relação aos 62% registrados no levantamento anterior.
IA acelera produtividade e criação de negócios
Os resultados também aparecem na operação das empresas. De acordo com o estudo, 64% das companhias que utilizam IA registraram aumento da produtividade operacional. Além disso, 57% afirmaram que a tecnologia tornou decisões e execuções mais rápidas.
No entanto, a adoção de aplicações mais avançadas ainda está no início. Apenas 6% das empresas brasileiras já implementaram agentes de IA. Além disso, uma em cada quatro afirma ter algum conhecimento sobre inteligência artificial agêntica.
Nesse cenário, as startups ganham espaço porque possuem estruturas menores e maior capacidade de adaptação. Para a AWS, essa característica pode favorecer tanto a criação de novas soluções quanto a entrada dessas empresas em mercados dominados por companhias maiores.
“Uma oportunidade também surge para começar um novo negócio com um time pequeno, sem demandar muito dinheiro”, afirma Echeverria.
Além disso, grandes empresas têm buscado startups para acelerar a incorporação da tecnologia. Segundo o executivo, algumas corporações recorrem a aquisições porque não conseguem desenvolver determinadas soluções internamente.
Quase metade lançou produto com IA
A corrida tecnológica também já aparece nos produtos oferecidos ao mercado. 48% das startups entrevistadas lançaram um produto ou serviço orientado por IA nos últimos 12 meses.
O percentual supera a média de 36% registrada entre todas as empresas brasileiras que adotam a tecnologia. No conjunto do mercado, entretanto, muitas iniciativas ainda permanecem em projetos-piloto, ferramentas de produtividade ou aplicações específicas.
Consequentemente, as startups começam a transformar a IA em uma frente de negócio. A tecnologia deixa de funcionar apenas como ferramenta interna e passa a integrar diretamente produtos e serviços oferecidos aos clientes.
Empresas ampliam equipes especializadas
Para acompanhar esse movimento, as startups também aumentaram a contratação de profissionais dedicados à inteligência artificial. Atualmente, 49% das empresas pesquisadas mantêm profissionais exclusivamente voltados à IA.
No ano anterior, esse percentual era de 37%. Portanto, o avanço mostra que a adoção da tecnologia também modifica a estrutura das equipes e aumenta a demanda por profissionais especializados.
Ao mesmo tempo, as empresas ampliam os investimentos. Segundo o levantamento, 68% aumentaram os aportes em IA no último ano.
A importância estratégica da tecnologia também ganhou espaço. 81% das empresas afirmam que a IA exerce papel crítico ou importante em suas estratégias.
Retorno dos investimentos ainda é desafio
Apesar do avanço, medir o retorno financeiro dos investimentos continua sendo uma dificuldade. Apenas 33% das empresas afirmam ter confiança na capacidade de mensurar os resultados gerados pela IA.
Além disso, somente 28% possuem um modelo estruturado para acompanhar esse retorno. Isso significa que o avanço da tecnologia ocorre mais rápido do que a criação de mecanismos para avaliar seu impacto financeiro.
Por isso, a próxima etapa da adoção tende a envolver não apenas a expansão do uso da IA, mas também a capacidade das empresas de transformar os investimentos em produtividade, novos produtos e receita. Para as startups, essa combinação pode representar uma vantagem na disputa por clientes e investimentos no mercado brasileiro.
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