A geração solar no Nordeste alcançou aproximadamente 16 GW em 7 de agosto, volume correspondente a 113% da demanda de energia da região naquele momento. Os dados foram apresentados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) durante a reunião do Programa Mensal da Operação (PMO) de setembro.
O resultado mostra que a produção fotovoltaica ultrapassou o consumo instantâneo do subsistema Nordeste. Nesse cenário, parte da energia pode ser transferida para outras regiões do Sistema Interligado Nacional (SIN), dentro dos limites de intercâmbio. Além disso, o operador pode restringir a geração quando as condições de operação exigirem.
O desempenho ocorre em um período de expansão da oferta de fontes renováveis na região. Segundo o ONS, agosto apresentou o aumento sazonal esperado da geração eólica no Nordeste, acompanhado por uma elevação do fator de capacidade. Ao mesmo tempo, a geração solar avançou nos subsistemas Norte e Nordeste.
Crescimento da geração solar exige flexibilidade
Apesar do avanço das fontes renováveis, o aumento da geração solar também cria desafios para o equilíbrio entre oferta e demanda. Isso ocorre principalmente no início da noite, quando a produção fotovoltaica cai de forma rápida e o consumo permanece elevado.
O ONS avalia que essas mudanças exigem maior disponibilidade de potência e flexibilidade das fontes de geração. Por isso, o operador considera também o uso de termelétricas em momentos de maior necessidade, especialmente durante os períodos de ponta.
Para a semana entre 29 de agosto e 4 de setembro, o ONS prevê a possibilidade de despacho térmico adicional. A medida, conforme o operador, busca garantir o atendimento da demanda nos horários de maior consumo.
ONS avalia novo corte de geração
Além da necessidade de administrar as variações ao longo do dia, o crescimento das fontes renováveis aumenta a possibilidade de excedentes em períodos de menor consumo. Por isso, o ONS tem utilizado mecanismos específicos para reduzir a pressão sobre a rede.
Em 23 de agosto, o operador acionou pela segunda vez em 2026 o Plano de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição. A medida ocorreu diante da combinação entre consumo mais baixo e elevada produção de micro e minigeração distribuída (MMGD).
Para este domingo (30), o ONS avalia como média a possibilidade de acionar novamente o mecanismo. No entanto, a decisão depende da atualização das projeções de carga. Assim, a confirmação deve ocorrer no sábado, após uma nova avaliação das condições previstas para o sistema.
No domingo anterior, o operador solicitou às distribuidoras um limite para a injeção de energia no SIN entre 11h e 13h30. Com base nas projeções disponíveis, a redução potencial da geração foi estimada em cerca de 1 GW.
Esse número, entretanto, não representa necessariamente o volume efetivamente cortado. Segundo o ONS, trata-se de uma estimativa calculada a partir das previsões de carga e da geração das usinas conectadas às redes de distribuição.
Controle depende das distribuidoras
O ONS não acompanha diretamente, em tempo real, todas as unidades de geração distribuída conectadas às redes. Dessa forma, o operador não determina individualmente quanto cada instalação deve reduzir sua produção.
Em vez disso, estabelece um limite máximo para a quantidade de energia que pode ser injetada pelas redes de distribuição no SIN. A partir desse comando, cabe às distribuidoras administrar a redução necessária em suas respectivas redes.
Por outro lado, o volume efetivamente reduzido pode ficar acima ou abaixo da estimativa inicial. Isso depende da diferença entre as projeções utilizadas pelo operador e as condições verificadas no momento da execução.
O ONS também informa que não há comunicação em tempo real com as distribuidoras para alterar individualmente os limites durante a aplicação da medida. Assim, a programação é definida previamente e, durante a execução, o operador administra os efeitos das condições observadas no sistema.
O avanço da energia solar e eólica mantém o Nordeste como uma das principais regiões de expansão das fontes renováveis do país. Ao mesmo tempo, a maior participação dessas fontes exige novos mecanismos de controle, além de capacidade de resposta rápida para equilibrar a geração e o consumo.
Saiba mais:
Suape estuda energia renovável para abastecer navios atracados
Ceará concentra maior investimento entre novas ZPEs aprovadas