O Ceará concentra o maior projeto entre os cinco empreendimentos aprovados pelo Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE). Ao todo, as iniciativas autorizadas no Ceará, Maranhão e Piauí somam R$ 206 bilhões em investimentos, com destaque para a expansão da infraestrutura digital no Complexo Industrial e Portuário do Pecém.
O principal projeto prevê R$ 181,7 bilhões para a implantação de um data center associado à Voltalia no Pecém. A iniciativa amplia a perspectiva de transformar o Ceará em um polo de infraestrutura digital, aproveitando a oferta de energia renovável e a estrutura logística já instalada no Estado.
Além disso, o empreendimento prevê a expansão da geração de energia eólica e solar para atender ao elevado consumo do centro de processamento de dados. Em junho, a Voltalia firmou acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para garantir 322 MW de capacidade de conexão no Complexo do Pecém.
Pecém amplia papel na economia digital
O novo projeto reforça uma estratégia que vem ganhando espaço no Ceará. O Estado busca combinar geração renovável, infraestrutura portuária, conectividade internacional e disponibilidade de áreas industriais para atrair projetos ligados à economia digital.
Nesse sentido, a localização do Pecém também favorece a conexão com mercados internacionais. A presença de cabos submarinos e a estrutura do complexo industrial criam condições para projetos que dependem de grande capacidade de processamento e transmissão de dados.
Ao mesmo tempo, o movimento amplia a demanda por energia limpa. Data centers precisam de fornecimento contínuo de eletricidade, o que aumenta a importância da expansão da geração e da infraestrutura de transmissão no Estado.
Novos projetos reforçam transição energética
Embora o maior investimento esteja no Ceará, os projetos aprovados também mostram o avanço da transição energética no Nordeste. No Maranhão, três empreendimentos somam R$ 23,2 bilhões em investimentos na ZPE de Bacabeira.
Entre eles está um projeto de R$ 18,5 bilhões voltado à produção de ferro verde a partir de hidrogênio renovável. A proposta prevê a produção de ferro reduzido direto (DRI), que poderá ser exportado para siderúrgicas na Alemanha e em outros mercados europeus.
Além disso, uma biorrefinaria de R$ 2,7 bilhões utilizará biomassa de bambu para produzir etanol de segunda geração e outros bioprodutos. Outro projeto prevê R$ 2 bilhões para a produção de hidrogênio verde associado ao e-metanol.
Já no Piauí, a ZPE de Parnaíba recebeu autorização para um projeto de R$ 1,1 bilhão destinado à produção de ferro-gusa verde. A unidade utilizará hidrogênio produzido com eletricidade renovável.
Investimentos podem ampliar exportações
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), os cinco projetos aprovados podem acrescentar cerca de R$ 40 bilhões por ano às exportações brasileiras a partir de 2029.
No caso cearense, o investimento no Pecém amplia a diversificação da economia do Estado. A chegada de infraestrutura para data centers cria uma nova frente de atração de capital, além dos projetos de energia renovável, hidrogênio de baixo carbono e indústria que já integram a estratégia do complexo.
Assim, o Pecém ganha espaço não apenas como plataforma industrial e logística, mas também como ponto de conexão entre energia renovável e economia digital.
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