A participação do mercado ilegal de apostas recuou no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da LCA Consultores e do Instituto Locomotiva, realizado a pedido do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). A estimativa indica que entre 38% e 44% das apostas online ocorreram em plataformas clandestinas.
No levantamento anterior, divulgado em junho de 2025, a estimativa variava entre 41% e 51%. Portanto, os dados apontam uma redução da participação das plataformas não autorizadas após a entrada em vigor da regulamentação do setor.
A pesquisa do Instituto Locomotiva foi realizada em maio de 2026, com 2.291 apostadores de todas as regiões do país. Os participantes responderam sobre o comportamento de apostas registrado nos três meses anteriores.
Plataformas fora da regulamentação
Entre os entrevistados, 53% afirmaram ter apostado em sites sem reconhecimento facial. Além disso, 48% disseram ter utilizado plataformas com domínio diferente de “.bet.br”.
Outros meios de pagamento também apareceram entre as práticas associadas ao mercado não regulamentado. Segundo o levantamento, 37% fizeram depósitos por cartão de crédito, enquanto 23% utilizaram criptoativos. Essas formas de pagamento não são permitidas nas operações regulamentadas.
Para Carlos Lima, presidente executivo do IBJR, os dados indicam uma redução da participação das plataformas ilegais. Ele também defende a continuidade das ações de fiscalização.
“Os números mostram que a regulamentação e as medidas adotadas pelo Governo Federal no combate às plataformas ilegais começam a produzir resultados concretos. A redução observada é um sinal positivo da consolidação do mercado regulado brasileiro. O desafio agora é dar continuidade a esse avanço, fortalecendo o combate aos operadores clandestinos e garantindo que a evolução regulatória ocorra com segurança jurídica e previsibilidade, evitando que novas medidas aplicáveis exclusivamente aos operadores autorizados criem assimetrias que tornem o mercado ilegal mais atrativo para os consumidores e acabem direcionando a apostadores para plataformas clandestinas”, salienta Carlos Lima, presidente executivo do IBJR.
Regulamentação altera o mercado
A regulamentação das apostas de quota fixa entrou em vigor em 1º de janeiro de 2025. Desde então, apenas operadores autorizados podem atuar legalmente no país.
As empresas precisam cumprir regras tributárias, operacionais e de proteção ao apostador. Segundo dados citados no estudo, as casas regulamentadas contribuíram com R$ 9,95 bilhões em tributos e destinações legais no primeiro ano do mercado regulado.
O levantamento também aponta que cada plataforma autorizada recolheu R$ 30 milhões em outorga. Além disso, as operadoras regulamentadas investiram cerca de R$ 7,5 bilhões em capital social e geraram uma estimativa de 15,5 mil empregos diretos e indiretos.
Para Eric Brasil, diretor de Regulação e Políticas Públicas da LCA Consultores, a redução da participação ilegal ocorre junto a uma menor incerteza sobre o tamanho desse mercado.
“Os resultados da estimativa de participação dos operadores ilegais no consumo de apostas indicam não apenas a queda relativa do tamanho do mercado ilegal, mas também menor incerteza sobre a magnitude desse mercado, sinalizando avanços importantes decorrentes da regulamentação e das medidas de combate às plataformas ilegais. Ao mesmo tempo, os resultados reforçam a importância de mantermos a evolução desse trabalho, com a continuidade das iniciativas de fiscalização”, diz Eric Brasil, diretor de Regulação e Políticas Públicas da LCA Consultores.
Perfil dos apostadores
A pesquisa também traçou o perfil dos apostadores considerados elegíveis ao mercado ilegal. Mulheres representam 51% desse grupo, enquanto os homens correspondem a 49%.
Por faixa etária, 54% têm entre 18 e 29 anos. Já em relação à renda, 51% recebem até dois salários mínimos.
O levantamento também mostra a frequência de uso das plataformas não autorizadas. Para 51% dos entrevistados, esse tipo de site concentra todas as apostas realizadas.
Além disso, 36% afirmaram que as plataformas ilegais concentram a maior parte das apostas. Para 8%, elas representam aproximadamente metade das operações. Outros 6% disseram que fazem nesses sites a menor parte das apostas.
Segundo Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, a participação do mercado ilegal continua relevante, apesar da redução registrada.
“O estudo revela uma ligeira redução da participação das apostas ilegais, mas ainda em patamares elevados, com metade dos apostadores brasileiros transitando no mercado não licenciado. O dado positivo é que há quase um consenso de que esse problema precisa ser encarado: mesmo quem joga nos sites clandestinos acha que é um dever do País combatê-los com mais força”, afirma Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.
Percepção sobre os riscos
A pesquisa também avaliou a percepção dos apostadores sobre os riscos associados às plataformas clandestinas. Nesse ponto, 77% concordaram total ou parcialmente que as bets ilegais não seguem regras de jogo responsável e, por isso, oferecem mais riscos aos usuários.
Outros 13% não concordaram nem discordaram da afirmação. Enquanto isso, 5% discordaram parcialmente e outros 5% discordaram totalmente.
Os dados indicam, portanto, que a percepção sobre os riscos das plataformas não autorizadas é compartilhada pela maior parte dos entrevistados, inclusive entre aqueles que utilizam esses sites.
Como verificar uma bet autorizada
O consumidor pode consultar alguns critérios para identificar se uma plataforma está autorizada a operar no Brasil. As empresas regulamentadas devem utilizar o domínio “.bet.br”.
Além disso, as plataformas autorizadas adotam procedimentos de identificação do usuário, incluindo reconhecimento facial e envio de documentos. O objetivo é, entre outros pontos, impedir o acesso de menores de 18 anos.
As empresas também precisam disponibilizar limites de tempo e de perdas financeiras, além de mecanismos de autoexclusão para usuários que desejem interromper as apostas.
Outro critério envolve os meios de pagamento. As operações regulamentadas permitem transações via Pix e débito em conta de titularidade do apostador. Cartões de crédito e criptomoedas não são aceitos.
Em caso de dúvida, o consumidor pode consultar a lista de plataformas autorizadas nos canais oficiais do Governo Federal.
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