O Brasil passará a ter a segunda maior tarifa média aplicada pelos Estados Unidos entre os principais parceiros comerciais. Apenas a China ficará à frente no ranking. A estimativa é da Global Trade Alert, iniciativa suíça que monitora políticas comerciais e barreiras tarifárias em todo o mundo.
O cálculo considera o pacote de tarifas anunciado pelo governo americano na última quarta-feira. Além disso, leva em conta as exceções concedidas a produtos como café, carnes, suco de laranja e componentes aeroespaciais.
Tarifa média sobe para 18,2%
Antes do anúncio, a tarifa efetiva média sobre os produtos brasileiros era de 11,7%. Agora, durante o período de sobreposição das medidas, ela deverá subir para 18,22%.
Esse percentual combina a sobretaxa prevista pela Seção 301 com a tarifa adicional de 10% da Seção 122, que permanecerá em vigor até 25 de julho.
Além disso, a Global Trade Alert estima que a arrecadação anual com tarifas sobre produtos brasileiros aumentará de US$ 4,6 bilhões para US$ 7,2 bilhões durante esse intervalo.
Cobrança diminui após 25 de julho
No entanto, esse patamar será temporário. Como a tarifa da Seção 122 expira em 25 de julho, a carga média sobre os produtos brasileiros deverá cair para 14,4% a partir do dia 26.
Mesmo assim, o Brasil continuará entre os países mais tarifados pelos Estados Unidos.
Brasil fica atrás apenas da China
Segundo a Global Trade Alert, a tarifa média de 18,22% coloca o Brasil na segunda posição do ranking mundial.
A China permanece na liderança, com tarifa efetiva média de 26,7%.
Depois da redução prevista para 14,4%, o Brasil deverá ocupar a oitava colocação. Nesse cenário, ficará atrás de países como Turquia, Indonésia, Vietnã e Tailândia.
Antes da nova rodada de tarifas, o país ocupava a 13ª posição, atrás de economias como Itália, Alemanha, Coreia do Sul e Japão.
Exportações terão impactos diferentes
Em 2024, os Estados Unidos importaram US$ 39,6 bilhões em produtos brasileiros.
Desse total, cerca de US$ 8,5 bilhões, o equivalente a 21% das exportações, ficarão sujeitos à tarifa integral de 25%.
Por outro lado, diversos produtos permanecerão isentos. Entre eles estão café, carnes, suco de laranja e peças aeroespaciais. Por isso, a tarifa média efetiva ficará abaixo dos 25% anunciados pelo governo americano.
Além disso, a manutenção dessas exceções reduz parte do impacto sobre a pauta exportadora brasileira e evita uma elevação ainda maior da carga tarifária média.
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