Tarifaço dos EUA pode atingir mais de 4 mil produtos brasileiros

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Governo intensifica negociações para evitar tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros. Decisão de Trump deve sair até quarta-feira. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalha para evitar a ampliação das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O prazo para que a administração de Donald Trump anuncie a decisão termina na próxima quarta-feira, e a avaliação do Palácio do Planalto é de que o cenário mais provável seja a confirmação do chamado tarifaço.

Caso a medida entre em vigor, os Estados Unidos aplicarão uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras. Mesmo assim, Lula determinou que as negociações continuem até o último momento.

Tarifaço dos EUA domina reuniões no Planalto

Na última sexta-feira, Lula reuniu-se com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, para avaliar o cenário.

Segundo integrantes do governo, o presidente considera as tarifas injustificadas. Por isso, orientou a equipe a manter o diálogo com os norte-americanos até o prazo final.

Além disso, o governo avalia a possibilidade de uma nova reunião com o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer. Até o momento, o encontro ainda não foi confirmado.

Brasil descarta concessões durante negociação

O governo brasileiro avalia que o tarifaço poderá afetar diversos setores da economia nacional.

Nesse sentido, auxiliares de Lula afirmam que o Brasil não pretende fazer concessões em temas considerados estratégicos, como o Pix.

Desde o encontro entre Lula e Trump, realizado na Casa Branca, em maio, representantes brasileiros já participaram de quatro reuniões com Greer para discutir as medidas comerciais.

Ao mesmo tempo, o governo espera que os Estados Unidos antecipem a lista dos produtos atingidos antes do anúncio oficial.

CNI estima impacto sobre mais de 4 mil produtos

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que cerca de 4,1 mil produtos brasileiros podem sofrer as novas tarifas.

Entre os itens citados estão:

  • açúcar bruto;
  • álcool etílico;
  • molduras de madeira;
  • hidróxido de alumínio.

Dessa forma, o governo pretende aguardar a lista definitiva antes de definir uma eventual resposta comercial.

Governo avalia reação

A possibilidade de adotar medidas de reciprocidade ainda não está em discussão detalhada.

Segundo integrantes do governo, qualquer reação dependerá dos produtos efetivamente atingidos pelas novas tarifas.

Em seguida, o Palácio do Planalto deverá avaliar os impactos econômicos e definir as medidas consideradas mais adequadas.

Pix e plataformas digitais

O tarifaço foi proposto pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), responsável pela política comercial norte-americana.

A investigação começou em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo utilizado anteriormente em disputas comerciais com a China.

Entre os principais pontos, o relatório questiona o funcionamento do Pix. Segundo o documento, o Banco Central (BC) atua como regulador e operador do sistema, o que, na visão dos Estados Unidos, criaria vantagens competitivas em relação a empresas privadas estrangeiras.

Por outro lado, o relatório também critica decisões da Justiça brasileira envolvendo plataformas digitais. Os Estados Unidos alegam que tribunais brasileiros determinaram a remoção de conteúdos políticos e a suspensão de perfis em redes sociais, inclusive de usuários residentes no país norte-americano.

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