Compras internacionais: imposto reduz ritmo, mas não muda hábito

Compras internacionais e marketplace
Pesquisa mostra que o preço continua sendo o principal fator para compras internacionais, mesmo após a tributação de importados. (Foto: Envato Elements)

As compras internacionais continuam em alta entre os consumidores brasileiros, mesmo após a cobrança de novos impostos sobre produtos importados. Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, revela que o preço permanece como o principal fator de decisão.

Segundo o levantamento, 96% dos consumidores digitais compraram em marketplaces internacionais nos últimos 12 meses. Além disso, 60% adquiriram produtos enviados diretamente de outros países, consolidando esse hábito de consumo.

Preço e variedade

O estudo mostra que o consumidor avalia principalmente o custo-benefício antes de finalizar uma compra.

Os principais fatores considerados são:

  • 43%: preço mais baixo;
  • 38%: custo do frete;
  • 37%: variedade de produtos;
  • 35%: confiança no site.

Dessa forma, muitos consumidores aceitam prazos maiores de entrega e riscos adicionais quando a economia compensa.

Entre os produtos mais adquiridos estão roupas, calçados, acessórios de moda, artigos para casa e cosméticos.

Consumidores aceitam riscos para economizar

A pesquisa aponta que 36% dos consumidores já enfrentaram algum problema em compras internacionais.

Entre os principais relatos estão:

  • produto diferente do anunciado;
  • atraso na entrega;
  • mercadoria que não chegou ao destino.

Mesmo assim, o nível de satisfação continua elevado. Ao todo, 74% dos entrevistados afirmaram estar satisfeitos ou muito satisfeitos com suas compras, atribuindo nota média de 3,8, em uma escala de 1 a 5.

Por outro lado, a percepção de segurança também permanece alta. Os consumidores deram nota média 7, em uma escala de 1 a 10, para a confiança nas plataformas internacionais.

Imposto reduziu compras, mas não mudou o comportamento

A pesquisa também avaliou os impactos da tributação sobre compras internacionais.

Após a cobrança de 20% de imposto para determinadas importações, 41% dos consumidores reduziram ou interromperam as compras no exterior. Desse total, 18% afirmaram que deixaram de comprar completamente.

No entanto, 47% disseram que ainda vale a pena comprar produtos importados em diversas situações, mesmo com o aumento dos custos.

Assim, o estudo conclui que a tributação diminuiu parte da demanda, mas não alterou a lógica da decisão de compra.

Varejo nacional enfrenta desafio de competitividade

O levantamento mostra que o consumidor não rejeita o comércio brasileiro. Na verdade, 60% dos entrevistados afirmaram que prefeririam comprar em sites nacionais caso encontrassem preços e variedade semelhantes aos das plataformas internacionais.

Além disso, 50% sempre verificam se o produto está disponível em lojas brasileiras antes da compra. Enquanto isso, 47% comparam os preços entre os dois mercados.

Nesse sentido, a pesquisa indica que fatores como tributação, logística e estrutura de custos continuam reduzindo a competitividade do varejo nacional frente aos marketplaces internacionais.

Preço continua determinando as compras internacionais

Os dados reforçam que as compras internacionais deixaram de ser um comportamento ocasional e passaram a integrar a rotina de consumo dos brasileiros.

Por isso, enquanto houver diferenças significativas de preço e variedade entre o mercado nacional e o internacional, parte relevante dos consumidores continuará optando por plataformas estrangeiras, mesmo diante de impostos, prazos maiores de entrega e riscos associados às importações.

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