Milionários da tecnologia impulsionam novo mercado de luxo

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Novos milionários da tecnologia, impulsionados por IPOs e ações de empresas como SpaceX, mudam o perfil do consumo e influenciam o mercado. (Foto: Magnific)

Os Estados Unidos ganharam cerca de 440 mil novos milionários ligados ao setor de tecnologia nos últimos meses, impulsionados pela valorização das ações e por ofertas públicas iniciais (IPOs) de empresas de inteligência artificial e da SpaceX. O movimento reacendeu as expectativas da indústria global de luxo, que busca recuperar o crescimento após dois anos de retração.

No entanto, especialistas avaliam que o novo perfil desses consumidores difere das gerações anteriores de grandes fortunas. Em vez de priorizar roupas, bolsas e acessórios, muitos direcionam seus recursos para experiências, imóveis, esportes, tecnologia e ativos considerados investimentos.

Mercado de luxo busca novos consumidores

O ex-cientista de dados da SpaceX, identificado apenas como Chip, tornou-se milionário após o IPO da empresa. Com patrimônio estimado em US$ 3,5 milhões em ações, ele comprou meteoritos, um caminhão de bombeiros antigo e considera adquirir um relógio inspirado em uma missão espacial da Nasa.

Enquanto isso, consultorias apontam que esse comportamento representa um desafio para as marcas tradicionais de luxo.

Segundo a Bain & Company, o mercado global de bens de luxo pessoais movimentou 358 bilhões de euros em 2025, mas acumulou dois anos consecutivos de retração. Ainda assim, a América do Norte esteve entre as regiões de maior crescimento para grupos como LVMH, Richemont, Hermès e Kering.

Tecnologia muda o padrão de consumo

De acordo com especialistas, os novos milionários do setor tecnológico priorizam investimentos em bem-estar, esportes e inovação.

Por exemplo, Zack Kass, ex-executivo da OpenAI, afirmou que utilizou parte dos ganhos obtidos na empresa para comprar uma equipe profissional de vôlei. Além disso, muitos consumidores desse perfil demonstram maior interesse por relógios inteligentes e equipamentos voltados à saúde do que por acessórios tradicionais.

Por outro lado, relógios de alto padrão continuam atraindo investidores. Marcas como Rolex e Cartier mantêm forte demanda porque seus modelos costumam preservar ou ampliar valor no mercado de revenda.

Imóveis e carros lideram prioridades

Segundo levantamento do Boston Consulting Group (BCG), os novos ricos destinam cerca de um terço menos de recursos para roupas e artigos de couro em comparação com famílias de riqueza tradicional.

Em contrapartida, imóveis, iates, automóveis e investimentos de longo prazo ocupam as primeiras posições entre as prioridades de consumo.

Da mesma forma, estilistas que atendem executivos do setor afirmam que marcas como Chanel e Hermès continuam relevantes, mas enfrentam concorrência crescente de outros segmentos da economia pela atenção desses consumidores.

Mesmo após acumular milhões em patrimônio, Chip afirma que não pretende mudar seu estilo de vida. Segundo ele, camisetas, bermudas e roupas para atividades ao ar livre continuam sendo suas escolhas, demonstrando que a nova geração de milionários valoriza mais funcionalidade do que ostentação.

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