Goldman Sachs aponta Brasil como melhor mercado da América Latina

Goldman Sachs
Goldman Sachs mantém recomendação positiva para ações brasileiras, cita valuation atrativo e destaca oportunidades apesar das incertezas. (Foto: Divulgação)

O Goldman Sachs mantém o Brasil como seu mercado acionário preferido na América Latina, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira (1). O banco atribui essa avaliação ao preço considerado atrativo das ações brasileiras e ao potencial de valorização em um cenário de queda dos juros.

Atualmente, as ações brasileiras são negociadas a cerca de oito vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses. Na avaliação dos estrategistas, esse patamar torna o mercado descontado tanto em relação às taxas de juros de longo prazo quanto aos ciclos anteriores de afrouxamento monetário.

Ações brasileiras

Os estrategistas do Goldman Sachs mantiveram recomendação “overweight” para o Brasil no portfólio de mercados emergentes.

“Na nossa avaliação, aos níveis atuais, com as ações brasileiras negociadas a cerca de 8 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses (P/L futuro), o mercado parece barato tanto em relação às taxas de juros de longo prazo quanto aos padrões observados em ciclos anteriores de queda de juros”, afirma o relatório.

Fatores de volatilidade

Por outro lado, o banco alerta que a volatilidade tende a aumentar no segundo semestre com a aproximação das eleições presidenciais.

Ainda assim, os estrategistas avaliam que uma redução das expectativas para os juros, impulsionada pela queda dos preços da energia, favorece empresas mais sensíveis ao custo do crédito.

“Embora a volatilidade possa aumentar no segundo semestre, à medida que se aproximam as eleições, qualquer alívio na reprecificação mais agressiva das expectativas para os juros decorrente da redução dos preços de energia tende a favorecer as ações domésticas mais sensíveis aos juros, que acumulam queda no ano e ainda estão cerca de 20% abaixo dos níveis anteriores ao conflito”, destaca o documento.

Goldman Sachs destaca desempenho do Ibovespa

No início do ano, o Ibovespa registrou forte valorização, impulsionado pela entrada de investidores estrangeiros. Em seguida, o início do ciclo de cortes da taxa básica de juros reforçou o movimento e beneficiou principalmente setores mais dependentes do crédito.

Posteriormente, as empresas do setor de energia ganharam espaço após a alta do petróleo provocada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã.

Goldman Sachs cita desafios para a bolsa

Desde abril, o mercado devolveu parte dos ganhos acumulados. Segundo o banco, a mudança ocorreu por causa das preocupações com o cenário macroeconômico, da expectativa de um ciclo menor de redução dos juros e do aumento das incertezas políticas.

Além disso, a queda dos preços do petróleo reduziu o fluxo de investimentos para empresas de energia, enquanto a aproximação das eleições elevou a cautela dos investidores.

Preferência pelo Brasil

Nesse cenário, o Goldman Sachs recomenda exposição a empresas domésticas consideradas de alta qualidade, como bancos defensivos, companhias de serviços públicos, operadoras de telecomunicações, empresas do setor imobiliário voltadas para a baixa renda e algumas varejistas.

“Acreditamos que essas empresas apresentam fundamentos sólidos, independentemente do resultado das eleições”, afirmam os estrategistas.

Por fim, o banco manteve posição neutra para México e Colômbia. Enquanto isso, justificou a decisão com o crescimento mais fraco, incertezas relacionadas à política comercial dos Estados Unidos e preocupações fiscais nesses mercados.

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