PEC da autonomia: entenda a divergência entre BC e Fazenda

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PEC da autonomia amplia divergência entre Banco Central e Fazenda após debate sobre impacto fiscal da proposta. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

A divergência sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia a autonomia do Banco Central (BC) aumentou o desgaste entre Gabriel Galípolo, presidente da autoridade monetária, e integrantes do Ministério da Fazenda. A discussão envolve principalmente o impacto fiscal da proposta e o modelo jurídico previsto para o BC.

Além disso, a divergência expôs posições diferentes entre a autarquia federal e a equipe econômica sobre o texto que tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Enquanto Galípolo afirmou que a proposta teve origem na própria equipe econômica, integrantes da Fazenda negaram acordo sobre a versão atual da PEC.

PEC da autonomia divide governo

Gabriel Galípolo afirmou que recebeu com “estranhamento” as informações de que integrantes da equipe econômica demonstravam preocupação com o impacto fiscal da proposta.

“Tenho lido em alguns lugares que alguns membros da equipe econômica estariam preocupados com o impacto no resultado primário e na relação do Tesouro com o Banco Central. A gente recebe com algum estranhamento, porque efetivamente o texto e a forma que está colocado lá veio justamente da equipe econômica”, disse.

Além disso, Galípolo afirmou que o texto foi consolidado pela Advocacia-Geral da União (AGU).

PEC da autonomia gera reação da Fazenda

Logo depois, Dario Durigan, ministro da Fazenda, rebateu a declaração do presidente do Banco Central e afirmou que a proposta em análise na CCJ não foi fechada pela equipe econômica.

“O texto que está na CCJ não é o que foi apresentado, não foi fechado, pela equipe econômica. A gente apresentou outra proposta”, afirmou Durigan.

Além disso, o ministro explicou que a sugestão da Fazenda buscava resolver a questão orçamentária sem ampliar a dívida pública. Segundo ele, o modelo atual da PEC tende a elevar o endividamento do setor público.

PEC da autonomia preocupa equipe econômica

A versão atual da PEC cria a figura de “entidade pública de natureza especial” para o Banco Central. Com isso, os títulos do Tesouro presentes na carteira do BC passariam a ser contabilizados como dívida pública.

Segundo estimativas mencionadas no debate, a mudança pode elevar a dívida entre 10 e 15 pontos percentuais.

Deste modo, o governo defende manter o Banco Central como autarquia e resolver questões orçamentárias sem alterar o status jurídico da instituição.

BC cita impacto cambial

Durante a discussão, Gabriel Galípolo também afirmou que as operações de política monetária do Banco Central não representam o principal impacto no balanço da instituição.

“reforço aqui, se alguém quiser falar, separe totalmente e o BC absorve integralmente o resultado das variações contábeis. Onde é que eu assino? É esse o tema para PEC? A gente assina agora, sai com o acordo.”

Gabriel Galípolo, presidente do BC

Além disso, Galípolo afirmou que as variações cambiais representam o principal fator de resultado financeiro do Banco Central.

Divergência amplia desgaste

As divergências entre Galípolo e integrantes da Fazenda ganharam força ao longo do último ano. Entre os episódios recentes estão discussões sobre o aumento do IOF, a condução da taxa de juros pelo Copom e posicionamentos relacionados ao caso do Banco Master.

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