A Acelen Renováveis anunciou na última quinta-feira (21) a decisão final de investimento (FID) e o aporte de US$ 1,5 bilhão para iniciar a construção de uma biorrefinaria na Bahia. A unidade ficará ao lado da Refinaria de Mataripe, também operada pela Acelen.
Além disso, o projeto prevê produção anual de 1 bilhão de litros de combustíveis renováveis, incluindo SAF e diesel verde (HVO). Segundo a empresa, a planta terá estrutura flexível para alternar a produção conforme a demanda do mercado.
Acelen amplia investimento
A Acelen Renováveis integra o Mubadala Capital, fundo soberano de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Parte do financiamento ocorre por meio de um consórcio liderado pelo HSBC e pela International Finance Corporation.
O grupo reúne instituições financeiras nacionais e internacionais, entre elas:
- First Abu Dhabi Bank
- Abu Dhabi Commercial Bank
- BID Invest
- Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
- Bradesco
- BBVA
- Bank of China
Leonardo Yamamoto, sócio do Mubadala Capital, afirma que o grupo vê potencial no mercado brasileiro de combustíveis renováveis.
“Com presença consolidada no país, o Mubadala Capital acredita no potencial do Brasil para desenvolver combustíveis renováveis em larga escala, e está comprometido a fazer parte dessa jornada”, afirma Yamamoto.
SAF mira mercados externos
O anúncio ocorre enquanto o setor aguarda a regulamentação do mandato de uso de SAF no Brasil. Ainda assim, a empresa informa que cerca de 90% da produção futura do biocombustível já possui contratos de off-take voltados principalmente aos mercados dos Estados Unidos e da Europa.
Segundo a companhia, a biorrefinaria receberá investimento superior a US$ 3 bilhões. Além disso, a operação deve começar em 2029. Inicialmente, a previsão era iniciar as atividades em 2028.
Projeto adota critérios sustentáveis
A IFC, instituição do Grupo Banco Mundial voltada ao desenvolvimento do setor privado, atua como coordenadora geral da estruturação financeira ao lado do HSBC.
Além disso, a companhia afirma que o projeto seguirá padrões internacionais de sustentabilidade e governança.
“O projeto seguirá rigorosos padrões internacionais de sustentabilidade, governança e responsabilidade socioambiental definidos pela IFC, incluindo critérios ambientais, sociais e de gestão reconhecidos globalmente para projetos de infraestrutura e transição energética”, diz o comunicado enviado à imprensa.
Olaf Schmidt, diretor regional da Indústria para Manufatura, Agronegócio e Serviços da IFC para América Latina e Europa, afirma que o projeto busca demonstrar viabilidade comercial para produção de SAF na região.
Acelen aposta na macaúba
Inicialmente, a planta utilizará matérias-primas como óleo de soja, óleo de cozinha usado e gordura animal. Ao mesmo tempo, a empresa pretende incorporar gradualmente a macaúba à produção.
Além disso, a Acelen projeta plantar 144 mil hectares de macaúba em áreas degradadas na Bahia e em Minas Gerais. Segundo a companhia, cerca de 20% da produção virá da agricultura familiar.
O projeto também conta com parceiros como Honeywell UOP, Alfa Laval e Construcap, além de acordos comerciais com Trafigura, Moeve, Bunge e BGN.
Luiz de Mendonça, CEO da Acelen Renováveis, afirma que a empresa inicia uma nova etapa de execução industrial.
“A estruturação deste financiamento confirma a robustez técnica, financeira e socioambiental do projeto. Entramos agora em uma nova etapa de execução industrial em larga escala”, afirma Luiz de Mendonça.
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