A precificação de carbono movimenta mais de US$ 107 bilhões em 2025, segundo relatório publicado pelo Banco Mundial na última quarta-feira (20). O valor triplica em relação a 2016, quando os mecanismos globais de carbono geravam menos de US$ 30 bilhões.
Além disso, o levantamento aponta avanço das políticas de comércio de emissões e impostos em diferentes países. Atualmente, o mundo soma 87 políticas de precificação de carbono, sete a mais do que no ano passado.
Carbono amplia mercado global
De acordo com o relatório, os recursos vêm principalmente de sistemas de comércio de emissões e impostos sobre carbono. O estudo também mostra avanço do preço médio do carbono, que sobe 7% em relação ao mapeamento anterior.
Com isso, a tonelada média de CO2 alcança cerca de US$ 21/tCO2e.
Além disso, o volume de créditos de carbono negociados cresce 8% entre 2024 e 2025 nos sistemas de comércio de emissões (ETS).
Mercados emergentes
O relatório destaca que grandes economias de renda média ampliam políticas de precificação direta de carbono. Entre os países citados estão Brasil, Índia, Japão, Tailândia e Turquia.
Segundo o Banco Mundial, menos de um terço das emissões globais estão atualmente cobertas pelos mecanismos de precificação.
“Pouco mais de 29% das emissões globais de gases de efeito estufa em todo o mundo são atualmente cobertas pela precificação direta do carbono”, diz o relatório.
Além disso, o banco estima que a cobertura pode alcançar um terço das emissões globais até 2030 caso os instrumentos planejados em mercados emergentes avancem.
Índia e Japão ampliam sistemas
O relatório também aponta os sistemas da Índia e do Japão entre os maiores mercados de emissões do mundo em cobertura de gases de efeito estufa.
Na Índia, o Sistema de Comércio de Créditos de Carbono (CCTS) começa por setores de alta intensidade de emissões, incluindo:
- alumínio
- cimento
- fertilizantes
- ferro e aço
- petroquímica
- têxtil
Atualmente, sete setores somam cobertura estimada de aproximadamente 477 milhões de tCO2e.
Além disso, o GX-ETS do Japão entra em fase obrigatória em abril de 2026. O sistema passa a exigir participação de mais de 700 empresas e cobre mais de 50% das emissões nacionais do país.
Europa revisa mercado de carbono
Enquanto mercados emergentes ampliam mecanismos de emissões, a União Europeia revisa seu sistema regulado em meio à pressão da indústria.
Segundo o texto, empresas cobram medidas contra fuga de investimentos para países com regras climáticas menos rígidas.
Além disso, custos de energia, infraestrutura e financiamento aparecem entre os principais desafios para manter competitividade nos setores que pagam pelo carbono emitido.
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