Inflação mantém pressão sobre consumo e juros após alta do IPCA

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Inflação oficial do Brasil sobe 0,67% em abril, puxada por alimentos, medicamentos e combustíveis, segundo o IBGE. (Foto: Magnific)

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) sobe 0,67% em abril, segundo dados divulgados nesta terça-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado acelera a inflação oficial do país e mantém pressão sobre alimentos, saúde e combustíveis.

No acumulado de 12 meses, o índice alcança 4,39%. Apesar da alta, a inflação segue dentro do intervalo de tolerância da meta perseguida pelo Banco Central (BC), fixada em 3% com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O mercado já esperava o avanço de 0,67% no mês, segundo estimativas do Broadcast.

Alimentação lidera pressão sobre inflação

O grupo Alimentação e bebidas registra alta de 1,34% em abril e responde pelo maior impacto no índice do mês, com 0,29 ponto percentual. Além disso, Saúde e cuidados pessoais sobe 1,16% e adiciona 0,16 ponto percentual ao IPCA. Juntos, os dois grupos concentram cerca de 67% da inflação de abril.

Dentro da alimentação no domicílio, os maiores avanços aparecem na cenoura, que sobe 26,63%, no leite longa vida, com alta de 13,66%, e na cebola, que avança 11,76%. O tomate também registra elevação de 6,13%, enquanto as carnes sobem 1,59%.

Por outro lado, alguns itens aliviam a pressão inflacionária. O café moído recua 2,30% e o frango em pedaços cai 2,14%.

Alimentação fora de casa mantém alta

A alimentação fora do domicílio avança 0,59% em abril. O preço do lanche desacelera em relação a março, mas ainda sobe 0,71% no mês. Já a refeição acelera para 0,54%.

Com isso, o setor de serviços continua pressionando o índice de inflação, mesmo com desaceleração em alguns segmentos.

Medicamentos e higiene puxam grupo de saúde

No grupo Saúde e cuidados pessoais, os produtos farmacêuticos sobem 1,77%. O movimento ocorre após a autorização do reajuste de até 3,81% nos medicamentos a partir de abril.

Além disso, os artigos de higiene pessoal avançam 1,57%, com destaque para perfumes, que registram alta de 1,94%.

Passagens aéreas aliviam pressão nos transportes

O grupo Transportes desacelera fortemente em abril e sobe apenas 0,06%, após alta de 1,64% em março. A principal contribuição vem da queda de 14,45% nas passagens aéreas.

Além disso, tarifas de ônibus urbano recuam 1,13% em algumas regiões devido à gratuidade e redução tarifária.

Por outro lado, os combustíveis continuam em alta. A gasolina sobe 1,86% e mantém o maior impacto individual no índice, com 0,10 ponto percentual. O óleo diesel avança 4,46%, enquanto o etanol registra alta de 0,62%. Já o gás veicular recua 1,24%.

Inflação segue próxima do teto da meta

O IPCA acumulado em 12 meses acelera frente aos 4,14% registrados em março e se aproxima do teto da meta de inflação definida pelo Banco Central.

Nesse cenário, o comportamento dos preços continua no radar do mercado financeiro e aumenta a atenção sobre os próximos passos da política monetária no Brasil.

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