Governo avalia ampliar mistura no diesel para 16% ainda em 2026

diesel e biodiesel
Testes técnicos começam neste mês e decisão sobre aumento da mistura no diesel dependerá da validação do CNPE e da viabilidade operacional. (Foto: Envato Elements)

O governo federal trabalha com a possibilidade de elevar ainda neste ano a mistura obrigatória de biodiesel no diesel fóssil para 16%, movimento considerado otimista por integrantes da área técnica do Executivo. Atualmente, o percentual em vigor é de 15%, conhecido como B15, e ainda não há comprovação técnica oficial que sustente uma ampliação acima desse patamar.


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Os testes para avaliar a viabilidade operacional da nova mistura começam neste mês. Segundo fontes ligadas ao setor, a intenção do governo é avançar na política de biocombustíveis, mas sem abrir mão da segurança técnica necessária para a implementação.

Hoje, o processo conta com o suporte de 11 laboratórios mecânicos e seis estações de testes responsáveis pelas análises de desempenho e compatibilidade da nova composição do combustível.

Mistura de biodiesel depende de aval técnico do CNPE

O tema está sendo analisado por um comitê criado no âmbito do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que reúne representantes de diferentes segmentos do mercado de combustíveis, indústria automotiva e setor energético.

Embora exista interesse do governo em acelerar o cronograma previsto na chamada Lei do Combustível do Futuro, a formalização do aumento para B16 depende diretamente da aprovação do colegiado ministerial.

A legislação estabelecia originalmente que a mistura de 16% entraria em vigor em março deste ano. No entanto, a implementação acabou sendo adiada diante de preocupações relacionadas aos impactos inflacionários, especialmente sobre os preços dos alimentos e do transporte.

Biodiesel ganha espaço na estratégia energética do Brasil

Em agosto do ano passado, passaram a valer em todo o território nacional as novas regras aprovadas pelo CNPE, elevando a adição obrigatória de biodiesel no diesel de 14% para 15%.

A ampliação gradual da participação dos biocombustíveis faz parte da estratégia brasileira de transição energética, redução de emissões e fortalecimento da produção nacional de energia renovável. O avanço do biodiesel também movimenta cadeias produtivas importantes do agronegócio, especialmente soja e outras oleaginosas utilizadas na fabricação do combustível.

Apesar disso, o governo mantém cautela. Mesmo com metas previstas em lei, o CNPE possui autonomia para revisar prazos e postergar mudanças sempre que houver dúvidas sobre impactos econômicos, logísticos ou técnicos.

Setor acompanha impactos econômicos e operacionais

A possível adoção do B16 é acompanhada de perto por distribuidoras, montadoras, transportadoras e representantes da indústria de combustíveis. Entre os principais pontos observados estão desempenho dos motores, estabilidade do combustível, custos operacionais e efeitos sobre a cadeia de abastecimento.

A expectativa do mercado é que os testes realizados ao longo dos próximos meses forneçam dados suficientes para embasar a decisão do governo. Caso a viabilidade técnica seja confirmada, o Brasil poderá avançar mais um passo em sua política de expansão dos biocombustíveis.

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