A família Pinheiro elevou sua participação na Hapvida para mais de 50% do capital nas últimas semanas, enquanto a companhia enfrenta queda nas ações e questionamentos da gestora Squadra, e passou a deter o controle também em tela por meio de derivativo com o BTG Pactual, além da posição já dominante como maior acionista. O movimento busca estabilizar os papéis no mercado, embora fontes indiquem que não há plano de fechamento de capital no momento.
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A ampliação da fatia ocorre após a família já controlar cerca de 42% das ações e agora reforça a governança diante de críticas sobre a estratégia da empresa, enquanto a Hapvida promove ajustes internos e avalia alternativas para melhorar o desempenho financeiro. Nesse contexto, a operadora decidiu iniciar a venda da operação na região Sul, com o BTG Pactual contratado para estruturar a transação e buscar potenciais compradores.
A operação no Sul reúne ativos adquiridos da Clinipam e do Centro Clínico Gaúcho, além de três hospitais próprios construídos pela companhia, totalizando oito hospitais, 21 clínicas e cerca de 490 mil vidas atendidas. De forma isolada, essa estrutura representaria a nona maior operadora do país e a segunda maior na região, o que reforça o peso estratégico do desinvestimento dentro do plano de reorganização.
A Hapvida investiu aproximadamente R$ 4 bilhões nessa frente, sendo R$ 2,6 bilhões na aquisição da Clinipam em 2020 e R$ 1,06 bilhão no Centro Clínico em 2021, além de aportes em unidades próprias. A venda desses ativos surge como alternativa para simplificar a estrutura operacional e reduzir o nível de alavancagem financeira da companhia.
Reestruturação e pressão do mercado
A decisão de venda aparece após a carta da gestora Squadra Investimentos, que classificou a empresa como “maior destruição de valor do mercado de capitais brasileiro” e sugeriu o desinvestimento como medida para reorganização. No entanto, fonte próxima à Hapvida afirma que a discussão sobre a venda já ocorria no conselho antes da comunicação enviada em 1º de abril.
Em paralelo, a empresa promove mudanças na liderança, com a saída de Jorge Pinheiro da presidência e a indicação do atual diretor financeiro, Luccas Adib, para o cargo de CEO, enquanto Pinheiro permanece no conselho. Em carta ao mercado, o executivo afirmou: “Reconheço, no entanto, que os resultados financeiros recentes ficaram aquém do que somos capazes de entregar. Poderíamos ter feito mais e melhor”.
Além disso, a companhia ajusta posições estratégicas na diretoria com a entrada de executivos do mercado, enquanto enfrenta pressão no desempenho das ações. Na última terça-feira (14), os papéis recuaram 3,9%, e acumulam queda de 67% em 12 meses, o que amplia a necessidade de medidas para recuperação financeira e reposicionamento no setor de saúde suplementar.
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