Economia verde e tecnológica tornará Fortaleza uma metrópole sustentável

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Com economia alicerçada no comércio e em serviços, Fortaleza destaca-se por ser um dos destinos turísticos mais procurados do país. (Foto: Sérgio Gomes)

Por volta de 2050, Fortaleza projeta ser uma metrópole marcada pela busca de equilíbrio entre o crescimento urbano denso e a resiliência climática. Com base nos planos “Fortaleza 2040” e “Ceará 2050”, a cidade caminha para se tornar um hub tecnológico e turístico sustentável, ao mesmo tempo em que enfrenta desafios ambientais significativos. Como um dos principais hubs de cabos submarinos de fibra ótica do mundo, Fortaleza tende a atrair tecnologia, além de manter o turismo forte com uma orla requalificada. Para isso, são necessários incentivos a negócios de baixo impacto ambiental, focando na reciclagem e “Fator Verde” na construção civil.


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Entre as tendências previstas por planejadores urbanos e destacadas por Fernando Galiza, presidente do CREA-CE (foto), nesta entrevista exclusiva ao portal TRENDS, estão os pilares da sustentabilidade e clima, urbanismo e infraestrutura, economia, turismo e, permeando estes vetores, uma economia verde como esperam e precisam o mundo e o Brasil.

Fernando Galiza, presidente do CREA-CE. (Foto: Arquivo pessoal)

Maior cidade do Nordeste em número de habitantes e quarta do Brasil, Fortaleza também conta com um Produto Interno Bruto (PIB) aproximado de R$ 73 bilhões, o maior da região Nordeste. Com economia alicerçada no comércio e em serviços, a capital do Ceará destaca-se por ser um dos destinos turísticos mais procurados do país.

Quanto mais verde, maior a qualidade de vida

Na visão de quem participa ativamente da urbanização da cidade, o presidente do CREA-CE vislumbra um continuado crescimento populacional de Fortaleza, que já é uma das mais densas do Brasil. “O fato exigirá soluções de habitação verticalizada e sustentável”, afirma, acreditando que a qualidade de vida dependerá diretamente da eficácia de suas políticas de adaptação às mudanças climáticas e da proteção de seus recursos costeiros.

Para ele, a principal ferramenta para garantir este direcionamento é o Plano Diretor, que foi atualizado com propostas para aumentar em 38% as áreas verdes. Trata-se de uma ação providencial diante do risco apontado por estudos de que 5% da cidade poderá estar alagada até 2050 devido à subida do nível do mar e ao aumento das chuvas, pressionando a macrodrenagem e áreas de risco.

O Plano também prevê a ampliação das Zonas de Preservação Ambiental (ZPA) e as Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS). Neste ponto, Galiza cita como positiva para a melhoria do conforto térmico, a expansão de microparques urbanos, integrando natureza ao cotidiano de bairros densos.

Também vê o plano “Fortaleza 2040” como outro instrumento que estabelece estratégias de longo prazo integrando desenvolvimento social, mobilidade e o plano urbanístico. Para ele, o desenvolvimento de Fortaleza passa por um Plano Diretor avançado que contemple o uso sustentável de terrenos vazios, com incentivo à moradia popular em áreas com adequada infraestrutura. Igualmente aponta como prioridade a consolidação de corredores exclusivos de ônibus e transporte público sustentável, reduzindo a dependência de veículos individual. Ainda acredita na revitalização da zona central, “mais segura e pulsante, com o retorno de órgãos administrativos e aumento de áreas residenciais, tornando a cidade viva”, exemplifica. 

Localização estratégica

Localizada estrategicamente na geografia brasileira, Fortaleza se apresenta como um dos principais centros de conexões do Brasil com o mundo abrigando hubs tecnológicos, marítimos e aéreos. A capital também possui voos internacionais diretos e diários para destinos como Lisboa, Paris, Miami e Buenos Aires, além de conexões com os principais aeroportos brasileiros.

A propósito, o Aeroporto é um ativo urbano e econômico decisivo porque melhora a conectividade, aumenta a competitividade do destino e dá suporte ao turismo, eventos e negócios. “O ganho real, entretanto, se consolida quando ele se integra à mobilidade da cidade”, afirma Fernando Galiza. Ele destaca o avanço do VLT Ramal Aeroporto, conectando a Linha Nordeste ao terminal, porque isso reduz tempo e custo de deslocamento e melhora a experiência do visitante e do trabalhador.

O CREA-CE entende que crescimento de fluxo e de infraestrutura exige responsabilidade técnica, fiscalização e cultura de prevenção em obras e sistemas críticos – é uma camada fundamental para que esse desenvolvimento seja sustentável.

“O Centro tem um efeito multiplicador”, aponta, explicando que quando ele se requalifica, melhora o comércio, a mobilidade a pé, o uso do espaço público e a identidade urbana. E afirma que a entrega da requalificação da Praça do Ferreira e o início do FORtaleCE são sinais de que há um plano mais amplo para o Centro e para a cidade que precisa ser executado.

Nesse tema, o CREA-CE conecta diretamente o ponto-chave que é a segurança do estoque construído. “Requalificar o Centro sem fortalecer manutenção, inspeção e prevenção é perder parte do resultado”, garante ele, convicto da relevância da pauta de inspeção predial e de qualificação da gestão condominial, com orientação técnica, já que grande parte do risco urbano está no uso e manutenção de edificações.

Gargalos e futuro

O presidente do CREA-CE vê três frentes com grande impacto urbano. A primeira delas é a mobilidade estruturante (metrô/VLT) para reorganizar fluxos e induzir desenvolvimento com mais racionalidade. Ele também defende a necessidade de requalificação urbana e serviços com programas integrados, como o FORtaleCE e, ainda, a integração de grandes equipamentos (como aeroporto) com o tecido urbano – e o Ramal Aeroporto é um bom exemplo.

“Fortaleza precisa mobilizar energia em projetos que não são apenas de obras bonitas, mas infraestrutura de segurança urbana”, afirma Galiza defendendo a inspeção predial e manutenção preventiva como política pública ampliada. “Cidade madura não cuida só do novo, mas do que já existe”, ilustra, satisfeito pelo fato de o debate sobre fomento à inspeção predial já aparecer inclusive na Assembleia Legislativa, defendendo articulação com instituições como CREA e Corpo de Bombeiros.

Os gargalos, segundo o CREA-CE, normalmente se repetem. Entre eles estão a
governança e continuidade, a previsibilidade de licenciamento e execução e, ainda, a manutenção e operação. “Não basta entregar obra. É preciso manter, operar e fiscalizar”, diz Fernando Galiza, para quem a equação é simples, ou seja, sem responsabilidade técnica e sem cultura de prevenção, a cidade paga a conta depois.

O futuro vislumbrado pelo CREA-CE passa por eixos de mobilidade de alta capacidade que reorganizam a cidade, valorizam áreas, criam novas centralidades e reduzem desigualdade de acesso, sempre acompanhados de planejamento urbano. Outro caminho a ser trilhado, reafirma ele, é o centro requalificado para reativar a economia tradicional e turismo urbano e melhorar a dinâmica social. Galiza também aponta o corredor aeroporto–cidade, com integração via VLT, como forma de aumentar eficiência econômica e melhorar a experiência turística e de negócios.

Fernando finaliza que o reflexo social mais importante é que quando o urbanismo incorpora segurança técnica, inspeção, manutenção e gestão responsável de edificações, protege vidas, reduz risco e melhora qualidade de vida.

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