STS e FE: eventos do Sebrae/CE reúnem exportações, educação financeira e negócios

Sebrae
Tendência é ampliar a Feira do Empreendedor e o Siará Tech Summit no próximo ano. Evento aconteceu do dia 8 até esta sexta - feira, dia 10 de outubro. (Foto: Sebrae - CE)

O cenário se conjuga num equipamento repleto de pessoas, palestras, negócios, debates, troca de ideias e contemplação. Esta é a impressão expressa dos dois pavilhões onde aconteceram, simultaneamente e de forma integrada, a Feira do Empreendedor e o Siará Tech Summit, no Centro de Eventos do Ceará.


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Os eventos são uma promoção do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresa (Sebrae), e a TRENDS cobriu durante todo o segundo dia, nesta quinta-feira (9), de programação do circuito, três palestras com especialistas que abordam temáticas relacionadas a exportações, educação financeira, e a viabilidade de negócios de startups com o mercado financeiro.

Em painel que aborda a inserção das Micro e Pequenas Empresas (MPEs) no mercado internacional de exportações, a gestora internacional de negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil)Adamita Mizuno, aponta que a participação das MPEs na balança comercial vem aumentando. Contudo, ela destaca que em termos de valores percentuais o contexto representa 1%.

Adamita esclarece que a entidade, através do Programa de Qualificação para Exportação (Peiex), está disponibilizando 150 vagas para um programa de consultoria e capacitação no intuito de preparar os empresários do setor de micro e pequenas empresas a ingressarem no sistema mundial de exportações.

A gestora acentua que, no momento, os principais setores do segmento incluídos no cronograma de exportações se configuram em empresas de moda e confecções, têxtil, e produtos à base de madeira. Segundo Adamita, o primeiro passo para o acesso ao panorama é que integrantes das MPEs acreditem na possibilidade de acesso.  

“Então eu acho que quebrando essa primeira barreira, a gente traz uma série de possibilidades de apoio, com a qualificação, o aprendizado, a preparação dessa empresa, para exportação, e com todas essas informações, ela consegue viabilizar sua exportação. E também não podemos esquecer a transformação digital, observando que as micro e pequenas empresas estão avançando nesse caminho. A Apex Brasil também tem programa voltado para o e-commerce internacional, onde a partir dessas empresas que já tem no seu modelo de negócios a comercialização via canal eletrônico, via plataformas digitais, é muito mais fácil para elas exportarem para fora através dessas vias, porque são modelos de negócios já adaptados”, enfatiza Adamita.

ApexBrasil
Adamita Mizuno, gestora internacional de negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). (Foto: Sebrae – CE)

Educação Financeira para empreendedores

O analista financeiro Marcos Venicius Gondim explanou na Feira do Empreendedor, onde discorreu temas referentes a simples ações no cotidiano para aplicação de educação financeira, contemplando a organização do orçamento pessoal e familiar.

Indagado sobre o mais adequado formato de gestão financeira para empreendedores, Marcos Venicius relatou que atuou durante muitos anos como consultor do Sistema Sebrae, e na ocasião percebeu que, o início da gestão financeira comercial, o primeiro grande problema enfrentado por 99% dos empreendedores iniciantes é quando os próprios misturam os recursos pessoais com as finanças empresariais.

De acordo com o especialista, esta configuração gera um fluxo desconexo para a gestão financeira, no sentido de que o empresário retira dinheiro do caixa para pagar uma conta pessoal, ou tira dinheiro do bolso para comprar uma mercadoria para vender, o que conforme Marcos Venicius compromete a administração dos negócios. A recomendação do consultor é que essa metodologia tem que ser separada radicalmente. Ele indica como solução uma remuneração, espécie de salário do próprio dono, o denominado pró-labore, contando com a colaboração do contador da empresa.

Resolvido o primeiro tópico, numa segunda etapa de planejamento, o agente comercial inicia o registro de movimentações, que é, segundo Marcos Venicius, o controle de caixa, as contas a pagar e a receber, analisando o estoque das mercadorias. O especialista salienta que nos dias atuais este procedimento está automatizado, com aplicativos e softwares que orientam as atribuições de maneira automática.

Na terceira fase, o consultor menciona que o empreendedor precisa entender de custos, e trabalhar estes requisitos no respectivo negócio, ao que concerne quanto custa o produto que vende, quanto os serviços efetuados, o qual a partir da avaliação da conjuntura, o empresário tem condições de precificar com eficiência.

E no último tópico gerencial, a pontuação do planejamento, contabilizando dois instrumentos nas finanças, onde um é a Demonstração do Resultado do Exercício, a DRE, que apura e confronta todas as receitas, com todos os custos de despesas, e verifica a sobra, que é o lucro. Marcos Venicius reforça que o empresário pode até ter participação no lucro, mas não pode adquirir o lucro como posse, porque por assim há o risco de descapitalizar a empresa.

“O segundo instrumento de planejamento, já olhando para o futuro, é o fluxo de caixa, projetos de entrada e saída de caixa como ponto de apoio, com o fluxo de venda, os compromissos, os gastos. O ideal é que ele projete isso para no mínimo um ano, que assim ele terá essa missão, que a empresa vai operar com lucro, e ter saldo de caixa”, elucida o especialista.

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Marcos Venicius Gondim, analista financeiro. (Foto: Acervo Pessoal)

Modelo de negócios de startups integradas ao mercado financeiro

mercado financeiro começa a despertar em aplicar ativos no universo de startups, a partir da ambição visualizada pelo investidor na envergadura das ferramentas digitais disponibilizadas. Por algum instante a conexão pode representar aporte de risco, o que se chama de venture capital (capital de risco), no entanto, a aliança acionária já demonstra maturidade para prosseguir nos investimentos.

A gerente de portfólio da empresa de investimentos DealistMonnaliza Medeiros, palestrante de um painel no Siará Tech Summit, explica que a modalidade do venture capital começou a jornada em meados dos anos 1940, 1960, nos Estados Unidos e em outros países. A chegada e a movimentação de negócios no Brasil ocorrem desde os anos 1980, e que, segundo Monnaliza, a partir do período que compreende 2010 e 2015, o ecossistema começa a se profissionalizar.

Atualmente, de acordo com Monnaliza, há centenas de fundos de investimentos em atuação no país. Contudo, ela relata que na comparação de aportes em startups ainda é muito pouco tendo em vista outras frentes, como bolsas de valores e outros ativos. Ela elucida que, inserido na estratégia de composição do portfólio, cerca de 1% da carteira do investidor vai ser destinada a investimentos de risco e pode ser distribuída em diversas destinações de investimentos, realçando que as startups são um desses tipos de ativos.

“Nesse momento os investidores estão se voltando para negócios que estão nascendo com base na Inteligência Artificial, que é uma nova tecnologia. Essa IA vai promover o surgimento de novos modelos de negócios, então quem já começou a estudar, pode usufruir usando realmente a tecnologia para criar produtos e serviços, que chama a atenção dos investidores”, frisa Monnaliza.

Para quem pretende iniciar no mundo do venture capital, a gestora afirma que o Sebrae tem um departamento que apoia e fomenta o surgimento de novos negócios a partir de startups, para quem está começando. O suporte do Sebrae é sem fins lucrativos e aberto a toda a comunidade. “Se pode participar dos programas, como o próprio Sebraelab, o Startup Nordeste, que aqui no Ceará fornece para os inscritos uma bolsa de R$ 1.500 por seis meses e uma ação de quase 39 mil reais para esses empreendedores começarem a pensar um modelo de negócio”, reforça Monnaliza.

Monnaliza Medeiros, gerente de portfólio. (Foto: Divulgação)

A tendência é ampliar o evento em 2026, afirma Cartaxo

O diretor superintendente do Sebrae/CEJoaquim Cartaxo, declarou, em entrevista exclusiva à TRENDS, que a tendência no próximo ano é ampliar a oferta dos serviços oferecidos na realização da Feira do Empreendedor e do Siará Tech Summit. De acordo com o dirigente, será feito um balanço para avaliar os pontos positivos e negativos da edição do evento deste ano, em especial no critério de atendimentos. 

Indagado sobre a iniciativa de unir os dois compartimentos no Centro de Eventos para ocorrer as duas linhas temáticas, Cartaxo respondeu que o Sebrae possui uma tradição de mais de 50 anos, de incorporar o empreendedorismo brasileiro e auxiliar tradicionalmente na formalização da economia brasileira, em especial nos pequenos negócios, e por esse critério se alia, no Centro de Eventos, sustentabilidade, inovação e empreendedorismo.

Cartaxo reitera que o público que compareceu este ano no Centro de Eventos no aspecto de contemplar o evento, é devido à ação do Sebrae de dividir a concepção em 12 territórios, no qual reforça que em cada setor tem uma unidade regional, potencializando a mobilização. 

“Ali nós temos um programa que trabalha o território, que é a Agenda Líder; a Cidade Empreendedora, que trabalha o ambiente de negócio em todos os municípios; a Sala do Empreendedor, que é o Sebrae em cada município, e dois programas transversais, o de educação empreendedora, que se inicia no ensino fundamental, desenvolvendo habilidades nos estudantes para empreender, e o nosso ecossistema de inovação. Com isso, o Sebrae está criando no Ceará um grande sistema de inovação, com comitês territoriais”, pontua Cartaxo.

Cartaxo
Joaquim Cartaxo, diretor superintendente do Sebrae/CE. (Foto: Sebrae – CE)

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