As informações obtidas por meio de estatísticas e análises tornam a tomada de decisão mais assertiva, tanto na esfera pública como privada. Isso resulta na melhoria dos serviços prestados à população e àqueles que empreendem ou desejam empreender, gerando mais oportunidades e renda. (Foto: Freepik)

Institutos cearenses cooperam para avanços socioeconômicos no Estado

Por: Anchieta Dantas Jr. | Em:
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Falar em desenvolvimento passa por acompanhar uma série de dados e indicadores ao longo do tempo. Sejam eles de um país, estado ou região.  A observação das estatísticas e as análises que seguem são fundamentais para subsidiar e ordenar o conjunto de ações necessárias para promover o avanço econômico, social e ambiental, tripé da sustentabilidade. Afinal, as informações obtidas tornam a tomada de decisão mais assertiva, tanto na esfera pública como privada, resultando na melhoria dos serviços prestados à população e àqueles que empreendem ou desejam empreender, gerando mais oportunidades e renda. Nesse contexto, a contribuição dos institutos se destaca.


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Embora o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) se constitua no principal provedor de dados e informações do País, atendendo às necessidades dos mais diversos segmentos da sociedade civil, bem como dos órgãos das esferas governamentais, existem ainda uma série de institutos ligados a entidades e instituições representativas da vida pública e privada em cada estado. Eles desempenham papel igualmente importante nessa direção.

No Ceará, quatro exemplos se destacam: o Instituto de Estudos e Pesquisas Sobre o Desenvolvimento do Ceará (Inesp), o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC) e ainda o Instituto Euvaldo Lodi (IEL Ceará). Cada um com seu diferencial. Há algumas décadas, a contribuição desses institutos tem impactado positivamente no desenvolvimento do Estado. Conhecer sua atuação, projetos e expectativas para este ano ajudam a entender a sua importância para o Ceará.

Debate da agenda pública

Há 32 anos, o Inesp atua no assessoramento técnico e científico da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (AL-CE) qualificando o debate em torno de questões da agenda pública. Nesse sentido, promove discussões e reflexões, divulgando pesquisas, projetos e experiências, visando a eficácia da atuação da Casa Legislativa. Como órgão de pesquisa, educação e memória, tem a atribuição de propor ações inovadoras à AL-CE, além de articular diretrizes, conhecimento e inovação em prol do desenvolvimento do Estado do Ceará, principalmente no que tange à educação.

Entre seus objetivos estão estabelecer um núcleo de estudos necessários ao desempenho parlamentar; apoiar atividades de natureza acadêmica do interesse institucional da AL-CE; desenvolver pesquisas e propor a modernização das instituições políticas e medidas para o desenvolvimento cultural e socioeconômico do Estado; promover atividades de extensão, fazendo o recrutamento de professores convidados; desenvolver estudos e pesquisas sobre teoria e história da cultura democrática e parlamentar e ainda editar livros, coletâneas de legislação e periódicos especializados.

Segundo seu diretor executivo, João Milton Cunha de Miranda, um das atividades de maior tradição do Inesp é o seu braço editorial, agora também no formato digital. “O programa editorial do Inesp tem mais de 500 publicações em sua história. Agora, tanto no meio impresso como digital, pois em 2019 lançamos este programa digitalmente com o intuito de participar da Feira de Conhecimento organizada pela Secitece. Além do viés da sustentabilidade, o programa digital passou a ser uma plataforma também inclusiva, permitindo o acesso de deficientes visuais ao nosso acervo”, expõe.

De acordo com ele, a meta para 2021 é continuar apostando no meio digital, com o lançamento de mais títulos. “Para se ter uma ideia, de janeiro a março deste ano lançamos oito livros digitais, acima dos sete que foram lançados ao longo de 2020”, fala.

Outro programa que ele destaca é o Inesp Ciência, que tem como objetivo sistematizar, organizar e articular tanto junto a escolas públicas e privadas do Ceará a participação de estudantes nas olimpíadas científicas nacionais e internacionais. “Esse programa colabora tanto na mobilização para as escolas participarem como também na divulgação dos resultados, ou seja, do desempenho dos estudantes cearenses por meio do Informativo Inesp Ciência”, explica.

Além disso, o Instituto tem promovido solenidades virtuais para homenagear os estudantes cearenses com destaque em aprovações no ITA e no IME. E projeta percorrer virtualmente, ao longo de 2021, todas as regiões do Ceará homenageando alunos de escolas públicas e privadas.

Já no âmbito do assessoramento parlamentar, o gestor do Inesp aponta o Boletim Inesp, publicação mensal, que traz dados consolidados de índices de desenvolvimento diversos, relacionados, por exemplo, à educação, saúde e economia, a fim de fornecer informações aos deputados estaduais sobre os municípios de sua base.

“Dessa forma, os parlamentares podem acompanhar os resultados de cada município, subsidiando a proposição de políticas públicas na sua região na busca por melhores desempenhos”.

João Milton Cunha de Miranda, diretor executivo do Inesp

Por fim, João Milton cita outras atividades como o Inesp Informa, publicação de periodicidade semanal, que traz informações sobre o funcionamento da AL, assim como realiza encontros e exposições virtuais, o que deve ser ainda amis intensificado em 2021.

Pesquisas e estudos

Também na esteira da contribuição dos institutos para o desenvolvimento do Ceará, o Ipece surge como um órgão que possui um corpo técnico todo formado por doutores e mestres voltado para a geração de pesquisas e estudos socioeconômicos e geográficos, além de realizar assessoria as secretarias estaduais.

“O Instituto tem apoiado o desenvolvimento do Ceará, colaborando com as secretarias na elaboração de estratégias e na tomada de decisão de políticas públicas. E através da produção, monitoramento e divulgação de indicadores na área social como os de pobreza, extrema pobreza, desigualdade, acesso a saúde e desempenho educacional, assim como de indicadores econômicos como o de mercado de trabalho, seja formal ou informal”, afirma João Mário Santos de França, diretor geral do Ipece.

Ainda de acordo com ele, também é importante destacar a elaboração do Índice Comparativo de Gestão Municipal (ICGM), na área de gestão pública, e a realização, pela área de cartografia, do georreferenciamento dos equipamentos públicos, como hospitais e escolas, “permitindo ao Estado um melhor entendimento da distribuição espacial dos seus investimentos”.

“No âmbito do desenho de políticas públicas vale destacar a contribuição do Instituto no mecanismo de rateio da cota parte do ICMS para os municípios cearenses, que tem sido um dos vetores na melhoria da educação no Ceará, notadamente no fundamental I e II. No quesito avaliação vale citar a participação juntamente com a Secretaria de Educação do Estado do Ceará (Seduc) e financiamento do Banco Mundial na avaliação de impacto do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Infantil (Padin), assim como cabe ressaltar a aplicação de avaliações executivas dos programas financiados pelo Fundo Estadual de Combate à Pobreza (Fecop), realizadas pelo Centro de Análise de Dados e Avaliação de Políticas Públicas (CAPP), sediado no Ipece”, fala.

Já no que diz respeito à atividade de monitoramento, ele acrescenta que pode-se verificar o Índice Municipal de Alerta (IMA). “Consiste em um instrumento que disponibiliza informações confiáveis pertinentes às áreas de meteorologia, produção agrícola e assistência social, de forma que, devidamente analisadas, permitem a adoção de ações voltadas para soluções temporárias e permanentes nas localidades”, explica.

Dentre os diversos trabalhos desenvolvidos pelo Ipece na área econômica destaca-se o cálculo do PIB trimestral e anual do Ceará, “que é um importante instrumento de acompanhamento do desempenho da economia cearense, possibilitando uma visão do ambiente econômico”. Ao passo que na área social, o Ipece publica o Boletim Trimestral da Juventude que se propõe a acompanhar os principais indicadores de educação e mercado de trabalho para a população cearense na faixa etária dos 15 aos 29 anos de idade.

“Além disso o Instituto elabora o Anuário Estatístico do Ceará, que é um documento produzido desde 1985, onde são agregados dados e informações sobre as características geográficas, demográficas, sociais e políticas do Estado, bem como dados sobre a economia e finanças. Assim como temos outros documentos como Termômetro da Inflação, Farol da Economia, notas técnicas e textos para discussão”, conta.

Quanto às expectativas para 2021, França reforça o papel do Ipece em contribuir cada vez mais em várias áreas com o Governo do Estado, fortalecendo, para isso, o seu capital humano, o que implica na realização de concursos públicos.

Em relação aos projetos, ele ressalta que “em um ambiente em que o IBGE teve que adotar o adiamento do Censo Demográfico Brasileiro, o Governo do Ceará saiu à frente e o Ipece realizou em 2019 a Pesquisa Regional por Amostra de Domicílios (Prad/CE), que teve por objetivo a realização de um levantamento de informações socioeconômicas da população cearense, tendo representatividade estatística para o Estado, incluindo as populações das zonas urbana e rural, e suas quatorze regiões de planejamento”. “Diante disso, neste ano, lançamos a Série PRAD que visa divulgar análises técnicas sobre temas relevantes de forma objetiva, utilizando dados oriundos da referida pesquisa”, fala.

Ao mesmo tempo, continua o gestor, com finalidade de disseminar a cultura de avaliação de políticas públicas, uma das prioridades do Instituto é o fortalecimento cada vez maior do CAPP, inclusive realizando atividades conjuntas com o Centro de Aprendizagem em Avaliação e Resultados para o Brasil e a África Lusófona (CLEAR – FGV/SP), respaldados pelo acordo de cooperação estabelecido em 2018 entre as duas Instituições.

“Por fim um outro projeto relevante desenvolvido pelo Ipece, em parceria com a Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag) e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), é o desenvolvimento da metodologia de compatibilização entre os indicadores do Plano Plurianual – PPA 2020/23 e os dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS, iniciado neste ano pelo eixo Ceará Saudável”, conta.

Foco no setor de comércio e serviços

Para qualquer empreendedor, conhecer o mercado em que está inserido ou no qual pretende apostar é fundamental para alcançar resultados. Nesse contexto, o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC), ligado ao Sistema Fecomércio no Estado, realiza pesquisas mensais sobre as tendências e percepções de diversos segmentos, com maior foco no comércio e serviços locais. “São pesquisas por meio das quais os nossos líderes, sejam eles da Federação, líderes sindicais, empresariais, dos trabalhadores e, inclusive, governantes possam tomar decisões a partir dessas informações”, afirma o assessor do Sistema Fecomércio, Henrique Gonzaga.

Segundo ele, entre as pesquisas estão aquelas realizadas em campo, onde os pesquisadores atuam coletando informações nas ruas junto a trabalhadores e empresários; as pesquisas digitais, que são uma nova modalidade feitas por meio das ferramentas de comunicação digital; e as pesquisas sob demanda, modalidade na qual o interessado contrata o IPDC para levantar dados e informações sobre diversos assuntos. “Nesse sentido, nosso maior diferencial é a experiência, já que temos quase duas décadas de atuação. O know-how que temos, principalmente com as questões relacionadas ao comércio, é muito grande”, fala.

Entre as pesquisas periodicamente lançadas, Gonzaga destaca o Índice de Confiança do Empresário e do Consumidor, além de pesquisas relacionadas à variação de preços do comércio, serviços e turismo e aquelas sobre o mercado de trabalho dos segmentos que a Fecomércio representa. “Junto a isso, temos ainda pesquisas sobre expectativa de vida, medo do desemprego e pesquisas relacionadas a datas comemorativas como o Dia das Mães, Páscoa, Natal entre outras, importantes para o comércio em geral”, complementa. Para 2021, ele chama a atenção para a criação do Observatório IPDC.

“Por meio do observatório, entendemos que vamos poder disponibilizar um volume bem maior de dados e estatísticas do que ofertamos hoje para empresários, estudantes e o nosso público-alvo. Utilizando de tecnologia, nosso objetivo é que com os mesmos custos consigamos alavancar o volume de informação disponível ao mercado”.

Henrique Gonzaga, assessor do Sistema Fecomércio

Conhecimento e empreendedorismo

Outra contribuição dos institutos para o desenvolvimento do Ceará vem do IEL Ceará, que tem como missão impulsionar o desenvolvimento das empresas e das carreiras, disseminando o conhecimento e o empreendedorismo por meio de soluções inovadoras e customizadas, alinhadas às tendências e exigências do mercado.

“O Instituto atua de forma a contribuir com o aprimoramento da gestão e da educação empresarial, com a atualização e capacitação de profissionais, com o desenvolvimento de talentos para o mercado e com a aproximação e a conexão entre as indústrias e o ecossistema da inovação. Dessa forma, o IEL Ceará cumpre o papel de elevar o patamar das empresas cearenses, em especial a indústria, aumentando a sua competitividade e alavancando, assim, o desenvolvimento econômico do Estado”.

Dana Nunes, superintendente do IEL Ceará

Conforme disse, o Instituto atua, em linhas gerais, em três áreas: Educação Executiva, com soluções como cursos de curta duração, cursos de formação, MBAs e mestrados, além de cursos personalizados de acordo com a necessidade da empresa; Trilhas de Carreiras, com soluções para todas as etapas da carreira de um profissional, como o Programa IEL de Estágio, Programa de Trainee, Programa para Desenvolvimento de Líderes e Orientação de Carreira; e Gestão da Inovação, com soluções como consultorias, pesquisas, Inova Talentos e o Hub de Empreendedorismo e Inovação.

“Os grandes diferenciais do IEL Ceará são a sintonia com as reais necessidades das empresas e do mercado e uma atuação pautada pela inovação e a transformação digital, com um portfólio de serviços de alto valor agregado e focado em metodologias ágeis, gamificação, indústria 4.0 e outras temáticas relevantes para os novos cenários. Todas as soluções são pensadas, e executadas, de forma a atender as demandas das empresas e os desafios enfrentados no dia a dia, com um olhar para o futuro e as tendências que impactam o mundo corporativo”, destaca.

Ainda de acordo com ela, também merece destaque a equipe multidisciplinar do Instituto, formada por estatísticos, psicólogos, economistas e administradores, além da capilaridade do Sistema FIEC e da estrutura física e tecnológica disponibilizada para o desenvolvimento das pesquisas. Para a gestora, há mais de 20 anos, o IEL é referência na realização de diversos tipos de pesquisas e vem contribuindo com as empresas cearenses na geração de conhecimento para a superação de diversos desafios e o desenvolvimento dos negócios locais.

Entre as principais publicações ela aponta os estudos sobre tendências e inovações de mercado, análise de concorrência, comportamento do consumidor, inteligência de preço, clima organizacional e pesquisas de satisfação de clientes, de participação de mercado, salarial por cargo e setor, assim como o censo setorial. A despeito da pandemia, Dana Nunes relata que, em 2021, o IEL Ceará vem maximizando seus resultados e ampliando o número de pessoas e empresas impactadas com as suas soluções. “Esse bom desempenho é fruto de uma série de mudanças que reposicionaram o IEL Ceará sob os pilares da inovação e da transformação digital”, avalia.

Nessa direção, ela afirma que o Hub de Inovação e Empreendedorismo do IEL Ceará, lançado em setembro de 2020, está contribuindo para a aceleração dos negócios, independentemente de seu porte, e levando as empresas a alcançarem novos patamares de desenvolvimento. “Em 2021, o IEL Ceará segue firme nesse direcionamento, fortalecendo o hub e implementando de forma mais ativa novas metodologias. Vem aí uma metodologia exclusiva, criada em cima da nossa atual metodologia de gestão da inovação, que irá impulsionar o hub do IEL Ceará dentro do ecossistema de inovação cearense, não sendo só mais um e sim fazendo a diferença. Também neste ano, o IEL Ceará trará novas abordagens e mais cursos diferenciados, seguindo todas as mudanças de mercado”, conclui.

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