O turismo virtual vem ganhando adeptos no Brasil durante a pandemia e pode se tornar um complemento ao turismo presencial. A nova modalidade está preenchendo uma lacuna diante de um contexto com muitas restrições, seja no Brasil ou no mundo.

Turismo virtual é novo embarque para conectar pessoas e negócios

Por: Maria Babini | Em:
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Para embarcar nessa viagem, não precisa de muita coisa: basta um celular, tablet ou computador com conexão à internet e pronto. Estamos falando do turismo virtual, uma modalidade que vem ganhando espaço no Brasil aos poucos, impulsionada principalmente pela crise da pandemia e a necessidade de distanciamento social. Maria da Luz é a atual CEO da plataforma Turismo Virtual no Brasil e conta que, desde abril de 2020, já foram realizados mais de 550 roteiros.

“Essa plataforma veio mostrar que é possível conhecer o Brasil de uma forma diferente, com um preço bem acessível. Ela nasceu no meio da pandemia, quando os guias de turismo se viram numa situação onde as pessoas precisavam estar em isolamento social, se adaptando a esse mundo digital. E nós percebemos que a interação era uma das coisas que elas mais precisavam e que os guias podiam trazer isso através de interações digitais”, comenta.


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O passo a passo para o turismo virtual é simples. Assim como uma viagem comum, é preciso escolher data e hora de embarque. A partir das programações disponíveis no site, o passageiro pode garantir seu ingresso e desfrutar da companhia de um guia turístico. “Cada guia tem cadastro no Ministério do Turismo e apresenta uma experiência de forma virtual. Ele cria essa experiência de acordo com o que quer mostrar. Temos hoje cerca de 40 guias cadastrados na plataforma”, pontua Maria da Luz. O Ceará, inclusive, já conta com guia disponível no Turismo Virtual no Brasil para quem quiser conhecer as praias da região, com a famosa Rota das Falésias no final do mês de abril.

Quem quer conhecer outros países também pode viajar sem sair de casa. Alexandre Disaro é fotógrafo, CEO e criador da plataforma Viajar de Casa. As viagens da ferramenta, atualmente, são 99% com destinos estrangeiros, mas Alexandre conta que pretende inserir mais rotas brasileiras futuramente. “A gente já levou mais de 2.700 pessoas para passear, já fizemos mais de 60 turmas, mais de 16 destinos e mais de 50 roteiros únicos”, compartilha.

O Viajar de Casa também começou a funcionar a partir de abril de 2020, contando com guias brasileiros que estão do outro lado do mundo.

“A gente reúne as pessoas dentro de um grupo. Essas pessoas se conectam através de uma videochamada. E a gente faz um passeio pela cidade contando uma narrativa, em tempo real e de maneira interativa”, afirma. Segundo Alexandre, tudo o que é apresentado ao vivo no dia da viagem é coreografado antes para oferecer um serviço de qualidade aos “passageiros”

Alexandre Disaro, fotógrafo e CEO da plataforma Viajar de Casa

Todos os guias do Viajar de Casa são profissionais da área e a maioria possui também uma formação complementar. A plataforma conta com antropólogos, jornalistas, linguistas e historiadores, o que possibilita uma troca de conhecimentos ainda mais profunda sobre as localidades visitadas.

Tecnologia a favor do turismo

Célio Fernando Melo, economista, olha para o turismo virtual como uma novidade que vem com a pandemia, mas que não compete com a modalidade presencial. “Ela não afeta a renda porque ninguém está trocando o virtual pela viagem. Na verdade, as pessoas não estão podendo viajar. E, de alguma forma, o turismo virtual pode ajudar na saúde mental dos grupos, então, tudo isso é importante”, destaca.

Para ele, o turismo virtual está preenchendo uma lacuna diante de um contexto com muitas restrições, seja no Brasil, no mundo. E, desde que evolua tecnologicamente, pode se transformar em uma forte tendência. “Eu acho que isso é um substituto diante da conjuntura, mas a virtualidade ainda não substitui a experiência com as sensações. É nesse sentido que a gente vai ter que aprimorar. Mas, como tudo no mundo em transição, as tecnologias estão chegando de todas as formas”, completa.

Alberto Augusto Neto, presidente do Sindicato Estadual dos Guias de Turismo do Ceará e secretário geral do Fórum de Turismo do Ceará também vislumbra o turismo virtual como algo que veio complementar o presencial. “O turismo do jeito que ele sempre foi, de vivenciar, estar no lugar, sentar naquela grama, naquela praia, sentir o aroma do lugar, os prazeres da gastronomia, o contato com as pessoas, entender o idioma, dialetos, isso não vai parar. Porém, a gente tem uma nova maneira, que já estava dentro do mundo corporativo, de realizar trabalhos usando meios digitais”, continua.

Alberto pontua que, no Ceará, existem mais de 354 guias de turismo atuantes, com Fortaleza concentrando a maior parte deles, e a Região do Cariri em segundo lugar. Apesar do turismo virtual ser uma adaptação e, como toda mudança, demora para se efetivar, ele acredita que essa é a hora dos guias prestarem atenção no uso dessa tecnologia a favor dos seus serviços. “Imagina quantos guias poderão fazer seu trabalho de cunho virtual pras pessoas que não podem viajar, mas podem pagar um valor para assistir todo processo pelo vídeo?”, enfatiza.

Alexandre também enxerga o turismo virtual como um alento para os guias turísticos que estavam parados. Além disso, em um momento de crise como o atual, o custo de uma viagem online é considerado mais acessível que o de uma presencial. Um dos destaques dados pelo criador do Viajar de Casa é ainda que a plataforma permite pessoas que sequer sonhavam com destinos fora do Brasil embarcarem nesses roteiros e até levar pessoas acamadas para viajar mesmo dentro de um hospital.

Futuro do turismo virtual

Alberto Augusto Neto afirma que, apesar do trabalho nessa adaptação para o digital, o turismo nunca vai deixar de ser presencial. “Nós precisamos dessa experiência pessoal. Possivelmente, nossos filhos e netos vão estar mais ligados em fazer primeiro uma experiência virtual para depois ir para o presencial. É exatamente o que a gente tem que pensar. Sair da mentalidade que só pode fazer uma coisa de um jeito e fazer com que isso seja, na verdade, um complemento. É uma junção ao que já é feito”, explica.

Para Alexandre Disaro, CEO do Viajar de Casa, um dos maiores desafios do turismo virtual é que a modalidade ainda é uma novidade. “Todo mundo que a gente conversa tem que explicar como é, porque as pessoas têm muito uma ideia de paliativo ou de algo como uma apresentação”, avalia. Ou seja, é preciso fortalecer o fato de que uma viagem virtual tem um guia que está mesmo na rua, contando sobre história, cultura, população, comida e outras informações das regiões apresentadas. Segundo ele, é preciso conseguir traduzir a viagem online como “esse instrumento incrível que é”.

“A gente faz o que mais gosta, que é levar sonho, é levar conhecimento. Acho que não tem um guia que não faça de maneira prazerosa um tour virtual. Imagina pessoas que não podem viajar por problemas financeiros, de repente, que jamais iriam conhecer a Serra Gaúcha, por exemplo, tendo essa oportunidade. Para professores e estudantes, também pode ser uma maneira bem diferente de dar aula com um guia de turismo. O turismo virtual não vai acabar com o presencial: ele veio para agregar”

Maria da Luz, CEO da plataforma Turismo Virtual no Brasil
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