O orçamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) poderá alcançar quase R$ 5,5 bilhões em 2027, conforme prevê o Projeto de Lei Orçamentária (PLO) encaminhado pelo governo federal ao Congresso Nacional.
Em valores reais, o montante representa o segundo maior orçamento do instituto desde 2015. O maior ocorreu em 2022, quando o IBGE executou o 13º Censo Demográfico.
Além disso, a proposta indica uma alta real de 51,7% em relação a 2023. O avanço equivale a cerca de R$ 1,9 bilhão a mais no orçamento total.
A expansão ocorre após um período de retração. Entre 2016 e 2023, o orçamento do IBGE recuou 11,9% em termos reais, com redução próxima de R$ 500 milhões.
Recursos discricionários ganham espaço
Mais do que ampliar o orçamento total, a proposta para 2027 altera a distribuição dos recursos disponíveis para o instituto.
Os recursos discricionários, que não incluem despesas obrigatórias com pessoal ativo e inativo nem verbas específicas para operações censitárias, deverão ser 2,4 vezes maiores que em 2023.
A composição desses recursos também muda. Em 2023, as atividades-meio, como aluguel e serviços gráficos, representavam 64,4% do orçamento discricionário.
Para 2027, a previsão reduz essa participação para 26,4%. Em contrapartida, os recursos destinados às atividades finalísticas deverão crescer 4,8 vezes.
Com isso, cerca de três quartos do orçamento discricionário ficarão concentrados nas áreas diretamente relacionadas à missão institucional do IBGE.
Pesquisas e tecnologia concentram investimentos
A Diretoria de Pesquisas (DPE) deverá receber, em 2027, recursos aproximadamente seis vezes superiores aos de 2023.
Na mesma comparação, o Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI) terá uma expansão prevista de 5,8 vezes.
Já a Diretoria de Geociências (DGC) e a Diretoria de Tecnologia da Informação (DTI) deverão contar com recursos cerca de 3,4 vezes maiores.
Na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE), o orçamento projetado representa aumento de aproximadamente 2,1 vezes no período.
Dessa forma, a proposta direciona uma parcela maior dos recursos para pesquisa, geociências, tecnologia, disseminação de informações e formação.
IBGE busca ampliar capacidade de execução
Segundo a direção do instituto, a recomposição orçamentária permite retomar atividades que estavam paralisadas por restrições financeiras e operacionais.
O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, avalia que a mudança interrompe a trajetória de redução dos recursos e amplia a capacidade de planejamento da instituição.
Nesse contexto, o instituto incorporou ao seu plano integrado de trabalho dez pesquisas e operações que aguardavam condições para serem retomadas.
A diretora-executiva do IBGE, Flávia Vinhaes, também relaciona a mudança na composição dos recursos às prioridades institucionais. A estratégia concentra mais verba nas atividades responsáveis pela produção, integração e disseminação de informações estatísticas e geocientíficas.
Orçamento ainda depende do Congresso
A evolução do orçamento do IBGE precisa ser analisada em perspectiva. O instituto registrou queda real de 11,9% entre 2016 e 2023.
Por outro lado, o PLO de 2027 projeta uma recuperação de 51,7% em termos reais frente ao orçamento de 2023. Assim, a proposta não representa apenas crescimento nominal dos recursos, mas também uma mudança na destinação das verbas discricionárias.
Entretanto, os valores ainda podem sofrer alterações durante a tramitação no Congresso Nacional. A aprovação do PLO e a execução orçamentária ao longo de 2027 serão necessárias para confirmar o montante efetivamente disponível para o instituto.
Portanto, o valor de quase R$ 5,5 bilhões representa, neste momento, a previsão apresentada no projeto orçamentário. A execução final dependerá das etapas de aprovação e liberação dos recursos.
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