A busca por energia renovável nos portos está transformando a operação de grandes complexos marítimos em diferentes partes do mundo. Em um setor pressionado pela necessidade de reduzir emissões e avançar na descarbonização, o fornecimento de eletricidade limpa aos navios atracados ganha importância estratégica. Isso ocorre, sobretudo, porque as embarcações permanecem várias horas nos berços e precisam manter diversos sistemas funcionando.
Nesse contexto, o Complexo Industrial Portuário de Suape iniciou estudos para avaliar a implantação de um sistema de fornecimento de energia renovável às embarcações atracadas. A proposta utiliza a tecnologia Onshore Power Supply (OPS), que permite conectar o navio à rede elétrica em terra e, assim, desligar os geradores auxiliares movidos a combustíveis fósseis durante a permanência no porto.
Além de reduzir a emissão de gases de efeito estufa e outros poluentes, a solução pode diminuir ruídos e vibrações nos berços de atracação. Para isso, o suprimento deverá utilizar energia proveniente de fontes renováveis. No entanto, os mecanismos de comprovação e rastreabilidade da origem da eletricidade ainda serão definidos durante a estruturação do projeto.
Energia limpa pode ampliar competitividade de Suape
Mesmo com os motores principais desligados, os navios precisam manter sistemas essenciais em funcionamento enquanto estão atracados. Entre eles estão iluminação, refrigeração, ventilação, comunicação e equipamentos de bordo.
Atualmente, essa demanda é normalmente atendida por geradores alimentados por combustíveis fósseis. Com o OPS, porém, a energia poderá ser fornecida diretamente pelo porto. Dessa maneira, os geradores poderão ser desligados durante a operação, reduzindo emissões e outros impactos associados à geração de energia a bordo.
“Estamos preparando Suape para acompanhar as mudanças que já estão ocorrendo na navegação mundial. O estudo vai nos permitir avaliar a viabilidade do projeto e planejar a infraestrutura necessária para oferecer esse serviço no futuro, conciliando eficiência das operações e redução de emissões”, afirma o diretor-presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto.
Além disso, a iniciativa pode aumentar a competitividade do Complexo de Suape diante das novas exigências ambientais da navegação internacional. O movimento ocorre em um momento no qual armadores e portos buscam reduzir a pegada de carbono de suas operações.
Estudos vão definir infraestrutura para o OPS
Os estudos deverão analisar, inicialmente, o perfil energético dos navios que operam em Suape. Também serão considerados o tempo médio de permanência das embarcações e a compatibilidade dos diferentes tipos de navios com a tecnologia.
Ao mesmo tempo, serão avaliados os investimentos necessários, o modelo econômico, as possibilidades de parceria e uma eventual implantação por etapas. Dessa forma, a estrutura poderá acompanhar a evolução da demanda das linhas de navegação.
Entre as estruturas que poderão ser necessárias estão:
- subestações elétricas;
- sistemas de transformação, controle e proteção;
- pontos de conexão nos berços;
- cabos de alta capacidade;
- adequações na rede elétrica e nos píeres.
“O OPS permite substituir, durante a atracação, a geração de energia a bordo por eletricidade fornecida pelo porto. Estamos aprofundando os estudos para identificar a solução mais adequada às características de Suape e dimensionar sua implantação, considerando aspectos técnicos, ambientais e econômicos”, explica o diretor de Sustentabilidade e Inovação, Sóstenes Alcoforado.
Eletrificação de navios já avança no exterior
A eletrificação dos berços já é realidade em importantes portos europeus. Em Hamburgo, na Alemanha, por exemplo, sistemas fornecem energia de fontes renováveis a navios atracados, incluindo embarcações de cruzeiro e porta-contêineres. A primeira instalação entrou em operação em 2016.
Enquanto isso, em Roterdã, nos Países Baixos, o OPS também está em expansão. Um projeto prevê a implantação da tecnologia em três terminais de contêineres de longo curso, abrangendo oito quilômetros de cais e 35 pontos de conexão.
No Brasil, entretanto, a tecnologia ainda é incipiente para embarcações de grande porte. O Diagnóstico sobre Descarbonização no Setor Portuário, elaborado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) em 2025, aponta desafios como os custos de implantação e a necessidade de redes elétricas capazes de atender diferentes níveis de potência e frequência.
Além disso, o diagnóstico considera as adaptações físicas necessárias nos píeres e a demanda ainda reduzida por parte dos navios como obstáculos para a expansão da tecnologia no país.
Suape avalia próximos passos para a transição energética
Para Suape, a conclusão dos estudos será fundamental para definir a configuração mais adequada do sistema. A partir dessa avaliação, será possível estabelecer os berços prioritários, os investimentos necessários, as possibilidades de parceria e um eventual cronograma de implantação.
Assim, a iniciativa reforça a estratégia do Porto de Suape na transição energética, na sustentabilidade e na descarbonização da atividade portuária. Ao avaliar antecipadamente uma tecnologia que já avança no exterior, o complexo pernambucano busca se preparar para mudanças que começam a transformar a navegação internacional.
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