Data centers devem dobrar capacidade no Brasil até 2030

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Capacidade de data centers no Brasil pode dobrar até 2030. Energia e conexão elétrica se tornam principais desafios do setor. (Foto: Envato Elements)

A expansão da inteligência artificial e da computação em nuvem acelera a demanda por infraestrutura digital no Brasil. Projeções indicam que a capacidade instalada de data centers no país pode dobrar até 2030, movimento que deve atrair novos investimentos privados e aumentar a demanda por energia.

O Brasil já concentra mais de 60% da capacidade instalada de data centers da América do Sul. Além disso, o país mantém posição de liderança na região graças ao tamanho do mercado, à infraestrutura de fibra óptica e à participação de fontes renováveis na matriz elétrica.

Hyperscalers ampliam investimentos

A expansão é liderada pelos chamados hyperscalers, grandes empresas de tecnologia que operam serviços de computação em nuvem em larga escala. Para atender à demanda por processamento e reduzir a latência, essas companhias ampliam a infraestrutura física no país.

Além disso, operadores independentes de colocation também avançam. Essas empresas oferecem espaço, energia e estrutura para servidores de terceiros. Com isso, projetos de novos data centers passam a atrair recursos de fundos de private equity e de infraestrutura.

São Paulo permanece como principal polo de infraestrutura digital do país. Entretanto, outras regiões ganham espaço. A disponibilidade de terrenos e as condições de conexão ao sistema elétrico aumentam a atratividade de novos mercados.

Energia se torna principal gargalo

O crescimento dos data centers também aumenta a pressão sobre o setor elétrico. Instalações voltadas à inteligência artificial exigem mais energia por área e precisam operar de forma contínua.

Nesse cenário, a conexão à rede representa um dos principais desafios. Projetos podem enfrentar prazos elevados para obter acesso a subestações e linhas de transmissão com capacidade suficiente.

Além disso, as empresas buscam contratos de longo prazo para garantir energia renovável. Os chamados PPAs permitem contratar eletricidade diretamente de projetos de geração, principalmente eólicos e solares.

Por outro lado, a expansão exige soluções para refrigeração. O processamento de chips de IA gera mais calor e aumenta a necessidade de sistemas capazes de controlar temperatura com eficiência. Por isso, tecnologias de resfriamento e indicadores como o PUE ganham importância nos novos projetos.

Cadeia de fornecedores também ganha espaço

A expansão da infraestrutura digital cria oportunidades além das empresas de tecnologia. Geradoras e transmissoras de energia, por exemplo, podem ampliar contratos com operadores de data centers.

Da mesma forma, fundos de infraestrutura e emissões de debêntures podem financiar projetos ligados à expansão da capacidade digital. Empresas de engenharia, montagem industrial, segurança cibernética e refrigeração também tendem a participar dessa cadeia.

Para investidores, entretanto, o avanço do setor exige atenção aos riscos. Licenciamento ambiental, conexão elétrica e custo de capital podem afetar o cronograma e o retorno dos projetos.

Assim, a expansão dos data centers cria uma nova frente de investimentos no Brasil. Ao mesmo tempo, coloca energia e infraestrutura no centro da estratégia de crescimento da economia digital.

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