Mercado de vídeo online no Brasil pode movimentar US$ 14,4 bi

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Consumo de vídeo digital cresce no Brasil, impulsiona a TV Conectada e pode transformar o país no segundo maior mercado de FAST do mundo. (Foto: Glenn Carstens-Peters/Unsplash)

O consumo de vídeo digital no Brasil passa por uma transformação impulsionada pela expansão da TV Conectada (CTV) e das plataformas de streaming. Hoje, os brasileiros assistem, em média, quatro horas de vídeo por dia, enquanto o país se consolida como um dos mercados mais avançados da América Latina nesse segmento.

Segundo projeção da Omdia, o Brasil poderá se tornar, até 2029, o segundo maior mercado internacional de FAST (Free Ad-Supported Streaming TV) em receita, com faturamento estimado em US$ 14,4 bilhões em vídeo online. Além disso, especialistas avaliam que o modelo brasileiro de integração entre CTV e Retail Media poderá servir de referência para outros países latino-americanos.

Os dados fazem parte do estudo “O Panorama do Vídeo Digital na América Latina 2026”, elaborado pela MiQ, que analisou a evolução da TV Conectada e do comportamento do consumidor em Brasil, México, Chile, Argentina, Colômbia e Peru.

TV Conectada muda o consumo de vídeo

A pesquisa mostra que a televisão voltou ao centro da rotina dos consumidores, mas em um formato diferente do modelo tradicional.

Atualmente, 95% dos usuários latino-americanos assistem a conteúdos por meio de Smart TVs. Além disso, 45% do tempo de visualização do YouTube na região já acontece nesses aparelhos.

Ao mesmo tempo, o consumidor passou a alternar diferentes plataformas ao longo do dia. No Brasil, cada residência utiliza, em média, 8,2 serviços de streaming, sendo 4,6 pagos e 3,6 gratuitos.

Segundo Noemi Alcantara, diretora de mídia da Talent Marcel, o mercado ainda enfrenta o desafio de integrar a mensuração entre TV linear, plataformas digitais e TV Conectada. Para ela, a CTV deixou de ser apenas uma extensão da televisão tradicional e passou a funcionar como uma mídia digital premium, capaz de combinar segmentação, personalização e otimização das campanhas.

Publicidade ganha espaço no streaming

O levantamento também mostra uma mudança importante no modelo de consumo.

Hoje, 59% dos latino-americanos preferem plataformas financiadas por publicidade em troca de acesso gratuito ou de mensalidades mais baixas. Como resultado, os modelos AVOD (vídeo sob demanda com anúncios) e FAST seguem em expansão.

Além disso, o mercado publicitário latino-americano já movimenta mais de US$ 40 bilhões, sendo que 56,4% dos investimentos já se concentram na mídia digital.

Jornada do consumidor passa por várias telas

O estudo aponta que o principal desafio das empresas deixou de ser conquistar audiência. Agora, o foco está em medir resultados de forma integrada entre televisão, celular, computador e plataformas digitais.

Além disso, a descoberta de conteúdo começa, na maioria das vezes, pelas redes sociais ou pelo YouTube, passa pelo smartphone e termina na Smart TV.

Nesse ambiente, recomendações de criadores de conteúdo e transmissões esportivas ao vivo ganharam relevância. Como resultado, esses fatores já respondem por uma em cada três novas assinaturas de plataformas de streaming na América Latina.

No Brasil, 80% dos consumidores afirmam já ter comprado produtos indicados por influenciadores digitais.

Para Guilherme Assunção, diretor-geral da MiQ no Brasil, a integração entre televisão, streaming, redes sociais e dispositivos móveis exige que as marcas desenvolvam uma visão unificada da jornada do consumidor para tornar as campanhas mais eficientes e melhorar a tomada de decisão.

Investimentos em CTV continuam avançando

A TV Conectada também amplia espaço entre os anunciantes. A expectativa é que os investimentos em CTV cresçam 23,7% no Brasil em 2026, impulsionados pela expansão da audiência e pelo desenvolvimento de métricas que integrem televisão, mobile e desktop.

Segundo Baptiste Tougeron, Head of Analytics para a América Latina na Omnicom Media, as empresas já começam a combinar dados próprios com plataformas de CTV para construir estratégias de mídia mais precisas. Na avaliação do executivo, essa evolução exige infraestrutura tecnológica robusta e maior capacidade analítica para transformar dados em campanhas mais eficientes.

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