A mineração submarina ganhou espaço na Zona Econômica Exclusiva (ZEE) brasileira e concentra boa parte dos pedidos de exploração no Nordeste. Levantamento do Instituto Internacional Arayara mostra que a Agência Nacional de Mineração (ANM) contabilizava 950 requerimentos de mineração marinha até o fim de 2024, quase metade apresentada a partir de 2020.
Segundo o estudo, os pedidos se concentram principalmente no Nordeste e no Espírito Santo, ampliando o debate sobre os impactos ambientais e econômicos da atividade. Enquanto isso, a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA) discute regras para a exploração em águas internacionais.
Nordeste concentra pedidos de mineração marinha
O Monitor Oceano, desenvolvido pela Arayara, aponta que a expansão dos requerimentos coincide com o interesse crescente por minerais estratégicos, como cobalto, níquel e terras raras, utilizados na indústria de baterias e tecnologias de baixo carbono.
No entanto, a entidade alerta que 22% da pesca comercial brasileira ocorre em áreas sobrepostas aos pedidos de mineração. Dessa forma, comunidades pesqueiras podem enfrentar impactos caso os projetos avancem.
Além disso, o estudo destaca que máquinas utilizadas na exploração submarina podem provocar plumas de sedimentos, ruídos e poluição luminosa, afetando ecossistemas localizados em profundidades de até seis mil metros.
Pesca e biodiversidade estão entre as preocupações
Segundo a Arayara, os impactos não se limitam ao ambiente marinho profundo. A organização afirma que alterações nesses ecossistemas podem comprometer espécies de interesse comercial e influenciar o ciclo de carbono dos oceanos.
Na Bacia de Pelotas, por exemplo, a entidade estima que mais de 132 mil horas de esforço pesqueiro poderão sofrer impactos caso a mineração avance na região.
Brasil discute regulamentação
Enquanto a ISA negocia um Código Internacional de Mineração para áreas em águas internacionais, o Brasil também debate regras para exploração em sua Zona Econômica Exclusiva.
Em dezembro de 2025, a Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados aprovou um substitutivo ao PL 50/2025, que amplia a possibilidade de aplicação das normas da mineração ao leito marinho nacional.
Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, defendeu recentemente a elaboração de um plano diretor para o fundo do mar e citou empresas como Vale e Petrobras entre os potenciais parceiros em futuros projetos.
Debate permanece aberto
Para Juliano Bueno, diretor-presidente do Instituto Arayara, o país deveria priorizar a proteção da Zona Econômica Exclusiva e defender uma moratória global para a mineração submarina enquanto os impactos ambientais ainda são pouco conhecidos.
Por outro lado, o debate ocorre em um contexto de crescente interesse internacional pelos minerais críticos. Países como os Estados Unidos e a Noruega também discutem modelos de exploração em seus territórios marítimos, embora algumas iniciativas tenham enfrentado resistência ambiental.
Assim, o avanço dos pedidos de mineração no Nordeste coloca a região no centro das discussões sobre o equilíbrio entre exploração mineral, preservação dos ecossistemas marinhos e manutenção da atividade pesqueira.
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