O economista americano Paul Krugman afirmou que as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros terão impacto econômico limitado e podem fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação foi publicada nesta segunda-feira (20), em artigo no Substack, dois dias antes da entrada em vigor da sobretaxa de 25% anunciada pelo governo Donald Trump.
Segundo o vencedor do Nobel de Economia de 2008, a estratégia da Casa Branca não alcançará os objetivos pretendidos. Além disso, ele argumenta que a medida pode gerar efeito contrário ao esperado, ao ampliar o apoio político ao governo brasileiro.
Krugman também voltou a defender o Pix, tema que já havia abordado em 2025, quando classificou o sistema brasileiro como “o dinheiro do futuro”. Para o economista, a ofensiva americana reflete uma tentativa de punir o sucesso do modelo brasileiro de pagamentos digitais.
Economista critica justificativas do governo americano
No artigo, Krugman questiona os argumentos apresentados por Washington para justificar as tarifas. Segundo ele, não faz sentido considerar desleal o fato de um país oferecer um sistema de pagamentos mais eficiente à população.
“Por que é injusto um país oferecer a seus cidadãos uma maneira melhor de fazer compras e pagar contas?”, escreveu.
Além disso, o economista afirma que a administração Trump tenta punir o Brasil por ser uma democracia consolidada. Ele cita o processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro após as eleições como um exemplo da atuação das instituições brasileiras.
Krugman também compara o caso do Pix à concorrência entre empresas privadas. Na avaliação dele, perder mercado para um serviço mais eficiente não caracteriza prática comercial desleal.
Pix volta ao centro da disputa comercial
O Nobel de Economia afirma que a resistência dos Estados Unidos ao Pix revela preocupações mais amplas com sistemas públicos de pagamento que possam reduzir a dependência de empresas privadas do setor financeiro.
Ao mesmo tempo, ele lembra que um relatório do Federal Reserve, publicado em 2022, classificou o Pix como um sistema semelhante a uma moeda digital emitida pelo Banco Central.
Para Krugman, o Brasil não tem peso suficiente para ameaçar a posição internacional do dólar. No entanto, ele avalia que um eventual euro digital, planejado pelo Banco Central Europeu para 2029, poderia representar um desafio mais relevante à moeda americana.
Tarifas entram em vigor nesta semana
As tarifas anunciadas pelo governo Trump passam a valer na próxima quarta-feira (22). Embora afetem produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, Krugman considera que o alcance econômico da medida será limitado, principalmente devido à importância de itens como café, suco de laranja e carne bovina para o mercado americano.
Na conclusão do artigo, o economista cita a brasileira Monica de Bolle e concorda que as tarifas tendem a fortalecer politicamente o governo Lula.
“Mas a evidente insensatez dessas novas tarifas não impedirá que elas aconteçam. O governo Trump declarou guerra ao futuro”, conclui Krugman.
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