A morte de Cid Sabóia de Carvalho, um dos nomes mais importantes da comunicação e da política cearense, encerra uma trajetória de quase oito décadas dedicadas ao jornalismo, à vida pública e à produção intelectual. Advogado, professor universitário, jornalista, radialista, escritor, poeta e ex-senador da República, ele deixa um legado que marcou diferentes gerações no Ceará e no Brasil.
Filho do poeta e jornalista Jáder Moreira de Carvalho e da escritora Margarida Sabóia de Carvalho, Cid iniciou sua trajetória na comunicação ainda na infância. Aos 12 anos, já comentava política e esportes nas rádios Uirapuru e Assunção, dando início a uma carreira que se estenderia pelo rádio, televisão, jornais e universidades.
Além da atuação na imprensa, formou-se em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC), onde também lecionou. Ao longo da carreira, publicou livros de poesia, ensaios jurídicos e obras sobre comunicação, além de integrar instituições como a Academia Cearense de Letras, o Instituto do Ceará, a Academia Cearense da Língua Portuguesa e a Academia Cearense de Retórica. Também foi o primeiro presidente da Academia Fortalezense de Letras.
Na política, Cid Carvalho foi eleito senador em 1986 e participou da Assembleia Nacional Constituinte responsável pela elaboração da Constituição Federal de 1988. Durante o mandato, presidiu a Subcomissão do Sistema Financeiro, participou das discussões sobre o sistema tributário e orçamentário e relatou uma das versões do projeto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Também ganhou projeção nacional ao atuar como relator das investigações sobre o esquema de corrupção envolvendo o então presidente Fernando Collor.
Mesmo após deixar o Senado, nunca se afastou do jornalismo. Retornou aos programas de rádio, às colunas de opinião e aos comentários políticos, mantendo o estilo que marcou sua carreira: firme, elegante e fundamentado. Seu conhecido bordão, “Doa a quem doer”, tornou-se uma das marcas registradas de sua atuação profissional.
Nos últimos anos, permaneceu no Grupo Cidade, onde continuou participando do debate público e analisando os principais acontecimentos políticos do país. Seguidor da doutrina espírita, costumava defender uma visão pautada pelo diálogo, pelo conhecimento e pelo compromisso com a informação.
A morte de Cid Carvalho representa a despedida de um dos principais intelectuais públicos do Ceará. Sua atuação no jornalismo, na política, na educação e na produção literária ajudou a formar profissionais, influenciou o debate público e consolidou seu nome como uma das referências da comunicação cearense.
Ao longo de sua trajetória, Cid Carvalho construiu uma carreira marcada pela defesa da informação qualificada, do pensamento crítico e da responsabilidade no exercício da comunicação. Seu legado permanece presente na história do jornalismo e da vida pública do Ceará.
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