O presidente-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia, afirmou que a divulgação informativa dos novos formatos de fornecimento energético através do mercado livre de energia é um dos pilares cruciais para o sucesso gerencial sistemático do projeto.
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De acordo com o presidente da Absolar, a primeira etapa para implementação da abertura do mercado livre no país está prevista para ocorrer em 2027, alcançando a via industrial e comércio de porte maior, e posteriormente, num segundo momento no ano de 2028, a ampliação aos consumidores residenciais.
“Cabe à Agência Nacional de Energia Elétrica como reguladora do setor elétrico brasileiro definir a forma de engajamento junto à sociedade. Nós acreditamos que é fundamental que se realize uma campanha de comunicação para ajudar a informar e educar a sociedade sobre essa possibilidade de adesão ao mercado livre de energia, porque é um conhecimento muito específico, muito técnico que as pessoas no dia a dia não têm, não conhecem essa característica complexa do setor, e a gente precisa traduzir isso para a população de forma simples e objetiva”, acentua Rodrigo.
O presidente da Absolar relata que, com a sanção em novembro do ano passado da lei 15.269 que formaliza as novas diretrizes do setor elétrico brasileiro, permitiu avanços preponderantes, no qual cita a possibilidade de acesso ao mercado livre de energia, como também a possibilidade de consultas públicas. Rodrigo Sauaia aponta que a aprovação da legislação irá buscar soluções para gargalos nos setores das energias renováveis emergentes, solar e eólica. Ele cita como exemplo, a consulta pública 210, de 2025, do Ministério de Minas e Energia.
“Abordagem que trata sobre uma das maiores dores das energias renováveis na história do Brasil, os cortes de geração renovável. Então essa consulta pública vai ajudar a gente a construir uma solução viável para os cortes de geração, para que nós que representamos a fonte solar, a Absolar, e também os nossos parceiros da energia eólica, a Abeeólica, tenhamos condições com os nossos associados de abrir mão da disputa judicial que está hoje em andamento, para proteger o direito desses geradores de ter o ressarcimento desses cortes que não estão sendo pagos”, pontua o presidente.
De acordo com Rodrigo, um dos principais gargalos que causam os cortes de geração de energia renovável é a falta de infraestrutura elétrica adequada, especialmente na região Nordeste, no aspecto de conduzir a energia produzida para o restante do Brasil.
“Porque o Nordeste é um grande polo produtor de energia limpa, renovável e competitiva para o nosso país. Essas linhas de transmissão demoram de quatro a sete anos para serem construídas e implementadas, por isso é fundamental que o Governo siga fazendo leilões anuais de transmissão, para ampliar essa infraestrutura. Foram realizados leilões nos últimos anos, e a gente espera que agora ao longo dos próximos anos, nós tenhamos a entrada de operação de mais linhas de transmissão”, frisa Rodrigo.
“O Nordeste é um grande polo produtor de energia limpa, renovável e competitiva para o nosso país.” Rodrigo Sauaia, presidente-executivo da Absolar
Brasil pode atingir 1º dígito de gigawatt-hora de fonte armazenada para operação
O diretor-gerente da NewCharge Energy, Markus Vlasitis, ressalta que o mercado do setor tem acompanhado crescimento vertiginoso da geração de energia solar fotovoltaica, contabilizando nos dias de hoje a marca de mais de 47 gigawatt (GW) de Micro e Minigeração Distribuída (MMGD), dos quais 15 GW são absorvidos de equipamentos de usinas solares.
O executivo menciona que o Brasil, neste ano, pode ultrapassar a meta do primeiro dígito de gigawatt hora de sistema de armazenamento instalado em operação. Markus afirma que se percebe um crescimento de armazenamento de cargas comerciais industriais, com crescente viabilidade econômica, especialmente na região Nordeste.
“Neste contexto, o armazenamento e, especialmente, as baterias, surgem como aliados naturais da geração. O armazenamento permite que transforme essa fonte altamente competitiva e limpa que é a solar fotovoltaica, permitindo o atendimento de uma forma melhor às variações da demanda”, enfatiza Markus.
Casa dos Ventos em estágio avançado com Hidrogênio Verde
A secretária executiva da Indústria da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), Brígida Miola, salienta que o Governo do Ceará tem se articulado de forma contínua com as sete empresas envolvidas nos trâmites da implantação do Hidrogênio Verde no estado. A gestora disse que, ainda este ano, viabiliza-se a decisão final de investimentos com a Casa dos Ventos, em razão da entidade ter formalizado o parecer de acesso autorizado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
“Essa é a que está bem mais avançada, tanto o projeto do Data Center, que é deles, mas com relação ao Hidrogênio Verde também, que depende muito de mercado externo, internacional. A gente precisa dessa demanda internacional também para poder fazer com que esses projetos aconteçam”, reforça a secretária.
Indagada acerca das pontuações referentes ao enquadramento setorial de sistemas de armazenamento e linha de transmissão no Ceará, Brígida destacou que o governador Elmano de Freitas tem buscado dialogar diretamente com o segmento, e também com o Governo Federal, no intuito de buscar soluções viáveis para o estado.
“O setor tem reclamado bastante por conta desse momento crítico, mas nós estamos buscando dialogar, entender o investidor, o empresário, para poder minimizar cada vez mais esse momento crítico que estamos vivendo agora”, pontua Brígida.
Os esclarecimentos foram concedidos em entrevista exclusiva concedida à Trends durante a 6ª edição do Intersolar Brasil Nordeste, realizado nesta terça-feira (28), no Centro de Eventos do Ceará.
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