48 seleções, 3 países e 1 planeta: o dilema ambiental da Copa mais longa da história

Copa do Mundo de 2026 esg
Estudos recentes estimam que a Copa do Mundo de 2026 poderá emitir entre 7,8 e 9 milhões de toneladas de CO₂. (Foto: Magnific)

A Copa do Mundo de 2026 será um espetáculo inesquecível. Mas também um teste para o futuro dos grandes eventos esportivos. Em um mundo que enfrenta recordes sucessivos de temperatura e eventos climáticos extremos, a pergunta que fica é simples: estamos preparados para expandir o futebol sem ampliar, na mesma proporção, os impactos sobre o único estádio que todos compartilhamos, o planeta Terra? 

O fato é que a Copa de 2026 entrou para a história antes mesmo da bola rolar. Pela primeira vez, o torneio reúne 48 seleções, será disputado em três países, Estados Unidos, Canadá e México, e contará com 104 partidas. O que para muitos representa uma celebração da diversidade do futebol mundial, para especialistas em sustentabilidade também simboliza um dos maiores desafios ambientais já enfrentados pelo esporte. Afinal, até que ponto o crescimento de um megaevento pode ser compatível com os limites do planeta?

A ampliação da competição atende a uma demanda legítima por maior representatividade de países e continentes. Mais nações terão a oportunidade de disputar o principal torneio do futebol mundial. Contudo, essa expansão possui um custo ambiental significativo. Estudos recentes estimam que a Copa de 2026 poderá emitir entre 7,8 e 9 milhões de toneladas de CO₂, tornando-se a edição mais poluente da história do torneio. 

Principal fator por trás da pegada de carbono não está na construção de estádios, como ocorreu em outras edições, mas na mobilidade. Cerca de 85% a 87% das emissões projetadas estão associadas ao transporte aéreo de torcedores, imprensa e patrocinadores entre as 16 cidades-sede espalhadas pela América do Norte.

A contradição é evidente. Nunca se falou tanto sobre ESG, descarbonização e compromisso climático no esporte. Ao mesmo tempo, a principal competição do planeta adota um formato que exige milhares de voos adicionais e deslocamentos continentais. A própria FIFA assumiu compromissos de redução de emissões para as próximas décadas, mas ainda enfrenta questionamentos sobre como equilibrar crescimento econômico, expansão comercial e responsabilidade ambiental. 

O futebol tem um poder único de mobilização social e cultural. Porém, a sustentabilidade não pode ser tratada apenas como uma peça de marketing institucional. A realização de eventos globais precisa incorporar estratégias mais robustas de transporte de baixo carbono, compensação ambiental transparente e planejamento que minimize deslocamentos desnecessários.

Eveline Correia - diretora da Faculdade Inbec e especialista em governança corporativa
Eveline Correia, advogada, especialidade em ESG e consultora do escritório Gustavo Brigido e Associados. (Foto: Acervo pessoal)

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