Estreito de Ormuz: acordo entre EUA e Irã deve reabrir rota do petróleo

Estreito de Ormuz
Estreito de Ormuz deve ser reaberto após acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã, com impacto imediato nos mercados de energia. (Foto: REUTERS/Stringer)

O Estreito de Ormuz voltou ao centro das atenções globais após autoridades dos Estados Unidos e do Irã anunciarem um acordo preliminar para encerrar o conflito iniciado em fevereiro e restabelecer a navegação na principal rota marítima de petróleo do mundo.

Além disso, o entendimento prevê o fim das operações militares em diferentes frentes e abre caminho para novas negociações sobre temas sensíveis, incluindo o programa nuclear iraniano. O memorando de entendimento deve ser assinado oficialmente na Suíça na próxima sexta-feira (19).

Estreito de Ormuz impacta mercado

O anúncio provocou reação imediata nos mercados internacionais. Logo após a divulgação do acordo, os contratos futuros do petróleo Brent recuaram cerca de 4%, enquanto bolsas asiáticas registraram alta.

Segundo Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, o Estreito de Ormuz será reaberto e o bloqueio norte-americano aos portos iranianos será encerrado.

“Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!”, escreveu Trump em publicação na Truth Social.

Com isso, analistas avaliam que a retomada da navegação pode reduzir pressões sobre a oferta global de petróleo e gás.

Novos entendimentos

Embora o acordo represente o maior avanço diplomático desde o início da guerra, questões centrais ainda permanecem em aberto.

Entre elas está o futuro do programa nuclear iraniano. Segundo o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, as partes negociarão um acordo mais amplo durante um período de cessar-fogo de 60 dias.

Ao mesmo tempo, as discussões devem incluir o alívio de sanções econômicas impostas ao Irã.

Líbano segue como ponto de tensão

Apesar do avanço diplomático, o Líbano continua sendo um dos principais pontos de divergência entre os envolvidos.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador das negociações, afirmou que o acordo prevê o encerramento das operações militares em todas as frentes, incluindo o território libanês.

Por outro lado, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que as forças israelenses permanecerão em áreas estratégicas no Líbano, na Síria e em Gaza por tempo indeterminado.

“Se o Irã atacar Israel devido aos eventos no Líbano, nós o atacaremos com toda a nossa força e demonstraremos claramente a ele as disparidades de poder”, afirmou Katz.

Programa nuclear será negociado

O programa nuclear iraniano deve ocupar posição central na próxima fase das negociações.

Durante seu primeiro mandato, Trump retirou os Estados Unidos do acordo nuclear firmado em 2015 entre o Irã e potências internacionais. Desde então, Teerã ampliou o enriquecimento de urânio, aumentando as tensões com países ocidentais.

Enquanto isso, autoridades norte-americanas e iranianas divergem sobre os termos finais de um eventual acordo. Fontes ligadas às negociações indicam que o tema continuará sendo debatido durante o período de cessar-fogo.

Europa acompanha negociações

A União Europeia classificou o anúncio como um avanço potencial para a estabilidade regional.

Segundo Kaja Kallas, chefe da política externa do bloco, a Europa está preparada para contribuir com a próxima etapa das negociações.

“Desde influência econômica até conhecimento nuclear e relações de longa data com parceiros do Golfo, a UE está pronta para contribuir para uma resolução sustentável”, afirmou.

Além disso, Reino Unido, Alemanha, França e Itália sinalizaram disposição para suspender sanções contra o Irã caso o país adote medidas verificáveis para limitar seu programa nuclear.

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