A Inteligência Artificial (IA) pode adicionar entre US$ 1,1 trilhão e US$ 1,7 trilhão à economia da América Latina até 2030. Segundo o relatório Latin America in the Age of AI, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial (FMI) em parceria com a McKinsey & Company, a tecnologia tem potencial para elevar a produtividade regional em até 2,9%.
Além disso, a inteligência artificial surge como uma ferramenta estratégica para enfrentar desafios estruturais da região, incluindo o envelhecimento da população. No entanto, especialistas afirmam que transformar esse potencial em resultados concretos exigirá articulação entre governos, empresas, startups e instituições de ensino.
Inteligência artificial impulsiona produtividade
Durante palestra no Web Summit Rio, Cathy Li, head do Centro de Excelência em Inteligência Artificial do FMI, destacou que a tecnologia ganha relevância diante das mudanças demográficas previstas para as próximas décadas.
Segundo a executiva, cerca de 25% da população latino-americana terá mais de 60 anos no futuro. Nesse cenário, ganhos de produtividade se tornam essenciais para sustentar o crescimento econômico.
“A região também tem um forte apetite dos consumidores por novas tecnologias, um ecossistema maduro de fintechs e uma proximidade cultural que favorece a colaboração entre países”, afirmou Cathy Li.
Vantagens na região
A executiva destacou que a América Latina reúne características favoráveis para disputar espaço na nova economia digital. Entre elas estão setores já consolidados globalmente, como agricultura, turismo e serviços financeiros.
Além disso, a região possui abundância de energia renovável e recursos hídricos, fatores considerados relevantes para a instalação de data centers que sustentam aplicações de inteligência artificial.
Da mesma forma, o crescimento do ecossistema de fintechs fortalece a adoção de novas tecnologias e amplia as oportunidades de inovação.
Desafio de talentos
Apesar das oportunidades, a formação e retenção de profissionais qualificados ainda representam o principal desafio da região. Segundo Cathy Li, muitos especialistas acabam migrando para empresas globais e atuam remotamente para mercados mais desenvolvidos.
Ao mesmo tempo, as empresas enfrentam dificuldades para transformar iniciativas de IA em resultados concretos de negócio. Embora as ferramentas já aumentem a produtividade em diversas atividades, a adoção ainda não alcança os processos centrais da maioria das organizações.
“Para gerar valor real, a transformação precisa ser mais abrangente e vir de cima para baixo”, afirmou.
Inteligência artificial exige infraestrutura
Outro desafio envolve a infraestrutura tecnológica. Embora a América Latina apresente condições favoráveis para receber investimentos em data centers, a capacidade computacional ainda permanece limitada em diversos mercados.
Segundo Cathy Li, a região precisa ampliar investimentos para garantir que os benefícios da inteligência artificial gerem impactos positivos nas economias locais.
“A região não tem uma infraestrutura significativa de IA hoje. Esses investimentos precisam ser feitos de modo a gerar benefícios para as economias locais”, afirmou.
Além disso, a especialista destacou que a insegurança regulatória ainda dificulta decisões de investimento de longo prazo em alguns setores.
Startups
Apesar dos desafios, o Fórum Econômico Mundial identifica sinais positivos para o desenvolvimento do setor. Entre eles estão projetos ligados à OpenAI na Argentina, investimentos da AWS no México e aportes da ByteDance no Brasil.
Paralelamente, iniciativas locais voltadas ao desenvolvimento de modelos de inteligência artificial começam a ganhar espaço na região.
Inteligência artificial demanda colaboração
Na avaliação do FMI, governos e empresas precisam atuar de forma conjunta para criar estratégias nacionais de inteligência artificial com metas claras e indicadores mensuráveis.
Além disso, será necessário ampliar investimentos em infraestrutura digital, redes 5G, fibra óptica e acesso a bases de dados de qualidade. Nesse sentido, a abertura de dados públicos aparece como um dos caminhos para acelerar a inovação.
Por fim, Cathy Li defendeu maior integração entre universidades e mercado de trabalho, bem como o fortalecimento da cooperação entre países latino-americanos.
“Os países da América Latina são muito diversos, mas também compartilham muitos desafios. É preciso criar mais mecanismos para compartilhar experiências e construir soluções juntos”, disse.
Saiba mais:
Voltalia garante conexão no Pecém para projetos de data centers
Direito Digital: professor da UFC leva tese sobre soberania infraestrutural à Europa