CNI contesta fim da taxação sobre compras internacionais

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CNI protocolou ação no STF contra medida que zera imposto sobre importações de até US$ 50 e aponta risco à indústria nacional. (Foto: Magnific)

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) protocolou na última sexta-feira (22) uma ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal contra a medida provisória que encerra a cobrança do imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50.

Além disso, a entidade argumenta que a redução da alíquota de 20% para zero cria um tratamento diferenciado para produtos importados e prejudica a competitividade da indústria nacional. Segundo a CNI, a medida viola princípios constitucionais ligados à isonomia, livre concorrência e proteção do mercado interno.

CNI questiona urgência da medida

A ação também contesta o uso de medida provisória para alterar a tributação das importações de pequeno valor.

Segundo Alexandre Vitorino, diretor Jurídico da CNI, o tema não apresenta urgência suficiente para justificar a adoção do instrumento.

“A redução a zero na tributação das importações de pequeno valor destinadas a pessoas físicas não guarda a necessária urgência para ser validamente editada por medida provisória”, destaca.

“Ainda que o Poder Executivo sustente a relevância da matéria, não se trata de tema urgente ou premente a justificar a utilização excepcional do instrumento previsto no artigo 62 da Constituição.”

Alexandre Vitorino, diretor Jurídico da CNI

CNI aponta impacto na indústria

Além disso, a entidade afirma que a medida amplia desigualdades concorrenciais entre empresas brasileiras e plataformas internacionais de comércio eletrônico.

Segundo a CNI, a desoneração transfere empregos, renda e arrecadação para o exterior e enfraquece o mercado interno.

“Não se questiona o direito da população ao amplo acesso a bens nacionais ou importados. O que se impugna é que esse acesso seja promovido à custa do agravamento das assimetrias concorrenciais suportadas pelos setores produtivos nacionais, da transferência de empregos e renda ao exterior e da renúncia fiscal relevante”, destaca a entidade na ação.

Importações cresceram nos últimos anos

De acordo com dados citados pela CNI, as importações de pequeno valor avançaram de US$ 800 milhões em 2013 para US$ 13,1 bilhões em 2022.

Além disso, o volume de remessas postais subiu de 70,5 milhões em 2018 para 176,3 milhões em 2022.

A entidade também afirma que a tributação implementada em 2024 reduziu o volume de remessas no Programa Remessa Conforme ao longo de 2025.

Segundo a CNI, a taxação preservou aproximadamente:

  • 135 mil empregos
  • R$ 19,7 bilhões na economia brasileira

CNI chama decisão de retrocesso

A entidade avalia que o fim da chamada “taxa das blusinhas” representa um retrocesso para a indústria e o comércio nacional.

Além disso, Vitorino afirma que a medida restabelece vantagens competitivas para produtos estrangeiros em relação aos fabricantes nacionais.

“A medida acentua desigualdade artificial e atribui vantagem competitiva a bens estrangeiros em detrimento da produção nacional”, acrescenta Vitorino.

Isenção mudou com avanço do e-commerce

Segundo a CNI, a isenção sobre remessas de pequeno valor surgiu em um cenário econômico e tecnológico diferente do atual.

Além disso, a entidade argumenta que o crescimento das plataformas internacionais de comércio eletrônico ampliou o alcance da desoneração para operações comerciais realizadas por empresas estrangeiras.

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