O Ceará busca destravar as exportações de pescados no contexto do acordo Mercosul-União Europeia, conforme o secretário executivo do Agronegócio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE-CE), Sílvio Carlos Ribeiro.
Segundo o gestor, atualmente o comércio de pescados cearense para o mercado europeu ainda não ocorre. No entanto, há diálogo em andamento com representantes da comunidade europeia.
Ao passo que as articulações têm sido conduzidas pelo governador Elmano de Freitas junto a representantes de Portugal, Espanha, Bélgica e Holanda.
“Hoje o estado do Ceará é o maior exportador de pescados do Brasil. Do lado da Europa não exporta nada, imagina se a gente conseguisse exportar para lá. Uma empresa como a Robinson Crusoe triplicaria o volume de exportações”, afirmou Sílvio Carlos.
Pescados e setor lácteo concentram preocupações no acordo Mercosul-União Europeia
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (FAEC), Amílcar Silveira, relatou que o setor de pescados e a cadeia láctea emergem como os pontos que detectam apreensão no acordo Mercosul e União Europeia.
De acordo com ele, há articulação envolvendo instituições públicas do estado e entidades ligadas à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Em conclusão, Amílcar avalia que o acordo pode surgir possibilidades para diversos itens do agronegócio cearense.
“De um modo geral, acho que é uma oportunidade para nossas frutas, que nós somos competitivos, e provavelmente nós vamos aumentar as frutas para a União Europeia. O que nos preocupa nesse primeiro momento é a história dos pescados, que nós temos que abrir, e também dos lácteos”, declarou.
Ainda segundo Amílcar Silveira, não há relação envolvendo a produção de camarão do Ceará e o embargo ocorrido em Santa Catarina, em 2018, ligado a irregularidades sanitárias.
Além disso, o presidente da FAEC enfatizou que ocorreram vistorias na Inglaterra envolvendo o camarão produzido no Ceará, o qual aponta que as negociações seguem avançando.
Elmano destaca Complexo do Pecém e logística como vantagens competitivas
O governador do Ceará, Elmano de Freitas, mencionou que o estado possui vantagens competitivas ligadas ao acordo Mercosul-União Europeia, especialmente em virtude do Complexo do Pecém.
“O acordo Mercosul-União Europeia é importante para a indústria, para o agronegócio, para o setor têxtil, mas o agronegócio é importante para a carne, para a fruta, é importante para muitas das nossas produções”, afirmou.
Nesse meio termo, Elmano ressaltou a importância da infraestrutura logística do estado. Nesse contexto, o governador citou investimentos em rodovias e na ferrovia Transnordestina.
Para Elmano de Freitas, o setor lácteo merece acompanhamento diante da competitividade da produção europeia. Segundo ele, será necessário fortalecer a eficiência da cadeia produtiva local.
“Temos que dar atenção também para garantirmos melhoria de eficiência para a nossa cadeia do leite, porque poderemos ter vinda de produtos, mas estamos prontos para nos organizarmos no mercado e avançarmos no mercado europeu”, destacou.
BNB amplia debate sobre acordo comercial e oportunidades para o Nordeste
O presidente do Banco do Nordeste (BNB), Paulo Câmara, afirmou que a instituição busca ampliar as discussões relacionadas ao acordo bilateral.
Segundo ele, o processo de formalização das normas segue em andamento neste ano.
Além disso, o banco pretende atuar nas discussões envolvendo as potencialidades econômicas do Nordeste.
Paulo Câmara destacou ainda a participação do Ceará nos debates sobre temas econômicos e sociais ligados à região.
“Nós queremos um 2026 crescendo ainda mais, crescendo na qualidade, crescendo na quantidade, chegando a mais produtores, seja na agricultura familiar, seja na agricultura empresarial”, afirmou.
Comunicação também integra discussões sobre agronegócio
O diretor comercial do Sistema Verdes Mares, Alex Magalhães, disse que a comunicação pode contribuir para ampliar debates relacionados ao agronegócio.
Alex salienta que o papel dos veículos inclui promover espaços plurais para promoção de debates.
“Os veículos de comunicação têm esse principal desafio, de colocar as ideias mesmo que sejam antagônicas, que elas possam ser diferentes, mas num ambiente de produtividade”, frisou.
As declarações foram concedidas durante a 3ª edição do Cresce Ceará, realizada no Gran Mareiro Hotel, em Fortaleza.
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