A balança comercial do Brasil deve encerrar 2026 com superávit entre US$ 72 bilhões e US$ 75 bilhões, segundo projeção do Fundação Getulio Vargas (FGV) por meio do boletim Icomex de abril. A estimativa considera um cenário sem agravamento do conflito no Oriente Médio no segundo semestre e sem novas tensões comerciais provocadas pelo presidente Donald Trump.
Além disso, o saldo comercial brasileiro mantém trajetória positiva nos primeiros meses do ano. Em abril, o superávit alcança US$ 10,5 bilhões. Com isso, o acumulado de janeiro a abril chega a US$ 24,8 bilhões, valor US$ 7,5 bilhões acima do registrado no mesmo período de 2025.
China como principal motor
A China lidera o saldo positivo entre os parceiros comerciais do Brasil. O superávit com o país soma US$ 11,6 bilhões entre janeiro e abril e representa 47% do saldo total da balança comercial no período.
Além da China, a União Europeia também amplia o saldo comercial com o Brasil, com ganho de US$ 1,4 bilhão em abril.
Enquanto isso, os Estados Unidos ampliam o déficit comercial brasileiro. O saldo negativo sobe de US$ 1 bilhão para US$ 1,4 bilhão. Já a Argentina reduz o superávit com o Brasil de US$ 1,9 bilhão para US$ 815 milhões.
Projeções sobre a balança comercial
As exportações brasileiras para o Oriente Médio avançam 2,3% no acumulado do ano até abril. Ao mesmo tempo, as importações crescem 11,6% no período.
Na comparação entre abril de 2025 e abril de 2026, porém, as exportações para a região recuam 3,5%, enquanto as importações caem 1%.
Segundo o estudo do FGV/Ibre, o avanço da guerra envolvendo o Irã tende a pressionar o comércio exterior brasileiro nos próximos meses.
O relatório destaca possíveis impactos sobre:
- exportações de carne bovina
- exportações de carne de frango
- vendas de milho
- importações de fertilizantes
- compras de adubos
- importações de óleos combustíveis
Além disso, o conflito pode ampliar a volatilidade no mercado internacional de petróleo.
Exportações brasileiras crescem acima das importações
As exportações brasileiras avançam 14,3% em valor na comparação entre abril de 2025 e abril de 2026. Já as importações crescem 6,2% no mesmo período.
No acumulado do ano até abril:
- exportações sobem 9,2%
- importações avançam 2,5%
Além disso, o volume exportado cresce acima dos preços no acumulado anual. Já na comparação mensal de abril, os preços avançam 7,6%, acima da alta de 6,2% no volume.
Nas importações, os preços aumentam no acumulado do ano, enquanto o volume recua 0,4%. Em abril, porém, preços e volume avançam simultaneamente.
Commodities influenciam a balança comercial
O boletim destaca que os preços das commodities seguem como principal fator de influência sobre a balança comercial brasileira e sobre o comércio com a China.
Os preços das commodities exportadas avançam:
- 0,5% no acumulado até abril
- 7,6% na comparação mensal de abril
Enquanto isso, os preços das commodities importadas sobem 40,2% em abril.
Segundo o FGV/Ibre, ainda não há clareza sobre qual tendência deve prevalecer nos próximos meses: a alta das commodities exportadas ou o avanço dos preços das commodities importadas.
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