A indústria brasileira registrou crescimento de 3,8% no faturamento em março de 2026, na comparação com fevereiro, segundo dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria. O desempenho elevou para 9,8% a alta acumulada no primeiro trimestre do ano, acima do nível observado em dezembro de 2025.
Apesar da recuperação mensal, o faturamento da indústria de transformação ainda acumula retração de 4,8% frente ao mesmo período de 2025. De acordo com a CNI, o cenário reflete os impactos da taxa de juros elevada sobre a demanda por bens industriais.
Juros altos reduzem demanda por bens industriais
Segundo o gerente de Análise Econômica da entidade, Marcelo Azevedo, a desaceleração começou no fim de 2024 e seguiu ao longo de 2025.
“A demanda por bens industriais perdeu força devido aos juros altos, afetando o faturamento industrial na comparação anual”, explicou.
O cenário de crédito mais caro atingiu principalmente setores ligados ao consumo e aos investimentos produtivos, reduzindo o ritmo da atividade industrial no país.
Produção industrial mantém trajetória de crescimento
Os Indicadores Industriais também apontam crescimento no número de horas trabalhadas na produção pelo terceiro mês consecutivo. Em março, o avanço foi de 1,4%, após altas de 0,8% em janeiro e 0,6% em fevereiro.
A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) da indústria passou de 77,5% para 77,8% entre fevereiro e março. Mesmo com a melhora, o índice segue abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, indicando ociosidade no parque fabril brasileiro.
Massa salarial da indústria registra alta em 2026
Outro dado positivo foi o crescimento da massa salarial industrial. No primeiro trimestre de 2026, o rendimento dos trabalhadores da indústria subiu 1,5%, enquanto o total pago em salários ficou 0,8% acima do observado em 2025.
O desempenho da indústria brasileira em 2026 mostra sinais de recuperação gradual, embora o setor ainda enfrente desafios relacionados ao crédito, consumo e ritmo da atividade econômica.
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