Ceará apresenta plano para se tornar o principal hub de tecnologia do Brasil

zpe ceará e data centers
Governo do Ceará detalha plano para atrair Data Centers, com investimento de R$ 200 bilhões da Omnia até 2033. (Foto: Divulgação/ZPE Ceará)

O Ceará apresentou, nesta quarta-feira, no Centro de Eventos do Estado, um plano para atrair Data Centers e ampliar a participação na economia do conhecimento. Fábio Feijó, secretário do Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE), expôs a estratégia durante o painel “Data Centers na Região Nordeste”, no InterSolar Brasil Nordeste, e vinculou a iniciativa à combinação entre localização geográfica, oferta de energia renovável e infraestrutura de conectividade.


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Feijó detalhou o projeto da Omnia Data Centers na Zona de Processamento de Exportação do Ceará (ZPE Ceará) e afirmou que o investimento total supera R$ 200 bilhões nas quatro fases até 2033, valor próximo ao Produto Interno Bruto (PIB) de 2023 do Estado, de R$ 232 bilhões. A primeira fase está em obras desde janeiro, com aporte de R$ 55 bilhões, dos quais R$ 12 bilhões vão para a infraestrutura física, enquanto a escala final equivale, segundo a apresentação, a seis shoppings RioMar.

O secretário disse que o Ceará “conjuga os verbos manter, melhorar e avançar” e colocou os Data Centers no centro da estratégia. “A nossa ambição é atrair o cliente do Data Center — as Big Techs e OTTs. Se o Porto do Pecém nos permite atrair a indústria tradicional, os Data Centers serão o nosso porto digital. O capital humano cearense é o nosso maior ativo, e a matéria-prima para a indústria do conhecimento é gente qualificada”, afirmou Fábio Feijó.

Feijó também listou os pilares que sustentam a atração desses investimentos. O Ceará, segundo ele, tem capacidade de gerar até 643 GW somando eólico e solar, com complementaridade capaz de garantir energia 24 horas por dia aos Data Centers. Vale destacar ainda a logística, com a Transnordestina prevista para o segundo semestre de 2025, e a conectividade, já que o estado conta com 18 cabos submarinos e ocupa a segunda posição entre as regiões mais conectadas do mundo.

Na educação, Feijó mencionou que o Ceará tem 87 das 100 melhores escolas públicas do Brasil e receberá o novo campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Para ele, essa base ajuda a formar engenheiros em energias renováveis e sistemas de TI. O secretário também destacou a política de compra local, que leva o governo a “cotar” com empresas cearenses, e informou que, dos R$ 190 milhões já contratados pela Omnia em três meses, 90% ficaram com empresas locais.

Feijó disse ainda que a chegada do cliente da Omnia, como o TikTok, deve trazer cerca de 15 cargueiros aéreos mensais da China para o Ceará a partir de 2025. Segundo ele, esses voos voltarão vazios se o Estado não usar a inteligência de governo para conectar tecnologia e produção local. “Estamos planejando usar o frete de retorno para exportar melão, vestuário, calçados e flores”, afirmou, ao defender que os Data Centers também criam efeitos sobre o agronegócio e o interior do Estado.

O secretário encerrou a apresentação ao dizer que a ZPE Ceará garante segurança jurídica e isenção tributária para exportadores de serviços, o que, na avaliação dele, coloca o Estado em posição de exportar dados com competitividade global. O painel teve mediação de Joaquim Rolim, gerente de Desenvolvimento Sustentável da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), e reuniu Rodrigo Abreu, CEO da Omnia Data Centers, Tito Costa, Chief Revenue Officer da Tecto Data Centers, e Daniel Lima, diretor da Agrosolar Investimentos Sustentáveis.

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