National bank: estratégia do Itaú mira clientes de alta renda no exterior

itaú e neospace
Foto: Shutterstock

O Itaú Unibanco formalizou, em março de 2026, um pedido ao Office of the Comptroller of the Currency (OCC) para operar como “national bank” nos Estados Unidos, com foco na ampliação de serviços financeiros no país. A iniciativa ocorre em meio ao avanço da presença internacional de clientes brasileiros e prevê oferta de crédito, cartão e financiamento imobiliário. A estratégia mira uma base de 2,3 milhões de clientes de alta renda, considerando a evolução do comportamento desse público fora do Brasil.


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A movimentação integra um ciclo mais amplo de internacionalização, que ganhou tração nos últimos anos e, agora, entra em fase operacional. A operação em Miami, ativa desde 2007, deve expandir seu escopo além da gestão de investimentos, enquanto o banco busca estruturar um hub financeiro para clientes com patrimônio e despesas no exterior. O prazo estimado para início das atividades completas varia entre 16 e 22 meses após aprovação regulatória.

O avanço responde a mudanças no perfil do cliente, segundo Percy Moreira, CEO do Itaú nos EUA. “A operação foi pensada para um cliente que investia fora, mas mantinha sua vida financeira no Brasil. Esse perfil evoluiu. Hoje há famílias com presença mais permanente fora do país, com despesas, patrimônio e necessidades locais”, disse ao Valor Econômico. Nesse contexto, o banco direciona sua oferta para segmentos como Itaú Private e Personnalité, com critérios de renda e patrimônio definidos.

Os dados reforçam essa estratégia. Desde 2021, a alocação internacional do Itaú Private cresceu cerca de 80%, enquanto, dos R$ 1,5 trilhão sob gestão, 20% estão fora do Brasil, o equivalente a R$ 300 bilhões. Desse total, dois terços concentram-se nos Estados Unidos e um terço na Suíça. Além disso, estimativas do banco indicam entre US$ 500 bilhões e US$ 600 bilhões em patrimônio de brasileiros no exterior.

Bancos brasileiros ampliam presença nos EUA

O movimento do Itaú ocorre em paralelo à expansão de outros bancos brasileiros no mercado americano, o que indica uma disputa por espaço entre instituições que adotam estratégias distintas. O Nubank recebeu aprovação condicional do OCC e projeta iniciar operações até 2027, com foco no varejo digital, enquanto o BTG Pactual já atua como banco após adquirir o M.Y. Safra Bank.

Nesse cenário, o Itaú busca diferenciação ao expandir a partir de sua base atual de clientes, sem priorizar a aquisição de consumidores locais. Segundo Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, o objetivo é atender clientes latino-americanos que demandam soluções integradas entre países. A Avenue, controlada pelo próprio banco, segue como plataforma de investimentos sem sobreposição direta com o private.

A corrida por licenças bancárias nos Estados Unidos, com foco em Miami, sinaliza uma reorganização do setor financeiro brasileiro no exterior. Um mês após o anúncio, o pedido do Itaú ao OCC se consolida como parte de uma tendência estrutural, que acompanha a crescente internacionalização do patrimônio e das operações de clientes de alta renda.

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