Os gêmeos digitais, réplicas virtuais de ambientes físicos capazes de simular cenários e antecipar decisões, começam a ganhar escala no Brasil com aplicações práticas na saúde e na indústria. Segundo o Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE), a tecnologia já apresenta resultados mensuráveis no país e tem contribuído para reduzir custos, otimizar processos e acelerar operações em hospitais e ambientes industriais. Em um hospital público, por exemplo, a aplicação da ferramenta reduziu em até 58% o tempo de entrega de exames laboratoriais e gerou economia anual superior a R$ 300 mil.
Quer receber os conteúdos da TRENDS no seu smartphone?
Acesse o nosso canal no Whatsapp e fique bem informado
“Ao criar uma representação virtual completa de um ambiente real, conseguimos testar cenários e antecipar decisões antes que elas aconteçam. Isso muda completamente a lógica da gestão, porque reduz incertezas e melhora a eficiência operacional”, afirma Cristiane Pimentel, membro sênior do IEEE e professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

Na área da saúde, os primeiros projetos mostram impactos diretos na reorganização de fluxos críticos, como coleta e análise de exames, movimentação de pacientes e distribuição de medicamentos. Segundo especialistas, a redução no tempo de exames influencia diretamente situações de urgência e procedimentos como partos, já que permite decisões clínicas em menor tempo e aumenta a segurança do atendimento.
“Quando falamos de saúde, não estamos falando apenas de eficiência, mas de vidas. Reduzir o tempo de um exame pode significar decisões mais rápidas e maior segurança para pacientes em situações críticas”, destaca Pimentel. Outras melhorias observadas incluem redução de filas, melhor uso de equipes e implantação de farmácias satélites para acelerar atendimentos emergenciais.
No setor industrial, os gêmeos digitais avançam com integração de sensores e dados em tempo real. Entre os principais usos estão as chamadas “learning factories”, estruturas que permitem simular mudanças em escala reduzida antes da implementação prática. A tecnologia também amplia presença na logística e na gestão de cadeias de suprimento, com aplicações voltadas à simulação de rotas, previsão de riscos e otimização da distribuição diante de cenários de instabilidade global.
A evolução da ferramenta também ocorre em paralelo ao avanço da inteligência artificial (IA), que amplia a capacidade analítica dos sistemas. “Na fase mais avançada, a inteligência artificial passa a interpretar os dados e apoiar a tomada de decisão. Mas, especialmente na saúde, ela amplia a capacidade de análise”, afirma Cristiane. Apesar disso, especialistas destacam que a supervisão humana permanece central nos processos decisórios, sobretudo em áreas sensíveis.
Embora os gêmeos digitais avancem no Brasil, a expansão da tecnologia ainda enfrenta entraves relacionados ao alto custo de implementação, necessidade de infraestrutura adequada, baixa confiabilidade de dados em parte das organizações e carência de profissionais multidisciplinares. Para o IEEE, o crescimento da ferramenta representa uma mudança estrutural na forma como empresas e instituições planejam e operam, com potencial para ampliar eficiência, sustentabilidade e qualidade em diferentes setores.
Saiba mais:
Hospital Santa Joana segue trabalho para ampliação do setor de oncologia
SOPAI é um dos três hospitais a receber “Upinha” durante quadra chuvosa
Siga a Trends:
Instagram | LinkedIn | Facebook | Telegram | YouTube | Google Notícia