“O mercado imobiliário moderno se posiciona na construção direcionada ao aluguel”, aposta Gustavo Favaron

Por: Eleazar Barbosa | Em:
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O dispositivo proporciona gerar receita todo mês, como se fosse um negócio, com expertise profissional e administração afinada. (Foto: LIDE – RN)

O grau de experiência e vivência de Gustavo Favaron no universo do mercado imobiliário, ou com a nova nomenclatura que intitula o setor, o Real Estate, o posiciona no seleto grupo de especialistas que dominam as diretrizes e congrega conhecimento amplo na área.


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Gustavo Favaron é CEO Global & Managing Partner do GRI Institute, corporação global agregada em mais de 110 países e interligada de forma estratégica a mais de 20 mil líderes sêniores, conectados à consultoria de Real Estate e Infraestrutura. Favaron é formado em Direito e Ciências Sociais, mestre em Relações Internacionais e com especialização em Real Estate pela London School. O executivo comanda a instituição que redimensiona ações de cunho de elaboração de projetos para implementar decisões estratégicasantecipar tendências e moldar o futuro do mercado imobiliário emergente.

Gustavo será o palestrante do Trends Experience 2026, evento realizado pela Trends e pela VSM Comunicação, com data marcada para o dia 17 de março, em Fortaleza. O especialista vai trazer um debate de alto nível sobre as principais tendências e oportunidades do Real Estate no Brasil. Vale lembrar que o evento é exclusivo para convidados.

Na avaliação do gestor, a inovação de maior impacto na transformação pragmática no Brasil do Real Estate se configura na percepção que a conjuntura do setor absorve que renda recorrente é um ativo, não apenas um subproduto. A explicação é a aplicabilidade do modelo de multifamily, que na prática significa que em vez de construir para vender unidades, constrói para alugar.

“O empreendimento inteiro, gerido por uma operação profissional, gera receita todo mês, como se fosse um negócio. Pense num prédio residencial que funciona como um hotel bem administrado — com serviços, tecnologia, comunidade — mas onde as pessoas moram de verdade, por meses ou anos. Esse modelo existe há décadas nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil está chegando agora com força. E junto com ele, retrofit para renda e short stay profissionalizado — formatos que ampliam o cardápio de quem quer diversificar além da lógica tradicional de lança, vende e entrega. Quem entender essa transição antes do mercado vai construir vantagem competitiva que demora anos para ser replicada”, complementa Favaron.

As inovações que permeiam o englobamento sob o ponto de vista do CEO do GRI Institute delineiam na democratização e o acesso aos dispositivos de investimento coletivo que reúnem recursos de diversos investidores para aplicar no panorama do Real Estate, os chamados Fundos de Investimento Imobiliário, os FIIs. E uma segunda abordagem neste requisito é a aplicação da tecnologia, que influencia na operação, desde a gestão de condomínios a custo menor, infiltrando na gestão de precificação dinâmica, análise de portfólio e o desenho de produtos eficientes.

A pandemia acelerou o Real Estate em uma geração

Gustavo Favaron relata que a pandemia proporcionou o avanço logístico do mercado imobiliário em dois ou três anos, o que, sob a respectiva análise, levaria uma geração para acontecer.

O capital global se tornou mais sofisticado e mais seletivo. E a tecnologia deixou de ser um tema de startups para se tornar pauta central nos conselhos das maiores gestoras do mundo. Eu costumava dizer que o setor imobiliário era o mais resistente à mudança entre todos os grandes mercados. Deixou de ser. Vimos a digitalização redesenhar completamente as relações de uso — escritórios, varejo, logística e residencial”, acentua Favaron.

O especialista direciona que o GRI Institute acompanha as mudanças iminentes, e a conclusão estabelecida é que o ecossistema aponta que o mercado global de Real Estate emana propósitos mais complexos e conectados, “e, por isso mesmo, mais interessantes”, realça Favaron.

O capital global se tornou mais sofisticado e mais seletivo. E a tecnologia deixou de ser um tema de startups para se tornar pauta central nos conselhos das maiores gestoras do mundo.”

Brasil em efervescência com o mercado imobiliário atual

O gestor destaca que o mercado imobiliário brasileiro na atualidade gerencia um momento de maturidade acelerada, num setor que combina escala continental com diversidade de segmentos, em estabelecimentos que compreendem o residencial popular aos mais sofisticados, o qual inclui ao circuito dos data centers.

“O que me chama atenção hoje é a profissionalização das empresas e a crescente sofisticação dos investidores. Ainda há desafios estruturais sérios — custo do capital, burocracia, assimetria de informação — mas a resiliência do mercado brasileiro é notável. O setor continua sendo um dos principais destinos de capital dentro do país, e começa a atrair olhares internacionais de forma mais consistente. Sou um observador privilegiado por estar em contato permanente com líderes de todos os continentes, e posso dizer: o Brasil é visto lá fora com mais interesse do que muitos brasileiros percebem”, alerta Favaron.

Em relação às tendências internacionais, que conjugam a EuropaÁsia e Estados Unidos, o analista ressalta que o Brasil possui identidade própria na ala de atuação, e avalia que o procedimento é um ativo estratégico, não uma limitação.

“Nos Estados Unidos, o multifamily já é mercado maduro, institucionalizado, com fundos negociados em bolsa e ciclos bem estudados. É de lá que vêm algumas das melhores referências operacionais para o que o Brasil começa a construir agora. A Europa tem uma cultura consolidada de locação de longo prazo e padrões de sustentabilidade que são referência global — e o movimento de retrofit de centros urbanos que vemos lá é algo que começa a aparecer aqui de forma muito concreta, em São Paulo, Campinas, Belo Horizonte e Recife. A Ásia combina velocidade de urbanização com inovação em produtos de uma forma impressionante”, explica Favaron.

No caso brasileiro, o especialista menciona que o país absorve influências de todos esses mercados, e pontua que o mercado tupiniquim tem se dedicado ao contexto com mais sofisticação nos últimos anos.

Favaron salienta que o Brasil possui especificidades como a dimensão continental, a estrutura demográfica, o déficit habitacional concentrado na classe média e o padrão de mobilidade urbana.

Gustavo Favaron destaca que o Real State brasileiro absorve tendências internacionais, mas que possui a própria identidade.  

“Quem simplesmente importa modelo sem adaptar, erra. Quem aprende com o mundo e projeta para a nossa realidade, acerta.”

Brasil: Economia, aprimoramento do Real Estate e mercado nordestino

Para Gustavo Favaron, a economia brasileira é um paradigma que influencia as transações do mercado imobiliário de forma determinante. O advogado e sociólogo averigua que o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) do ano passado atingiu os patamares de 6,10%, atrelado a subida da mão de obra que alcançou cerca de 9%.

O sociólogo destaca que a taxa de juros elevada a 15% não afeta apenas o custo do crédito imobiliário, mas muda a percepção de risco do capital, comprime a margem dos projetos que dependem de financiamento, e pressiona o spread bancário no aspecto que a resolutividade não ocorre apenas com a queda dos juros, porque Favaron elucida que o poder de compra do consumidor não acompanha o encarecimento estrutural do imóvel, ocasionada em tese na prática pelos juros elevados.

“E isso cria uma tensão que o setor precisa endereçar com inteligência de produto e modelo de negócio, não apenas esperando o ciclo virar. Dito isso, o juro alto também cria janelas para quem sabe ler o ciclo: terrenos mais negociáveis, menos concorrência disputando o mesmo projeto, construtoras com agenda disponível. Os melhores incorporadores que conheço não reagem ao ciclo econômico — eles se posicionam antes”, frisa o CEO do GRI Institute.

Gustavo Favaron cogita três frentes complementares de ações a serem adotadas para aprimorar o segmento do mercado imobiliário no Brasil. Primeiro na conjugação da mentalidade, ao que consiste que o setor precisa superar a lógica do ciclo anterior — lança, vende, entrega, repete — e incorporar uma visão de portfólio, receita recorrente de horizonte de longo prazo.

“A segunda frente é de capital: precisamos amadurecer os instrumentos de financiamento de longo prazo, aproximar o capital institucional das novas teses — multifamily, retrofit, short stay — e construir trilhas de saída que tornem esses ativos atrativos para fundos. A terceira é de governança e operação: produto bem desenhado, tecnologia reduzindo custo de condomínio, gestão profissional de comunidade e dados de ocupação sendo usados com inteligência. O mercado que vem é mais profissional. E mercados mais profissionais selecionam”, enfatiza o especialista.

Ao que concerne as vertentes do mercado imobiliário relacionadas ao Nordeste, Gustavo considera que a região é sinalizada com identidade e demanda real represada, localidade que por muito tempo foi subestimada pelo capital, o qual destaca que nos dias atuais emerge solidamente nas interlocuções estratégicas de líderes de todo o Brasil e do exterior.

“O Ceará em particular tem algo que me chama atenção: uma combinação de vocação para o turismoinfraestrutura que foi construída com consistência ao longo dos anos e um mercado residencial de médio e alto padrão que surpreende quem olha de fora pela primeira vez. Fortaleza tem peculiaridades que fazem o modelo de produto tradicional ainda funcionar bem — mas a cidade também está madura para receber as novas teses. Multifamily, short stay profissionalizado, retrofit em áreas centrais. O Nordeste como um todo tem uma janela de oportunidades que os incorporadores mais atentos já estão vendo”, evidencia Favaron.

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Maquete do novo empreendimento da BSPAR, o residencial BS Rubi, que será construído no bairro Cocó, em Fortaleza. (Foto: Divulgação)

“O Nordeste como um todo tem uma janela de oportunidades que os incorporadores mais atentos já estão vendo.”

ESG e conselhos para futuros investidores no setor

A agenda ambiental, social e governança, ou ESG, angariou protagonismo, o que segundo o estudo analítico de Favaron, a conjuntura no Real Estate deixou de ser pauta de reputação para se tornar condição de acesso à capital. O cenário de impacto se estima nos processos de modernização e revitalização de edifícios, o conceito de retrofit, no qual Favaron aponta que no Brasil se evidencia que 76% dos executivos globais planejam retrofits profundos nos respectivos portfólios, segundo dados de 2025 da consultoria corporativa Deloitte.

“Projetos como a requalificação do centro de São Paulo — onde R$ 200 milhões de capital público alavancaram R$ 1 bilhão privado — mostram que sustentabilidade e retorno financeiro não são contraditórios. São complementares quando bem estruturados. O Brasil está em processo de maturação, sendo honesto. Temos empresas na fronteira global, mas o mercado, como um todo, opera com grandes assimetrias. O que me anima é que a pressão está vindo de baixo e de cima ao mesmo tempo: municípios criando incentivos para retrofit e mudança de uso, e investidores institucionais exigindo métricas”, frisa o CEO.

Os conselhos que Gustavo Favaron elenca para executivos que pretendem ingressar no mercado são, em primeiro lugar, o critério personalizado. O gestor elucida que o dia a dia de uma incorporadora é frenético, operando com pouca margem para erro, parâmetro de clarividência no mercado.

O especialista alerta que percebeu uma significativa evasão profissional do setor não por falta de oportunidade, mas por eles se apoiarem a conjecturas operacionais efetuadas no passado, no que se conceitua no formato de que “sempre deu certo”, até que, com as mudanças, os alinhamentos comecem a dar errado.

Uma segunda orientação é compreender as ramificações do capital antes de entender o produto, em saber comparar o retorno do projeto com o ciclo inteiro. O terceiro é diversificar a lógica de receita. “quem depende exclusivamente de lançamento para ter caixa fica refém do humor do mercado de crédito. Renda recorrente muda esse jogo”, afirma Favaron.

Em quarto lugar — o mais humano e o mais subestimado — é cultivar relações de longo prazo com outros líderes do setor. “Os melhores movimentos que vi acontecer no mercado imobiliário global nasceram de conversas francas entre pessoas que se respeitam e confiam umas nas outras. É exatamente por isso que o GRI Institute existe há mais de 25 anos”, finaliza o gestor.

Trends Experience vai debater sobre Real Estate no primeiro evento do ano

Trends e a VSM Comunicação realizam, no próximo dia 17, o Trends Experience, maior evento multissetorial do Nordeste. No primeiro encontro do ano, Gustavo Favaron, CEO Global & Managing Partner do GRI Institute, irá ministrar palestra com o tema: “Para Onde Vai o Mercado Imobiliário – Tendências e Oportunidades”. O evento será exclusivo para convidados.

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