Agroamigo chega à maioridade como guardião do avanço de pequenos produtores familiares

Por: Gladis Berlato | Em:
Tags:
agroamigo bnb

Os recursos do Agroamigo financiam atividades agrícolas, pecuárias ou outras atividades não agropecuárias no campo, como turismo rural, agroindústria, pesca, serviços no meio rural e artesanato. (Foto: Arquivo BNB)

O que têm em comum Maria Michele, Fábio e Maria Conceição? Além da vocação como produtores rurais, eles são beneficiários do Agroamigo, o programa de microfinança rural do Banco do Nordeste (BNB) lançado em 2005 para apoiar agricultores familiares enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Os recursos do Agroamigo financiam atividades agrícolas, pecuárias ou outras atividades não agropecuárias no campo, como turismo rural, agroindústria, pesca, serviços no meio rural e artesanato.


Quer receber os conteúdos da TRENDS no seu smartphone?
Acesse o nosso canal no Whatsapp e fique bem informado


Trata-se de um programa que conta com uma carteira ativa de R$ 18,27 bilhões, 1,96 milhão de clientes com operação ativa e R$ 5,16 bilhões em valores contratados no Plano Safra 2025/2026. Nada acanhado para uma iniciativa que nasceu tímida e virou o jogo do endividamento superior a 80% para uma inadimplência pouco acima de 2%.

“Agente de felicidade”

Em entrevista ao portal TrendsCE, o superintendente de Agronegócio e Microfinança Rural do BNB, Luiz Sérgio Farias Machado, diz que o Agroamigo nasceu em 2005 com a proposta diferenciada de ir muito além da concessão de crédito a custos viáveis aos pequenos produtores que marcavam presença constante no CAD Único como inadimplentes. O propósito era tornar sua produção sustentável econômica e ambientalmente.

Luiz Sérgio Farias Machado, superintendente de Agronegócio e Microfinança Rural do BNB. (Foto: Arquivo BNB)

Os atuais 1500 agentes de microfinanças do Agroamigo elaboram, projetam e monitoram os empreendimentos dos microprodutores, o que reduziu a inadimplência para 2,3%, um fato relevante diante do universo de atuação do Banco e do porte do programa, que realiza 3000 operações de crédito diariamente.

“O Agroamigo atua como um agente da felicidade ao realizar sonhos e promover o desenvolvimento.”

Luiz Sérgio Farias Machado, superintendente de Agronegócio e Microfinança Rural do BNB

“Mais do que recurso, oferecemos conhecimento, gestão, educação financeira e valorização profissional, como fruto de uma discussão democrática e de total respeito com a sabedoria local”, comenta o superintendente Luiz Sérgio Machado.

Em 2025 o BNB, desembolsou R$ 10,7 bilhões em crédito para mais de 766 mil produtores rurais pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) em toda sua área de atuação, que abrange os estados nordestinos e parte de Minas Gerais e Espírito Santo. Um aumento de 12,4% em volume contratado sobre 2024 e 8,8% em número de agricultores beneficiados.

Deste total, mais de R$ 9,5 bilhões foram somente pelo Agroamigo. O Ceará, que recebeu mais de 20% dos recursos do Pronaf no último ano, se destaca também no Agroamigo com 100 mil contratos e R$ 1,24 bilhão.

Mulheres e jovens

Luiz Sérgio Machado classifica o Agroamigo como um agente da felicidade ao realizar sonhos e promover o desenvolvimento. E aponta estudos do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que comprovam que houve aumento do Valor Bruto da Produção dos municípios de menor porte onde o Agroamigo atua com aumento de arrecadação e de PIB per capita.

Equipamentos, conectividade, melhoramento genético e outras tecnologias integram o “pacote” oferecido, inclusive a melhoria sanitária das famílias. Ele conta que em 2025 foram aplicados R$ 252 milhões na reforma e construção de banheiros como forma de combater a legião de 2,0 milhões de brasileiros sem instalações adequadas e dignas.

O executivo garante que os planos são de continuar levando tecnificação ao campo para tornar mais produtivas tarefas rotineiras como a trituração da forragem, o corte do pasto e a ordenha. Ele destaca o Agroamigo Jovem (16 a 29 anos), que visa garantir a sucessão. No ano passado, 528 jovens foram beneficiados com R$ 315 milhões.

Da mesma forma as mulheres se destacam no Agroamigo com representatividade de 53,8% do valor das operações que superaram os R$ 5,160 bilhões. Em 21 anos, o BNB aplicou R$ 51,8 bilhões em 9,0 milhões de contratações de 3,25 milhões de clientes. Neste período, as mulheres continuam no topo com 31% das operações envolvendo produtoras rurais e atividades não-agrícolas, como fabricação de queijo, bolo, doces, pousadas e serviços no meio rural.

Segundo o superintendente Luiz Sérgio Farias Machado, o desempenho de 2025 foi o melhor da história. “O BNB atua além da horta e da lavoura. Ele chega ao bem-estar do microprodutor, caso da melhoria sanitária das famílias, além de equipamentos, conectividade, melhoramento genético e outras tecnologias”, afirma.

Da ovinocultura para a olericultura

Há uma década participante do programa Agroamigo, Maria Michele Oliveira começou sua atividade rural com a criação de ovelhas. O tempo trouxe a expansão. A opção foi para o cultivo de hortaliças. Para isso, ela buscou capacitação em olericultura, sempre com foco na produção orgânica e sustentável.

Maria Michele Oliveira, produtora rural. (Foto: Arquivo BNB)

A produtora vê o BNB e o Agroamigo como “um ponto de apoio e um incentivo ao desenvolvimento da agricultura familiar”. Hoje produz grande diversidade de verduras, dentre as quais estão coentro, alface, pimentão e cebolinha.

O mercado de atuação fica nas redondezas, como sua própria cidade, Mauriti (CE), e também vende para as regiões próximas. Como cliente do BNB, já está na sua terceira operação de crédito, agora pelo Pronaf Semiárido. Com os financiamentos, ampliou a produção, comprou equipamentos, adquiriu um transporte, reformou sua casa e passou a empregar cinco famílias da comunidade, provando o poder multiplicador do apoio técnico e de crédito.

Produção leiteira

Nascida em Banabuiú (CE), a filha de agricultores Maria da Conceição Silveira Lemos sempre enfrentou as dificuldades da vida no campo. Casada com Fábio Júnior, também agricultor, viu uma oportunidade de mudar sua realidade em 2004, com a chegada do programa Agroamigo do Banco do Nordeste. O primeiro crédito serviu para comprar uma vaca, que acabou morrendo. Sem pensar em desistir, o casal conseguiu comprar terras próprias, em 2018, com a venda dos animais que tinha.

Maria da Conceição Silveira Lemos e Fábio Júnior, produtores rurais. (Foto: Arquivo BNB)

Com novos financiamentos do Agroamigo, Maria da Conceição e o marido investiram na melhoria da produção leiteira, em Quixadá (CE), chegando a 91 bovinos e 800 litros de leite/dia. Dona Conceição afirma que o Agroamigo e o Banco do Nordeste fazem parte de cada capítulo da sua história de luta, de recomeço e de conquistas, como ver a filha cursando Enfermagem e a família ter conseguido casa própria, carro, moto e uma propriedade estruturada para prosseguir em sua jornada vitoriosa.

Saiba mais:


Siga a Trends:

Instagram | LinkedIn | Facebook | Telegram | YouTube

Top 5: Mais lidas