Segundo as previsões do Fundo Monetário Internacional, a Índia deve superar o Japão neste ano como a quarta maior economia mundial. (Foto: Freepik)
União Europeia (UE) e Índia formalizaram nesta terça-feira (27) um acordo comercial que cria uma zona de livre comércio com 2 bilhões de pessoas. O pacto, concluído após duas décadas de negociações, tem o objetivo de proteger as partes da concorrência chinesa e dos efeitos da guerra tarifária iniciada pelos Estados Unidos, além de impulsionar o comércio bilateral por meio da redução de tarifas em diversos setores.
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Narendra Modi, primeiro-ministro indiano, destacou que o acordo “representa quase 25% do PIB mundial e um terço do comércio internacional”. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, afirmou na rede social X que as partes concluíram “a mãe de todos os acordos” e criaram uma zona de livre comércio que beneficiará ambos os lados.
Segundo Bruxelas, a redução das tarifas indianas sobre as importações europeias deve permitir à UE economizar até 4 bilhões de euros por ano (4,75 bilhões de dólares ou 25,1 bilhões de reais). A Alemanha elogiou o pacto como um motor de crescimento e empregos para a economia europeia. O anúncio acontece após a UE assinar, em 17 de janeiro, um acordo com o Mercosul depois de mais de 25 anos de negociações, embora o Parlamento Europeu tenha remetido o documento à Justiça do bloco para avaliar sua legalidade.
Com o acordo, as tarifas indianas sobre veículos europeus passarão de 110% para 10%, enquanto as do vinho cairão de 150% para 20%. Produtos como massas e chocolates, que atualmente enfrentam tarifas de 50%, terão essas cobranças totalmente eliminadas, segundo as autoridades europeias. Von der Leyen afirmou que a UE espera ser beneficiada pelo nível de acesso mais elevado já concedido a um parceiro comercial ao mercado indiano, tradicionalmente protegido, e acredita que o bloco dobrará suas exportações para o país asiático.
A Índia, por sua vez, espera ampliar as exportações de têxteis, joias, pedras preciosas e produtos de couro para o mercado europeu. Em 2024, as partes negociaram mercadorias no valor de 120 bilhões de euros (142 bilhões de dólares ou 751 bilhões de reais), um aumento de quase 90% em 10 anos, além de serviços no montante de 60 bilhões de euros (71 bilhões de dólares ou 375 bilhões de reais), segundo estatísticas da UE. Bruxelas observa com interesse o imenso mercado do país mais populoso do planeta, com 1,5 bilhão de habitantes, que registrou crescimento de 8,2% em ritmo anual no último trimestre.
Segundo as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Índia deve superar o Japão neste ano como a quarta maior economia mundial, atrás dos Estados Unidos, China e Alemanha. O país poderá subir ao pódio antes de 2030, segundo estimativas do governo indiano. Nova Délhi considera a Europa uma fonte indispensável de tecnologias e investimentos necessários para acelerar sua modernização e criar milhões de empregos em uma economia em rápida expansão.
UE e Índia também pretendem assinar acordos sobre a circulação de trabalhadores temporários, o intercâmbio de estudantes, pesquisadores e profissionais altamente qualificados, além de um pacto de segurança e defesa. Na área de defesa, Nova Délhi tem diversificado as compras de equipamentos militares e estabelece distância de seu fornecedor histórico, a Rússia, enquanto a Europa busca fazer o mesmo em relação aos Estados Unidos.
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