Margens financeiras apertadas e volatilidade política testam a capacidade dos produtores, segundo o Brazil Agribusiness Outlook 2026. (Foto: Envato Elements)
O Brasil deve alcançar novo recorde na produção de grãos em 2026, mas o cenário permanece desafiador para os agricultores. Margens financeiras apertadas, Selic elevada e volatilidade política das eleições presidenciais testam a capacidade de resistência dos produtores, especialmente os mais endividados, segundo o Brazil Agribusiness Outlook 2026, da RaboResearch, braço do banco holandês Rabobank.
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Apesar do contexto adverso, com PIB projetado em 1,6% e Selic em 12,5%, soja e milho devem manter expansão. O dólar a R$ 5,60 e incertezas fiscais elevam riscos sobre custos de insumos e preços domésticos, mas a produção segue em trajetória de crescimento.
A renda agrícola sofreu pressão em 2025 e deve aliviar apenas no final da safra 2026/27, afirma o Rabobank. O problema central é o endividamento de quem investiu pesado entre 2019 e 2023 e agora enfrenta juros de 15% ao ano, o que eleva os casos de recuperação judicial.
Ainda assim, a área de soja deve crescer 2%, atingindo 177 milhões de toneladas. O uso de fertilizantes baterá recorde, superando 46,5 milhões de toneladas, enquanto o mercado de defensivos se reestrutura após crise de estoques e entrada de concorrentes chineses.
O milho terá demanda doméstica superior à capacidade exportadora. Das 137 milhões de toneladas previstas, a maior parte vai para etanol e proteína animal, com as usinas de etanol de milho consumindo até 28 milhões de toneladas. O país já conta com 24 usinas em operação e 32 em processo de autorização ou construção.
A soja deve exportar 111 milhões de toneladas, ante 108 milhões em 2024, sustentada pela demanda chinesa. O mandato de biodiesel a 16% elevaria o esmagamento doméstico para 60 milhões de toneladas, mas há dúvidas sobre a implementação em março.
Carnes suína e de frango se beneficiam da peste suína africana na Ásia e Europa, que limita concorrentes. A produção de suínos deve crescer até 2,7%, chegando a 5,7 milhões de toneladas, com novos mercados como Filipinas e México. O frango ganha espaço pelo encarecimento da bovina.
A pecuária bovina entra em recomposição de rebanho após anos de abate elevado de fêmeas. A oferta cai 5% a 6%, elevando preços e reduzindo consumo doméstico em 7,1%. As exportações devem cair 1,9%, mas o maior risco são as tarifas chinesas de 55% sobre volumes acima de 1,1 milhão de toneladas, limitando embarques no último trimestre.
*Com informações do portal Exame.
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