Na mesma linha de ativos globais, o JP Morgan avalia que o dólar pode reverter a queda registrada em 2025 e renovar máximas do ciclo. (Foto: Mike Segar/Reuters)
Divulgado tradicionalmente em dezembro, o relatório de surpresas realistas do JPMorgan para 2026 reúne cenários que não integram o caso-base do banco, mas que têm ao menos uma chance em três de ocorrer. O documento ganhou atenção do mercado porque, nos últimos anos, parte dessas projeções se concretizou e afetou preços de ativos, decisões de alocação e estratégias corporativas.
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Entre as apostas, o JPMorgan projeta uma mudança relevante na política monetária dos Estados Unidos. O cenário considera uma curva de juros achatada até o vencimento de 10 anos, com rendimentos abaixo de 3%, sustentada por um Federal Reserve (Fed) mais inclinado a cortes, levando a taxa básica para a faixa de neutralidade entre 2,5% e 3%, além do fim do aperto quantitativo e da retomada de compras de títulos de curto prazo.
O relatório de surpresas realistas do JPMorgan também aponta um movimento extremo no mercado de metais. A projeção considera o ouro alcançando US$ 5.000 por onça, apoiado por relaxamento monetário, aumento das reservas de bancos centrais, maior presença do metal em plataformas de gestão patrimonial e elevação de riscos fiscais e geopolíticos. Dados históricos citados pelo banco indicam que o ouro sobe em cerca de 80% dos ciclos após o início de cortes de juros pelo Fed.
Na mesma linha de ativos globais, o JPMorgan avalia que o dólar pode reverter a queda registrada em 2025 e renovar máximas do ciclo. O cenário prevê o índice DXY acima de 114 pontos, retomando níveis observados em 2022, com suporte da busca por ativos considerados mais seguros em períodos de estresse e da posição dos Estados Unidos em setores como inteligência artificial.
No crédito corporativo, o relatório projeta spreads de títulos high yield nos Estados Unidos abaixo de 233 pontos-base, superando mínimas históricas. A leitura do banco se apoia em fundamentos corporativos, baixo nível de inadimplência e em um mercado mais concentrado em refinanciamentos, enquanto emissores com maior risco migram para o crédito privado.
O relatório de surpresas realistas do JPMorgan inclui ainda a dívida soberana de emergentes. A estimativa é que a parcela de títulos negociados com spread negativo frente aos Treasuries suba de 2% para 6% no índice J.P. Morgan Emerging Markets Bond Index Global (EMBIG), com base em demanda local, contas externas mais equilibradas e estratégias geopolíticas de países como Emirados Árabes Unidos e China.
O pano de fundo dessas projeções envolve uma coordenação mais estreita entre Tesouro dos Estados Unidos e Fed, com foco na redução dos juros longos, estímulo ao crédito imobiliário e sustentação do consumo em um contexto eleitoral.
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