Dieese: novo salário vai injetar R$ 81,7 bilhões na economia

Por: Redação | Em:
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Segundo o Dieese, cerca de 61,9 milhões de brasileiros terão rendimentos diretamente influenciados pelo salário mínimo. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O novo salário mínimo de R$ 1.621 entra em vigor em 1º de janeiro e começa a ser pago em fevereiro, com impacto estimado de R$ 81,7 bilhões na economia brasileira. O cálculo é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e considera efeitos sobre renda, consumo e arrecadação, mesmo em um cenário de maior restrição fiscal.


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Segundo o Dieese, cerca de 61,9 milhões de brasileiros terão rendimentos diretamente influenciados pelo salário mínimo. Desse total, 29,3 milhões são aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), 17,7 milhões são empregados formais, 10,7 milhões atuam como trabalhadores autônomos, 3,9 milhões são empregados domésticos e 383 mil são empregadores.

O reajuste do salário mínimo é de 6,79% em relação ao valor atual e segue a política permanente de valorização do piso nacional. A regra combina inflação e crescimento econômico, mas passa a operar sob limites impostos pelo novo arcabouço fiscal, o que altera o efeito pleno do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no cálculo.

Do ponto de vista fiscal, o aumento do salário mínimo pressiona despesas obrigatórias indexadas ao piso. O Dieese estima impacto de R$ 39,1 bilhões nas despesas da Previdência Social em 2026, além de um custo adicional de R$ 380,5 milhões para cada R$ 1 de aumento. Hoje, 46% dos gastos previdenciários e 70,8% dos beneficiários estão diretamente vinculados ao piso nacional.

Impacto fiscal e regras do reajuste

O cálculo do novo valor segue a Lei 14.663, de agosto de 2023, que considera a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior e o crescimento do PIB de dois anos antes. Para 2026, porém, a Lei Complementar 200/2023 limita o crescimento real das despesas da União, o que restringe parte do ganho econômico no reajuste.

Na prática, a inflação acumulada pelo INPC, de 4,18%, entra integralmente no cálculo, enquanto o crescimento do PIB, de 3,4%, é limitado a 2,5%. Essa combinação resulta em um aumento nominal de R$ 103 no salário mínimo, reforçando o desafio do governo de conciliar estímulo à renda com controle das contas públicas.

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