O que realmente importa na hora de escolher uma consultoria para uma operação de M&A

Por: Rodrigo Barbeti | Em:
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M&A fusões e aquisições

O ambiente de M&A avança em ritmo mais seletivo, guiado por análises rigorosas de risco, governança e capacidade real de geração de valor. (Foto: Freepik)

O mercado brasileiro de fusões e aquisições (M&A) vive um momento promissor. Até abril deste ano, essas operações já movimentaram R$ 56,5 bilhões e somaram 537 transações, segundo relatório da TTR Data. Os números indicam não apenas uma retomada do apetite dos investidores, mas também uma mudança de comportamento: o ambiente de M&A avança em ritmo mais seletivo, guiado por análises rigorosas de risco, governança e capacidade real de geração de valor.


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Nesse cenário em que eficiência se torna palavra de ordem, a escolha da consultoria responsável por assessorar empresas em processos de fusão, aquisição, incorporação, cisão ou alianças estratégicas ganha protagonismo, podendo determinar a qualidade e o sucesso de toda a operação.

Antes de iniciar uma jornada de M&A, a empresa precisa entender que o advisor será seu principal parceiro nesta construção, incluindo organização de dados, mapeamento de riscos e condução das negociações. Por isso, a decisão não pode ser imediatista e guiada apenas por preço. Há aspectos estratégicos que precisam ser avaliados com cuidado, para que não fique dinheiro na mesa e a operação seja feita com segurança.

O que considerar antes de contratar uma consultoria de M&A

A escolha do advisor ideal envolve entender tanto sua metodologia de trabalho quanto sua capacidade de integrar análise financeira e visão estratégica. Somente um time multidisciplinar, com anos de experiência em finanças, tributos, direito societário, auditoria contábil e jurídica, é capaz de conduzir um processo de M&A, de forma integrada e sinérgica.

Por isso, é importante observar como a consultoria conduz o diagnóstico inicial, seleciona potenciais interessados e estrutura as negociações, garantindo transparência desde o início do processo. Mais do que apenas aproximar empresas de compradores, os advisors são aqueles que conseguem interpretar dados complexos, transformando-os em argumentos consistentes e antecipam soluções para riscos ocultos, assegurando uma transação realmente bem-sucedida.

Para selecionar o melhor advisor, é essencial ir além da proposta comercial e aprofundar a análise sobre quem realmente conduzirá a operação. Entrevistas técnicas com as equipes responsáveis pelo trabalho ajudam a evitar o descompasso, comum no mercado, entre apresentações feitas por sócios e a execução que acaba nas mãos de equipes pouco próximas do cliente. Também é recomendável solicitar uma proposta metodológica detalhada, que explicite etapas, cenários projetados e cronograma. A avaliação de cases comparáveis no mesmo setor, ainda que sem identificação dos clientes, permite medir o domínio da empresa sobre múltiplos, dinâmica competitiva e drivers daquele mercado. 

Por fim, a verificação da reputação, das práticas de compliance e da postura ética da consultoria é indispensável, já que transações mal conduzidas e principalmente a falta de independência, podem gerar riscos jurídicos e financeiros significativos.

Boutique ou banco: como tomar a decisão certa?

Boutiques costumam atender melhor companhias de médio porte ou processos em que a proximidade e a customização são essenciais, além de contar com a vantagem de oferecer atendimento direto dos sócios (em alguns casos), análise minuciosa e flexibilidade para adaptar metodologias. Como ponto de atenção, as boutiques possuem redes internacionais mais limitadas, o que pode ser um desafio em operações de caráter global.

Os bancos de investimentos, por outro lado, se destacam em operações de grande escala e em setores com elevada complexidade regulatória ou demanda por captação simultânea. Além disso, oferecem maior estrutura, amplitude de contatos e capacidade de montar operações financeiras sofisticadas. Porém, existe a desvantagem da distância entre a equipe executiva da empresa e os principais nomes do banco, o que pode tornar o processo mais burocrático.

A decisão ideal deve equilibrar porte da operação, necessidade de especialização, velocidade desejada e nível de personalização esperado.

Rodrigo Barbeti, diretor e sócio-fundador da BLB Advisor. (Foto: Carla Glarner)

*Este conteúdo é de inteira responsabilidade do seu autor. A TrendsCE não se responsabiliza pelas informações contidas no material publicado.

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