Pela primeira vez na história do cronograma brasileiro do mercado financeiro, em 2025, o mercado de capitais superou a transação nos bancos, no que concerne a fonte principal de crédito, segundo levantamento do Banco Central e da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Quer receber os conteúdos da TRENDS no seu smartphone?
Acesse o nosso canal no Whatsapp e fique bem informado
O circuito apresentou, no ano passado, aplicações que envolveram aportes de R$ 2,7 trilhões, o equivalente a 23% do Produto Interno Bruto (PIB). Os ativos bancários ofertaram R$ 2,6 trilhões no mesmo período. Detalhe na conjuntura é que, há dez anos, o mercado de capitais representava a metade do volume de crédito bancário vendido às pessoas jurídicas.
As estatísticas exibem sólida expansão do estoque de crédito não bancário em papéis que compreendem debêntures, Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), notas comerciais e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FDICs).
O estudo aponta que a queda de juros que se evidenciou no período de 2016 a 2021 influenciou os investidores na busca de outros canais especulativos e incentivos fiscais. De acordo com o economista da Rio Bravo, José Alfaix, a partir de então iniciou um crescimento exponencial na oferta de crédito em modalidades diferentes.
“A queda dos juros trouxe uma cultura de crédito que antes estava concentrada em empresas muito específicas. A mudança ocorreu porque havia falta de oferta de crédito mais flexível para empresas importantes, e surgiu uma versatilidade que dentro dos bancos não era oferecida”, explica o especialista.
A principal novidade é a ascensão do Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FDICs), modelo flexível que pode acarretar a compra de praticamente qualquer título ou cédula bancária, além de oferecer cotas a investidores. Na maioria dos casos, essas células de investimento compram valores que empresas têm para receber e vendem os créditos no mercado.
Outro fator que incorporou no contexto do mercado de capitais foi a emissão de debêntures incentivadas, procedimento que mais que dobrou de 2023 para 2024 e prosseguiu crescendo no ano seguinte. Os títulos são dívidas de longo prazo emitidas por empresas ou projetos de infraestrutura considerados prioritários pelo governo federal. As debêntures desfrutam de isenção tributária para pessoas físicas e redução de impostos para pessoas jurídicas.
“Quem vai muito no mercado de capitais é a indústria de carnes, por exemplo. Não porque ela é negativa em relação ao banco, ou que não tenha acesso ao banco, mas é um caminho alternativo. No mercado de capitais, ela tem condições de estipular a maturidade do financiamento e, o que é extremamente importante, as garantias. O banco é fechado nos pontos colaterais. No mercado de capitais, a empresa consegue negociar muito mais”, avalia o economista Camillo Bassi, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Saiba Mais:
Mercado de capitais atinge em janeiro recorde de ofertas na série histórica
Mercado de capitais soma R$ 717 bi em emissões até novembro
Siga a Trends:
Instagram | LinkedIn | Facebook | Telegram | YouTube | Google Notícia