A atividade ia acontecer em outubro, no entanto, o Ibama estabeleceu entraves burocráticos. Documentação para liberação pela concessionária enviada à entidade. (Foto: Davi Farias)
O diretor-presidente da Transnordestina Logística S.A., Tufi Daher Filho, afirmou que o primeiro transporte de cargas do trem da ferrovia com os vagões carregados de mercadorias pode acontecer no começo de 2026.
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A atividade experimental estava prevista para ocorrer em outubro, no entanto, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), exigiu um parecer que assegurasse a adoção de medidas preventivas relacionadas à operação do traçado e também licenças ambientais.
Segundo Tufi Daher Filho, todas as representações solicitadas pelo IBAMA foram prontamente atendidas, e, conforme ele, as avaliações técnicas do órgão se encontram na fase final de análise. Ao ser aprovada, a trajetória inaugural inicia em Bela Vista do Piauí com destino a Acopiara, no Ceará.
O percurso integral da ferrovia, do Piauí ao Ceará, equivale a 11 lotes. Tufi Daher esclareceu que a expectativa é que no próximo ano a concessionária consiga concluir os lotes 4, 5 e 6, e possivelmente o 7. E em 2027, a malha ferroviária absoluta do ramal Ceará – Piauí esteja concluída até o Porto do Pecém.
“Toda a parte do Piauí, de São Miguel do Fidalgo até a divisa de Pernambuco, está 100% pronta, tanto é que vamos começar o transporte ferroviário de lá para cá. Um compromisso de 2027 até 2029 é fazer 144 km do terminal até Eliseu Martins, e a gente quer antecipar isso em um ano e meio”, relata o diretor-presidente da concessionária.
Tufi Daher reforça que para a recepção das cargas no espaço reservado haverá um terminal de uso privado, sob a gerência da Nordeste Logística (Nelog), o qual segundo o gestor, os contratos se encontram avançados, inclusive integrados à administração do Porto do Pecém. “No início do ano que vem começaremos as obras do equipamento para acolher todas essas cargas que nós vamos trazer, principalmente grãos, fertilizantes, cimento e minérios, então tudo isso está 100% programado dentro do cronograma”, pontua.
Indagado sobre os principais projetos implementados atualmente no Complexo do Pecém, o presidente do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP S.A.), Max Quintino, elencou que as obras da ferrovia Transnordestina irão aquecer o setor agropecuário cearense e proporcionarão um patamar logístico diferente ao estado. “E também vamos gerar diversos novos negócios futuros que a gente nem consegue mensurar”, complementa.
Max Quintino também menciona a implantação do projeto de data center, o qual ressalta que a tramitação atual se encontra na fase final de licenciamento. Ele vislumbra que no critério do equipamento precisar de abastecimento, há interlocuções para investimentos de mais R$ 19 bilhões em energia eólica.
Numa outra linha de atribuição industrial inserido no complexo do Pecém, o gestor destaca as obras avançadas do Parque de Tancagem do Ceará, sob tutela da Dislub Equador. Além disso, Max Quintino relata que no primeiro semestre do próximo ano já terá início às obras do Terminal Portuário de Gás Liquefeito (GLP), fruto da fusão da Supergasbras e da Companhia Ultragaz S.A.
“A gente vai concorrer de forma muito competitiva no leilão de reserva de capacidade. Já temos um parceiro, pois a gente conseguiu celebrar um contrato com Enev e com a Diamante, duas empresas muito fortes no setor de gás. Então a ideia é ter um investimento em torno de R$ 7 bilhões, muito significativo, para a construção de um no novo píer e de uma nova térmica a gás”, enfatiza Max.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Ricardo Cavalcante, avalia o grau de importância do Complexo do Pecém para o sistema industrial cearense como a “joia da coroa”. Segundo Ricardo, todos os investimentos estruturantes que irão acontecer nos próximos 10 anos no Ceará perpassam pelo circuito logístico industrial e portuário do Pecém.
Ricardo reforça, no englobamento, os ativos relacionados ao hidrogênio verde e ao data center. Ele acredita que a representante cearense de aço, a ArcelorMittal, se juntará no contexto de investimentos. O presidente da Fiec assinala também no circuito a importância da Zona de Processamento de Exportação (ZPE). “Eu acredito muito que a partir de 2026, mesmo diante das dificuldades que o país tem, a gente vai continuar trabalhando em crescimento”, frisa.
Avaliando a conjuntura econômica do setor industrial cearense, Ricardo Cavalcante aponta que mesmo com os impactos da inflação, o setor local passou bem. Ele realça que o tarifaço aplicado no meio do ano sobre as exportações cearenses não foi fácil para a indústria. O presidente da Fiec enfatiza que a retirada recente das tarifas estadunidenses contribuiu para o alívio no segmento, explicando que mais da metade das sanções aos produtos cearenses reordenaram a comercialização regular, como por exemplo, a cera de carnaúba, a castanha e a água de coco.
“Acredito que a gente está encerrando o ano com muita tranquilidade, alguns setores crescendo bem mais que o outro, dentro do normal da economia, mas a indústria cearense é pujante, uma indústria que os 39 setores que a gente atua, hoje, são muito fortalecidos, e nós temos grandes empresas dentro do estado do Ceará”, cita Ricardo.
As entrevistas dos entes foram concedidas à Trends durante a realização do Prêmio Personalidade Pecém, nesta quinta-feira (4), no La Maison Buffet, em Fortaleza.

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