Segmento digital é o motor do mercado de entretenimento

Por: Gladis Berlato | Em:
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Apesar da conveniência do digital, o consumidor brasileiro ainda valoriza e busca intensamente o entretenimento com experiências presenciais e coletivas. (Foto: Envato Elements)

Desafiado pela pandemia, o mercado de entretenimento brasileiro apresenta diferentes níveis de desempenho frente a um novo perfil de consumidor. A receita total deve chegar a US$ 38,5 bilhões até 2026, puxada, notadamente, pelos segmentos digitais, que compensam o declínio de setores tradicionais, e também pela retomada vigorosa dos grandes eventos ao vivo como Rock in Rio, Lollapalooza e The Town. A projeção é de um crescimento e 5,7%, acima, portanto, da média global estimada em 4,6%.


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Segundo a Pesquisa Global de Entretenimento e Mídia da PwC, em sua 24ª apuração, o Brasil é visto como uma potência gamer. Em uma década, a indústria de games no país cresceu sete vezes. Os 150 estúdios em 2014 passaram a 1.042 em 2024. O dado explica o maior crescimento percentual de 11% do segmento de jogos com faturamento de quase US$ 3,0 bilhões, seguido dos vídeos online, redes sociais e marketing de influência, e avançou 9% com receita de US$ 8,8 bilhões. Os streamings de vídeo e o cinema também se destacam em desempenho, em contraposição à TV por assinatura com queda de -4,9%. A leitura de livros mostra um acanhado crescimento de 2%.

Apesar da conveniência do digital, o consumidor brasileiro ainda valoriza e busca intensamente as experiências presenciais e coletivas, o que torna o futuro claramente digital, interativo e cada vez mais focado em experiências.

Tendência do Edutenimento

Os parques de diversão também estão em transformação. Trata-se de um mercado de relevância. No mundo, somente os 10 principais parques movimentam mais de 500 milhões de visitantes ao ano e o valor de mercado das principais empresas do setor ultrapassa US$ 107 bilhões. No Brasil, dados do Sistema Integrado de Parques e Atrações Turísticas (SINDEPAT), da Associação das Empresas de Parques de Diversões (Adibra) e da Noctua Advisory, mostram que o setor segue em crescimento com mais de 89 milhões de visitantes em e aproximadamente R$ 7,1 bilhões em faturamento que tende a crescer com os 63 novos projetos em estruturação, que totalizam R$ 9,6 bilhões em investimentos.

Como recreador, educador, empresário e pai, Leonardo de Mendonça Aguiar (foto), diretor de Operações do Parque Bambolim, no Shopping Iguatemi de Fortaleza (na foto com a esposa e diretora administrativa, Mariana Simonetti), sente necessidade de, cada vez mais, ressignificar o entretinimento infantil oferecendo diversão com experiências.

Leonardo de Mendonça Aguiar e Mariana Simonetti, diretores do Parque Bambolim. (Foto: Acervo pessoal)

Mesmo dentro de um shopping, ele oferece muito mais do que chamou de “estacionamento de crianças” num espaço de concreto com equipamentos voltados à diversão. Com 10 anos de atuação no Parque, ele integra um mercado aquecido e bastante concorrido. E sustenta a crença de que o negócio pode agregar propósitos como o da educação.

Artigo publicado em 1995 na revista Family Entertainment Center, repostado recentemente pela Associação Internacional de Parques de Diversões e Atrações (IAAPA), já apontava uma transformação no setor. “Após um período desafiador, o mercado viveu uma recuperação vigorosa e caminha agora para a qualificação da experiência”, afirma ele. Leonardo concorda com o olhar de especialistas de que a tendência dominante é o edutenimento como eixo de inovação, no qual o brincar ensina, inclui e conecta.

“São atividades hands-on, com mediação humana e vínculo com famílias e comunidade”, acrescenta. Na Bambolim, há oferta de programações temáticas que combinam história, corpo e imaginação. Também promove parcerias com escolas para trilhas lúdicas de aprendizagem. Entre as tendências, ele aponta a que os parques de diversão serão baseados muito mais em diversão com eventos educativos interativos e hands-on em vez de hardware tecnológico, cabendo aos pais oferecerem experiências enriquecedoras de aprendizado e devolverem o verdadeiro conceito de brincadeiras infantis.

Eventos como Experiência
Grandes festivais estão se transformando em “parques temáticos da música”, integrando arte, gastronomia, tecnologia e causas sociais para criar experiências completas.

Desafio dos custos do entretenimento

Na área de shows e espetáculos, a realidade é diferente. Embora os ícones já consolidados como Rock in Rio e outros continuem atraindo multidões, os espaços menores se adequam ao novo momento pós-pandemia. É o que relata Rodolphe Trindade (foto), diretor do Pirata Bar em Fortaleza.

Rodolphe Trindade, diretor do Pirata Bar. (Foto: Acervo pessoal)

Após experimentar uma queda de 50 a 60% no pós-pandemia, ele relembra que no Ceará o espaço cultural e de festas tem um histórico de quatro décadas sediando acontecimentos semanais de grande porte, que acolhia de 5 a 30 mil pessoas.

Atualmente, o segmento de shows, até há pouco oferecidos gratuitamente pelo poder público para incentivar o setor, experimenta uma retração e acabou um pouco encolhido. “Os consumidores jovens se divertem na rua e os mais velhos acham os preços elevados”, comenta. Rodolphe, que dirige o Pirata Bar desde 1985, acompanhou a elevação dos custos fixos sem o consequente aumento de receita, o que tornou muito difícil rentabilizar um espetáculo. A seu ver, trabalhar com cultura se tornou um desafio para o qual os operadores precisam se adaptar.

Eventos corporativos

Quem vive um momento de expansão significativa é o setor de eventos corporativos. Somente no primeiro semestre de 2025, o número de eventos de grande porte cresceu 19% sobre igual período do ano anterior. São Paulo, líder absoluto, sediou 612 eventos atraindo um público de 3,2 milhões de visitantes, conforme atesta a União Brasileira de Feiras e Eventos de Negócios (Ubrafe), movimentando cerca de R$ 5,4 bilhões apenas no primeiro semestre, devendo fechar o ano em R$ 12 bilhões com a geração e qualificação de milhares de empregos.

Para Josbertini Clementino (foto), diretor executivo da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (ABEOC Brasil), “os eventos corporativos são motores silenciosos da economia, conectando pessoas, disseminando conhecimento e deixando um legado duradouro na cidade”.

Josbertini Clementino, diretor executivo da ABEOC Brasil. (Foto: Acervo pessoal)

Ou seja, o valor que um evento corporativo produz vai muito além do espaço onde acontece porque a cidade inteira se movimenta, ativando a cadeia produtiva local, como hotéis, restaurantes, fornecedores, transporte, montagem, tecnologia e inúmeros serviços que operam de forma integrada. Cada feira, congresso ou encontro empresarial que ocorre atrai investimentos, fortalece o destino, gera renda e impulsiona o desenvolvimento com efeitos imediatos e estruturais.

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